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Falta de combustível relacionada à falência de…

Maputo, 26 Mai (AIM) – O governador do Banco de Moçambique, Rogério Zandamela, confirmou que a recente escassez de combustíveis, que provocou longas filas de veículos nos postos de abastecimento de Maputo e outras cidades, também esteve relacionada com a falência dos distribuidores de combustíveis e a escassez de divisas, nomeadamente dólares americanos.

Segundo Zandamela, que falava aos jornalistas segunda-feira, em Maputo, após a reunião do Comité de Política Monetária (CPMO), os bancos comerciais do país têm financiado a importação de combustíveis mas as “entidades que deveriam ter acesso a essas garantias, nomeadamente ao crédito, não estão em condições de o fazer. [gas stations] estão quebrados, falidos, não têm meticais, entre outras questões.”

Em circunstâncias normais, os distribuidores de combustíveis utilizam garantias bancárias, denominadas em dólares norte-americanos, para pagar o combustível que encomendam nos portos. Alguns distribuidores não conseguem adquirir estas garantias dos bancos comerciais.

A crise de combustíveis do país, influenciada pela guerra de agressão EUA-Israel ao Irão e pelo encerramento do Estreito de Ormuz – que é responsável pelo fluxo diário de quase 20 por cento das vendas mundiais de petróleo – obrigou o governo a aumentar, no início deste mês de Maio, os preços dos principais combustíveis líquidos em até 45,5 por cento.

Cerca de 80 por cento das importações de combustíveis de Moçambique passam por rotas ligadas ao Estreito de Ormuz, o que significa que o impacto da guerra no Médio Oriente é potencialmente desastroso para a economia do país.

Contudo, segundo o governador, o papel dos bancos no processo de importação, incluindo a emissão de garantias para compras no exterior, está a ser cumprido.

“Observamos que os bancos estão a fazer todo o possível para apoiar. Estão sim a apoiar, os dados mostram isso, estão empenhados e demonstram que estão a apoiar e a dar prioridade à conta dos combustíveis nas suas decisões relativamente à atribuição de fundos cambiais”, disse.

“Os bancos comerciais também estão a dar prioridade à emissão de garantias para estas importações, embora a sua concessão dependa da situação financeira dos distribuidores de combustíveis”, acrescentou.

Zandamela garantiu que “não temos problemas em emitir garantias aos mutuários que tenham perfil e capacidade de crédito adequados”.

“Garantia é crédito. Se não tiveres capacidade para obter esse crédito, mesmo sendo retalhista de combustíveis, o banco não dá garantias. Então, temos situações em que algumas instituições, nomeadamente retalhistas de combustíveis, ficam excluídas das garantias”, explicou.

Segundo o governador, a utilização das garantias disponíveis pelos retalhistas de combustíveis está muito abaixo dos limites, pelo que “o processo de atribuição de fundos para a importação de combustíveis está a ser monitorizado directamente pelo governo”.

Sou/

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