Dragão sempre a murchar e galinhos sempre a crescer (crónica)

Dragão sempre a murchar e galinhos sempre a crescer (crónica)


O balão do FC Porto, que nunca encheu de verdade, foi esvaziando com o tempo, principalmente a partir do momento em que Luís Pinto, novo técnico do Gil Vicente, mexeu no onze no intervalo. Os gilistas, agora equipando de azul, foram crescendo ao mesmo tempo em que os dragões murchavam e, por fim, a 39 segundos dos tradicionais 90 minutos — já quando os campeões nacionais jogavam com muitos garotos da base —, o uruguaio Martín Fernández cruzou largo de pé esquerdo e, próximo ao poste direito da meta portista, apareceu o francês Arthur Tchaptchet para faturar de cabeça e dar o triunfo ao Gil Vicente.

Que indicações os 90 minutos deram para o futuro de ambas as equipes? Gil está bem e se recomenda; o FC Porto não foi bem, mas não deixa de se recomendar. Estamos em pré-temporada e esses jogos servem para isso mesmo: testar, treinar; treinar, testar. Até porque nada menos que 43 (!) jogadores foram utilizados pelos dois treinadores: 23 no Gil Vicente e 20 no FC Porto.

Mesmo sem Cláudio Ramos, Bednarek, Kiwior, Zaidu, Rosario, Gabri Veiga, André Silva e Pepê (que jogaram pela manhã contra o Penafiel), além de Alberto Costa e Pietuszewski (lesionados), os dragões começaram andando bem por cima do jogo.
Logo cedo (6′), houve um gol anulado de Froholdt (William cruzou com a bola fora do retângulo de jogo) e, pouco depois (12′), o chute mais vistoso do primeiro tempo saiu do pé direito de Borja Sainz, de fora da área, obrigando Lucão a uma defesa apertada pela linha de fundo.

O FC Porto seguiu em cima até pouco depois da meia hora, mas já sem criar o perigo das duas jogadas anteriores. Perto do intervalo, aos 40′, o Gil Vicente apareceu, por fim, ao lado de João Costa. Após escanteio marcado por Lausen, a bola esbarrou em Nehuén Pérez e saiu pela linha de fundo, dando a sensação de ter sido gol. Pouco depois, os gilistas chegaram a comemorar, mas o lance foi anulado por falta no goleiro do Porto.
Houve momentos, até o intervalo, em que o Gil Vicente defendeu com 11 homens atrás da linha da bola e a não mais que 35 metros do gol de Lucão. Defender bem faz parte do jogo e os galos de Luís Pinto quase sempre o fizeram com distinção. Mas depois, a partir dos 30/35 minutos, o Gil passou a conseguir se estender e, embora sem criar grande perigo, teve algum domínio na parte final do primeiro tempo.
No intervalo, Luís Pinto mexeu muito (seis trocas); Francesco Farioli não mexeu nada. O segundo tempo começou bem empolgante. Logo aos 13 segundos (!), William teve uma falha imperdoável: era só encostar de pé esquerdo contra Picornell, mas o brasileiro acertou mal a bola e o perigo se esvaiu. Pouco depois, Weverson abriu na esquerda para Gil Martins, com o jovem meia (formado no FC Porto) chutando levemente para fora.

O FC Porto foi perdendo fulgor e a bola passou a andar muito mais perto de João Costa, fruto de algum adormecimento — talvez pela pouca frescura física própria da intensidade das pré-temporadas. Os dragões quase pararam de rondar a baliza gilista, enquanto os homens de Barcelos apareciam mais ousados ​​após as mexidas de Luís Pinto.
O treinador do Gil Vicente voltou a mexer a meio da segunda parte e a tendência acentuou-se: mais galos, menos dragões. Zé Carlos, Kaba, Martín Fernández e, de novo, Gil Martins andaram perto do golo, mas foi Tchaptchet, após cruzamento de Martín Fernández, a fazer o único golo do jogo. E, convenhamos, bem merecido para o Gil Vicente.


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