Críticas, inaceitável, Durán e... Liga Conferência: tudo o que disse Marco Silva

Críticas, inaceitável, Durán e… Liga Conferência: tudo o que disse Marco Silva


— De que forma é que o Benfica deve entrar em campo para garantir o objetivo da passagem?

— Acima de tudo, temos que ser coletivamente mais fortes. Acho que esse é o aspecto mais importante. É um jogo que tem várias condicionantes, como teve na ida, mas precisamos ser mais fortes como equipe e ter um jogo que permita que nossas potencialidades estejam acima da forma de jogar do adversário. Deixamos o jogo ir muito para duelos individuais, momento em que o adversário se sente muito confortável jogando. Para evitá-lo, temos de ter domínio diferente, posses de bola mais longas, capacidade para desorganizar o adversário e não deixar que o jogo entre num ciclo de perde e ganha. Foi um pouco o que aconteceu: muitas transições e muitos momentos em que forçamos por dentro ou por fora sem necessidade, sem capacidade de assentar o jogo. Esse será o primeiro aspecto a melhorar em relação ao jogo de ida. Depois, exige-se uma entrada forte em casa, estando em desvantagem na eliminatória, para dar um sinal aos nossos torcedores. O apoio que teremos será fundamental — como tem sido ao longo da história do Benfica. Sabemos que temos que dar esse primeiro impulso aos fãs. Uma entrada forte fará com que o jogo fique mais a nosso favor e, naturalmente, teremos que mostrar nossa qualidade, criar oportunidades e marcar gols.

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— Depois de tantas críticas após o primeiro jogo, você teme que alguma impaciência das arquibancadas se instale no gramado, caso o Benfica não consiga criar e marcar logo de cara?

— Eu falei sobre as críticas após o último jogo. Quando não jogamos no nível em que podemos jogar — independentemente das condicionantes de uma pré-temporada atípica, em que só começamos a receber os internacionais já em fase de competição e com jogos decisivos, o que não serve de desculpa —, as críticas não são agradáveis, mas temos que encará-las como naturais dada a dimensão do Benfica. Estamos sujeitos a elas e isso não pode nos condicionar de jeito nenhum. Nossa entrada será muito importante. Acredito que vamos entrar fortes e que a torcida fará sua parte, puxando o time para o que queremos: vencer o jogo e passar de fase.

— No jogo de ida, o Benfica teve fraquezas nas bolas paradas e acabou sofrendo o segundo gol em um lance desse tipo. Como o Benfica pode virar essas situações defensivas?

— Temos que conseguir e temos que melhorar. É simples assim. Entendo a questão e a análise: logo no primeiro escanteio isso foi notado, e não tem tanto a ver com organização, mas com ser proativo e ter a capacidade de atacar a bola em áreas preenchidas por nós. No primeiro ou no segundo tempo, o adversário tentou nos surpreender na segunda linha da entrada da área. Analisamos isso e fizemos nosso trabalho de planejamento e preparação, não apenas no aspecto ofensivo, mas também nas bolas paradas defensivas. É algo que trabalhamos desde o início da pré-temporada, entendendo quais são os jogadores mais fortes em cada zona. Temos que dar um passo à frente e melhorar já para o próximo jogo.

— Os jogadores que estiveram no Mundial já regressaram. Estão todos aptos para jogar? E mantém que o Jhon Durán dificilmente jogará, apesar de ter atuado e marcado frente ao Belenenses?

— Sim, Durán jogou o tempo que eles sabem, em um jogo de pré-temporada. Vamos adicionar minutos aos jogadores que vieram da Copa do Mundo, que não tiveram uma grande pausa (cerca de 15 a 16 dias). Alguns jogaram mais assiduamente, outros nem tanto, mas todos estavam em um ambiente de competição e estresse competitivo. Alguns dos que ele nomeou fizeram apenas quatro sessões de treinamento até hoje. No entanto, se nada acontecer nesse meio tempo, todos estarão envolvidos e convocados para o jogo. Cabe a mim decidir o onze e as opções. Quanto ao Jhon Durán, ele tem feito seu processo natural. Eu estava em uma grande pausa de férias e ainda não tinha jogado muito nos últimos meses. Ele está melhorando e deu sinais positivos em um jogo de intensidade mais baixa. Acreditamos que vai nos ajudar. Me compete tomar as decisões mais acertadas levando em conta a condição física de atletas que ainda não estão preparados para começar jogos dessa intensidade. Nem sempre quem começa é decisivo, e teremos soluções no banco. Mas, respondendo diretamente: praticamente todos os jogadores que chegaram depois serão convocados.

— Há vários jogadores que têm sido muito criticados, como Kaminski, Sudakov, Dahl ou Trubin. Teme que acusem a pressão? E existe o risco de os gols inaceitáveis ​​da primeira mão acontecerem novamente?

— Quando falo com vocês, tento ser o mais honesto possível na análise do jogo, para vocês e para nossa torcida. Não venho aqui para fazer rodeios; analiso o jogo de forma clara. Se quisermos melhorar, temos que ser claros na análise. Falou-se de dois gols em que, no nível em que estamos, temos que fazer muito melhor. Nos últimos minutos de qualquer jogo, com o cansaço acumulado, a bola parada é um fator de decisão muito importante. É uma questão de manter o foco e ser agressivo nesse momento. A forma como construímos no primeiro momento e perdemos a bola em áreas proibidas são questões naturais a serem corrigidas. Usar ou não a palavra inaceitável, ou dizer que temos que fazer muito melhor, vai dar no mesmo: queremos ser um time forte e temos que melhorar claramente nesse aspecto. Quanto à pressão sobre os jogadores individuais, a pressão é inerente a quem está neste clube. Acredito que, se formos mais fortes coletivamente, os jogadores jogarão melhor individualmente. Tenho confiança de que quem entrar em campo dará a resposta necessária. Quem está nesse nível tem que aguentar a pressão normal do tamanho do Benfica e jogar eliminatórias europeias. Devemos olhar para isso mais como um privilégio do que como uma pressão que nos impede de jogar.

— Se o Benfica voltar a se apresentar como na primeira mão, pode ter surpresas desagradáveis. Consegue conceber a hipótese de o Benfica ser enviado para as pré-eliminatórias da Liga Conferência?

— Não penso um segundo nisso, sinceramente. Não está no nosso pensamento nem no meu pensamento como treinador do Benfica. Não gasto energia pensando que algo pode ser negativo; sou positivo por natureza. Depois do jogo ruim que fizemos, a semana de trabalho foi positiva. Analisamos coisas importantes e o retorno de alguns jogadores elevou o nível de treinamento e competitividade interna. Não há negativismo ou medo na preparação para este jogo, nem perdemos um segundo pensando em um cenário negativo no final da partida.

— Com três centrais disponíveis (Lenglet, António Silva e Tomás Araújo), António Silva terá oportunidade de despedir-se a jogar? Do ponto de vista técnico, se a decisão fosse unicamente sua, contaria com ele para esta época ou procura realmente outro perfil?

— Em relação à primeira questão, eu não preparo jogos do Benfica para promover despedidas de jogadores. Preparo o time para o jogo, para seu tamanho e dificuldade, dependendo das soluções disponíveis. Começamos a pré-temporada praticamente só com um zagueiro e aí chegou o Lenglet, além dos jovens da base. Essa é a realidade. Mas não planejamos a escalação para permitir que um atleta se despeça do clube em campo. Nunca tive essas conversas com nenhum jogador e não tenho com o António. Ele está totalmente comprometido com nossa preparação desde o primeiro dia. Quanto a contar com ele: se eu não contasse com o António para estar no Benfica, já teria dito à Direção. Se ele está no Benfica e vem jogando na pré-temporada e nos jogos oficiais, é porque conto com ele, lógico.

— A ausência de Leandro Barreiro afetou o time na ida. O que o time poderia ter com ele que não teve na Suíça?

— O Leandro fez praticamente todos os jogos da pré-temporada ao lado do Manu ou do Enzo [Barrenechea]junto com o Sudakov, cobrindo as ausências de outros jogadores. Ele teve uma boa pré-temporada e sua ausência no primeiro jogo foi inesperada para nós. Na falta de outras opções, optamos por jogar com o Miguel Figueiredo. Foram dias difíceis para Leandro, que estava doente e perdeu um pouco de peso, mas já voltou aos treinos nesta semana, está recuperando a forma e será mais uma solução. Se você tiver que começar o jogo, você começará.

— Espera um St. Gallen mais exposto ou mais recuado na grande área? A entrada de um jogador como Schjelderup pode ajudar a desmontar um bloco baixo?

— Estamos preparados para as duas hipóteses. O St. Gallen é um adversário que gosta de levar o jogo para os duelos e marcações individuais a campo inteiro. Custou-nos muito no jogo da primeira mão, pois não tivemos capacidade para assentar o nosso jogo. Se voltarem a pressionar a campo inteiro, teremos de mostrar a calma necessária para controlar o jogo com bola, algo que nos faltou lá. Por outro lado, o adversário pode optar por uma abordagem mais conservadora, baixando o bloco por estar em vantagem na eliminatória, embora isso não pareça o seu ADN. Também trabalhámos esse cenário e sabemos o que fazer contra um bloco médio-baixo. O decorrer do jogo ditará a abordagem deles, ou a abordagem a que nós os vamos obrigar. Temos de ter a capacidade de levar o jogo para o meio-campo ofensivo, ter ataque posicional e desorganizar o adversário para criar situações de golo.

— Você sente que as dificuldades do time em ter mais calma e critério com a bola são táticas ou mentais? Como você trabalha isso no treinamento?

— Os dois aspectos estão ligados. Quando queremos jogar de uma determinada forma, temos que nos preparar mentalmente para não jogar em constante aceleração ou querer definir a jogada logo no primeiro corredor. Os adversários fecham espaços e temos que ter capacidade de circulação, rodar o jogo e buscar outros espaços. É um passo que temos que dar adiante. Trabalhamos isso no treinamento, na preparação individual e com análise de vídeo. Nosso time precisa dessa característica, pois vamos passar a maior parte do tempo com a bola no meio-campo ofensivo. É preciso ter equilíbrio nas decisões para atacar no momento certo e estar preparado para a transição defensiva.

— Miguel Figueiredo trabalha com o time B, depois de ser titular na Suíça. O uso dele foi apenas pontual, ou ganhou mais uma opção para o time principal?

— Estou muito satisfeito com Miguel. É um jogador que evoluiu muito positivamente no time B durante a temporada passada. Decidi trazê-lo para a pré-temporada e ele jogou porque deu boas indicações, em um momento em que tínhamos várias baixas naquela posição. Ele deu uma boa resposta. Mesmo quando o time não foi tão bem, não houve inexperiência da parte dele. Ficou mais cansado no segundo tempo, o que é natural, mas cumpriu o que pedimos, mantendo a calma e dando pausa no jogo. É um jogador que vai estar debaixo do nosso radar, fazendo a ponte entre o time principal e o B. Ele terá seu espaço para progredir e integrar o time A sempre que necessário.

— Em relação a Sudakov, mantém a confiança nele após a exibição na Suíça? E o meio-campo (com Aursnes, Ríos, Barrenechea, Manu e Leandro) está fechado ou procura mais soluções no mercado?

— Sobre o mercado e perfis de jogadores, não farei comentários. Quanto à confiança no Sudakov: estaria muito mal se perdesse a confiança num jogador após dois jogos oficiais. Ele falhou os primeiros jogos da pré-temporada por lesão e embora não tenha rendido ao nível que pode no último jogo precisa de sentir confiança à sua volta para mostrar a sua qualidade. Não vou desistir de um jogador nem perder a confiança nele ao fim de cinco semanas de trabalho. O nosso papel é ajudá-los a melhorar individualmente — ensinando, por exemplo, a soltar a bola mais rápido quando há marcação individual nas costas —, porque isso fortalece o coletivo. Mantenho a confiança nele e nos outros.

— Este jogo marca sua estreia oficial em casa como treinador do Benfica. Que expectativas você tem para o meio ambiente no Estádio da Luz?

— Acredito muito que o estádio vai fazer a diferença. Tem um gosto especial por ser meu primeiro jogo oficial no Estádio da Luz. Espero o apoio constante de sempre da nossa torcida, um ambiente capaz de empurrar o time para frente e fazer o adversário sentir o peso de jogar fora. Espero um ambiente à Benfica, que nos ajude a virar a eliminatória. Falando abertamente, o que espero é uma vitória do Benfica no primeiro jogo oficial em casa, aliada a uma atuação muito melhor que a última.


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