Primeira aeronave Embraer 190 entra em operação e companhia de bandeira promete recuperar confiança dos passageiros com mais segurança, pontualidade e regularidade
A cidade de Nacala testemunhou, esta sexta-feira, um momento marcante na história recente da aviação civil moçambicana, com a entrada em operação da primeira de duas aeronaves Embraer 190, baptizada de “Limpopo”, e o lançamento da nova identidade institucional da companhia de bandeira, que passa a apresentar-se como AirMozambique.
O voo inaugural, na rota Maputo-Nacala, representa também o regresso da companhia à operação com aeronaves próprias, depois de um período em que a transportadora enfrentou limitações na sua capacidade operacional.

Durante a cerimónia, o Presidente do Conselho de Administração da companhia, Agostinho Langa, destacou o significado do momento, considerando-o uma viragem na história recente da transportadora.
“Acabamos de desembarcar de uma aeronave que é propriedade da LAM. Deixamos assim para trás o cenário de uma companhia sem aeronaves próprias. Hoje a LAM tem aviões que lhe pertencem”, afirmou.
A renovação da frota deverá prosseguir na próxima segunda-feira, com a entrada em serviço da segunda aeronave, baptizada de “Zambeze”, que deverá operar na ligação entre Maputo e Beira.
Reestruturação reduz contratos e custos

A nova fase da companhia surge na sequência de um processo de reestruturação iniciado em Fevereiro de 2025, que, segundo Agostinho Langa, já produziu resultados concretos na gestão financeira e operacional.
Entre as principais medidas está a redução do número de contratos activos, que passaram de 447 para 208, acompanhada por uma diminuição de cerca de 20 por cento nos custos operacionais e administrativos.
A companhia registou ainda uma redução de 46 por cento nos custos com combustível e de 50 por cento nas despesas de catering, resultando, segundo os dados apresentados, numa poupança anual superior a 3 milhões de dólares norte-americanos.
Para a administração, a racionalização da estrutura de custos constitui uma das bases para tornar a companhia mais sustentável e preparar uma nova fase de expansão.
Beira e Nampula passam a desempenhar papel estratégico

A estratégia da AirMozambique prevê igualmente uma maior descentralização da operação, com a transformação das cidades da Beira e Nampula em hubs operacionais.
A intenção é aproximar a companhia das diferentes regiões do país e permitir ligações mais directas entre as províncias do Centro e Norte, reduzindo a dependência de Maputo como principal ponto de conexão.
A medida pretende, igualmente, melhorar a eficiência da rede doméstica e criar condições para uma maior integração territorial através do transporte aéreo.
Ministro exige mudança para além da marca

A mudança de identidade, entretanto, deverá ser acompanhada por uma transformação profunda na cultura interna da companhia.
O Ministro dos Transportes e Logística, João Matlombe, advertiu que a alteração do nome e da imagem da empresa não será suficiente se não for acompanhada por mudanças concretas na forma de trabalhar e atender os passageiros.
“Trabalhar na LAM tem que ser um prazer para os colaboradores. Não pode ser uma questão apenas de alternativa, porque se for alternativa não haverá simpatia, não haverá melhor atendimento”, afirmou.
O governante colocou o atendimento ao passageiro entre as principais prioridades da nova fase da companhia, defendendo maior profissionalismo, empatia e responsabilidade na prestação do serviço.
Para Matlombe, os passageiros devem ser devidamente informados sempre que ocorram constrangimentos na operação.
“O que não é admissível é quando o atraso não haja explicação para os passageiros. O que não é admissível é que os passageiros fiquem desprovidos de qualquer assistência”, advertiu.
A mensagem do Governo é clara: a transformação da companhia deverá ser medida não apenas pela renovação da frota ou pela nova identidade visual, mas sobretudo pela qualidade do serviço prestado aos passageiros.
Nampula quer aeronave com nome local

A cerimónia em Nacala teve também um forte simbolismo para a província de Nampula.
O Governador da Província de Nampula, Eduardo Abdullah, conhecido por Tio Salimo, saudou o regresso da companhia de bandeira aos céus nacionais e considerou a nova fase um sinal de recuperação da presença da transportadora no território nacional.
“É ver a nossa bandeira a voltar a voar mais alto”, afirmou.
Durante a sua intervenção, o Governador lançou ainda um desafio à companhia: que uma das próximas aeronaves seja baptizada com o nome “Namicopo”, em homenagem ao bairro mais populoso da cidade de Nampula.
A proposta foi acolhida favoravelmente pelo Ministro dos Transportes e Logística.
Segurança, pontualidade e regularidade como prioridade









Com a entrada das novas aeronaves e a reorganização da sua estrutura, a AirMozambique entra agora numa fase em que terá de transformar os anúncios de renovação em resultados concretos para os passageiros.
A companhia pretende recuperar a confiança do público através de três pilares centrais: segurança, pontualidade e regularidade.
Mais do que uma mudança de nome, a nova identidade pretende representar uma transformação operacional e institucional de uma companhia que procura recuperar espaço no mercado doméstico e reforçar o seu papel estratégico na ligação entre diferentes regiões de Moçambique.
A entrada em operação do “Limpopo”, seguida do “Zambeze”, marca assim o início de uma nova etapa. O verdadeiro teste, contudo, estará na capacidade da AirMozambique de garantir que a nova imagem seja acompanhada por um serviço à altura das expectativas dos passageiros e da importância de uma companhia de bandeira para o país.
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