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Governo trava aumento dos chapas e promete compensar transportadores com até 90 mil meticais

Os passageiros dos transportes semi-colectivos de passageiros não terão de suportar, para já, o aumento das tarifas que estava previsto para 7 de Novembro. O Governo e a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) chegaram a um acordo que prevê compensações financeiras entre 25 mil e 90 mil meticais aos operadores, durante três meses. A solução procura evitar que a subida dos custos de combustíveis, manutenção e peças sobressalentes seja imediatamente transferida para os utentes.

O aumento das tarifas dos transportes semi-colectivos de passageiros, que poderia começar a pesar no bolso dos moçambicanos a partir deste sábado, 7 de Novembro, foi travado por um entendimento entre o Governo e os operadores de transporte rodoviário.

Em vez de autorizar o agravamento dos preços das viagens, o Executivo decidiu avançar com um mecanismo extraordinário de compensação financeira aos transportadores, numa tentativa de equilibrar duas realidades que pressionam diariamente o sector: os custos crescentes da actividade e a capacidade financeira dos passageiros.

O acordo alcançado com a Federação Moçambicana das Associações dos Transportadores Rodoviários (FEMATRO) estabelece compensações que variam entre 25 mil e 90 mil meticais, em função do tipo e da categoria das viaturas. O mecanismo terá uma duração inicial de três meses.

A confirmação foi feita esta sexta-feira, em Maputo, pelo Director Nacional dos Transportes e Segurança, Alberto Matusse, que explicou que a decisão resulta das negociações entre o Governo e a representação dos transportadores.

“Como resultado deste entendimento, informamos que não haverá agravamento das tarifas de transporte público a partir de amanhã, 07 de Novembro de 2026”, declarou o dirigente.

Na prática, a decisão significa que os passageiros continuarão a pagar os preços actualmente em vigor, enquanto o Governo procura compensar parte dos encargos adicionais enfrentados pelos operadores.

O que está por detrás do acordo?

A questão vai além do preço de uma viagem de chapa. O funcionamento dos transportes semi-colectivos depende de uma estrutura de custos que inclui combustíveis, manutenção das viaturas, aquisição de pneus, peças sobressalentes e outras despesas operacionais.

Quando estes encargos aumentam, os operadores enfrentam maior pressão sobre as receitas e procuram mecanismos para manter a actividade economicamente viável. Uma das soluções frequentemente colocadas sobre a mesa é o reajustamento das tarifas, mas essa alternativa tem consequências directas para milhões de passageiros que dependem diariamente destes serviços para chegar aos locais de trabalho, escolas, mercados e outras actividades.

Foi precisamente neste ponto que Governo e FEMATRO procuraram encontrar um entendimento: evitar que o peso imediato dos custos adicionais recaia sobre os utentes, sem ignorar as dificuldades financeiras dos transportadores.

Compensações entre 25 mil e 90 mil meticais

O mecanismo acordado prevê pagamentos diferenciados, entre 25 mil e 90 mil meticais, de acordo com o tipo e a categoria das viaturas.

A diferenciação significa que os operadores não receberão necessariamente o mesmo valor, uma vez que o montante dependerá das características dos veículos abrangidos pelo mecanismo.

A medida terá uma duração inicial de três meses, período durante o qual o Governo e a FEMATRO deverão acompanhar a sua implementação, avaliar os resultados e discutir as condições necessárias para garantir a continuidade dos serviços de transporte público.

Contudo, ainda será importante conhecer os critérios concretos de atribuição dos valores, o universo de viaturas abrangidas, os procedimentos de pagamento e os mecanismos de fiscalização da utilização dos fundos.

O desafio começa agora: manter os preços sem comprometer o transporte

O acordo representa um alívio imediato para os passageiros, mas não elimina os problemas estruturais que afectam o sector dos transportes rodoviários.

A questão central será perceber se as compensações anunciadas serão suficientes para responder à pressão dos custos operacionais e garantir que os operadores continuem a prestar serviços regulares, sem recorrer a práticas como o encurtamento de rotas, redução de viagens ou cobranças indevidas.

Para os passageiros, a expectativa é que o entendimento se traduza numa manutenção efectiva das tarifas, melhor disponibilidade de viaturas e maior previsibilidade nas deslocações diárias.

Para os transportadores, o desafio será assegurar a continuidade da actividade com os custos que enfrentam, enquanto decorre o período de compensação.

Ao estabelecer um horizonte inicial de três meses, o acordo coloca também uma questão importante para o futuro: o que acontecerá quando terminar o mecanismo extraordinário?

A resposta dependerá da avaliação conjunta entre o Governo e a FEMATRO, bem como das condições económicas do sector.

Por enquanto, uma certeza foi anunciada: a partir de 7 de Novembro, não haverá o agravamento tarifário que estava previsto. O impacto real do acordo, porém, será medido não apenas pelos valores anunciados, mas pela capacidade de manter os transportes acessíveis e em funcionamento para a população.

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