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Do cativeiro à Presidência: Daniel Chapo transforma história pessoal em mensagem de esperança para a juventude

CHIMOIO, 24 de Agosto de 2026 — Antes de chegar à Presidência da República, Daniel Francisco Chapo passou por uma infância marcada pela guerra, pelo cativeiro, pela fome e pelas privações. Quatro décadas depois, é precisamente essa parte difícil da sua história que o Chefe do Estado apresenta como uma mensagem de esperança para os jovens moçambicanos.

A história foi revisitada esta segunda-feira, em Chimoio, província de Manica, durante o encontro literário “O Autor e os Leitores – uma conversa sobre a obra ‘Do Cativeiro à Presidência da República’”, livro autobiográfico lançado a 16 de Janeiro deste ano.

Mais do que falar de política, Chapo procurou explicar aos leitores por que decidiu transformar a própria experiência de vida em livro. Segundo o Presidente, a obra não pretende reconstituir detalhadamente a sua trajectória política, mas revelar dimensões pessoais da sua vida, desde a infância até às experiências académicas, profissionais e políticas.

E foi na infância que surgiu um dos episódios mais duros.

Quatro anos no cativeiro

Em 1983, durante a guerra, Chapo relatou ter sido raptado com a família em Inhaminga. A família permaneceu em cativeiro durante quatro anos, até conseguir fugir para Dondo, em 1987.

Foram anos que, segundo o próprio, ficaram marcados pela fome, doenças, privações e deslocações constantes.

A experiência deixou marcas profundas na sua percepção sobre liberdade e dignidade humana.

Para o Presidente, uma criança não deveria conhecer o cativeiro e nenhuma sociedade deveria aceitar que seres humanos sejam privados da liberdade.

“O Homem é para viver livre”, afirmou Chapo, ao recordar aquele período.

Mas é justamente a partir dessa experiência que o Presidente constrói a principal mensagem que pretende transmitir à juventude.

O passado não determina o futuro

Depois do cativeiro, Chapo encontrou no desporto, no teatro e na educação instrumentos para reconstruir a sua vida.

O basquetebol, as artes cénicas, a escola e, posteriormente, o jornalismo foram apresentados como caminhos que lhe permitiram ultrapassar traumas e abrir novos horizontes.

É essa trajectória que, segundo o Chefe do Estado, dá sentido à autobiografia.

A mensagem dirigida aos jovens é que o lugar onde uma pessoa nasce, as condições em que cresce ou as dificuldades que enfrenta não devem ser encarados como uma sentença sobre o seu futuro.

Chapo considera, por isso, que a obra é sobretudo um livro de motivação e superação.

Da universidade à governação

Durante o encontro com os leitores, o Presidente também revisitou diferentes fases da sua vida, incluindo a passagem pela Universidade Eduardo Mondlane, pela Televisão Miramar e pelo exercício de funções como conservador, administrador distrital e governador.

Dessas experiências, destacou valores como honestidade, humildade, confiança na juventude e a necessidade de ouvir as comunidades.

A experiência de governação, segundo Chapo, ensinou-lhe ainda que o contacto directo com as populações é uma fonte essencial de aprendizagem.

Um livro para os jovens — e um recado aos líderes

Ao terminar a conversa, Daniel Chapo apresentou a autobiografia como uma contribuição para inspirar os moçambicanos a enfrentar as adversidades com coragem, fé e determinação.

O livro, dedicado, entre outros, à sua esposa e à sua mãe, pretende assumir uma dimensão que vai além da memória pessoal do Presidente.

Para a juventude, a mensagem é de que nenhum passado deve ser encarado como condenação definitiva.

Para os líderes, Chapo deixa outra reflexão: o poder deve continuar ligado às pessoas e à capacidade de ouvir as comunidades.

E, para a sociedade em geral, a autobiografia é apresentada como um apelo à esperança e à superação.

“Nenhum passado nos condena.”

É com esta ideia que Daniel Chapo procura transformar uma infância marcada pelo cativeiro numa narrativa sobre liberdade, fé, educação e possibilidade de mudança — fazendo da sua própria história uma mensagem dirigida à geração que hoje procura construir o futuro de Moçambique.