Na noite de sexta-feira, o público aplaudiu as suas rimas. A música ecoou, os fãs cantaram em coro e MC Mastoni despediu-se do palco sem saber que aquele seria o último espectáculo da sua vida.
Horas depois, já na madrugada deste sábado, 20 de Julho, o jovem rapper perdeu a vida num trágico acidente de viação, quando regressava de motociclo à cidade da Beira, depois de actuar em Mafambisse, no distrito do Dondo, província de Sofala.
A morte do artista mergulhou o hip-hop moçambicano em profundo luto. Dono de um estilo marcado pela crítica social e pela realidade do país, MC Mastoni era considerado uma das maiores promessas da nova geração do rap nacional.
O reconhecimento chegou com a música “Combustíveis”, tema que denunciava a crise de abastecimento vivida em Moçambique na sequência das tensões no Médio Oriente. A canção transformou-se numa voz de protesto e consolidou o nome do rapper entre os artistas mais atentos aos problemas da sociedade.
Hoje, o silêncio substitui as rimas. Fica um legado construído em pouco tempo, mas suficiente para marcar uma geração de ouvintes que encontrava nas suas letras um retrato das dificuldades e das esperanças do povo moçambicano.
As autoridades policiais já abriram um processo para investigar as circunstâncias do acidente e apurar as causas e eventuais responsabilidades.
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