A Copa do Mundo de 2026 mal abriu as cortinas e já entrou para a história por uma razão pouco habitual: os cartões vermelhos.
O mítico Estádio Azteca, na Cidade do México, palco de momentos eternos do futebol mundial, testemunhou esta quinta-feira um dos arranques mais turbulentos de sempre de um Campeonato do Mundo. Sob arbitragem do brasileiro Wilton Pereira Sampaio, o duelo inaugural entre México e África do Sul terminou com três expulsões directas e um ambiente de tensão raramente visto numa partida de abertura.
O resultado final sorriu aos anfitriões mexicanos, que venceram por 2-0 graças aos golos de Julián Quiñones, aos 8 minutos, e de Raúl Jiménez, aos 66. Porém, o que ficará gravado na memória colectiva não serão apenas os golos, mas a inédita sequência de cartões vermelhos que transformou o espectáculo numa verdadeira batalha disciplinar.
Três Expulsões em Apenas 41 Minutos
O primeiro momento de ruptura surgiu aos 49 minutos, quando Sphephelo Sithole recebeu cartão vermelho directo por impedir uma clara oportunidade de golo.
A situação da África do Sul agravou-se aos 83 minutos. Após revisão do VAR, Wilton Sampaio expulsou Themba Zwane por conduta violenta, deixando os Bafana Bafana reduzidos a nove jogadores.
Quando tudo indicava que o jogo terminaria com a vantagem disciplinar mexicana, surgiu mais um episódio inesperado. Aos 90+1 minutos, César Montes entrou de forma dura sobre um adversário e recebeu igualmente ordem de expulsão.
O árbitro brasileiro mostrou três cartões vermelhos directos numa única partida, um número extraordinário para qualquer jogo de Mundial, ainda mais tratando-se da partida de abertura.
Já Aconteceu Antes?
A história dos Mundiais regista jogos violentos, polémicas memoráveis e expulsões marcantes. Contudo, os especialistas e bases estatísticas consultadas não apontam para outro encontro inaugural com três cartões vermelhos directos.
O primeiro cartão vermelho da história dos Campeonatos do Mundo surgiu apenas em 1974, quando o chileno Carlos Caszely foi expulso diante da então Alemanha Ocidental. Desde então, dezenas de jogadores viram o vermelho em fases finais, mas as partidas inaugurais sempre foram caracterizadas por maior prudência táctica e disciplina.
Por isso, o México–África do Sul de 2026 poderá entrar oficialmente para os livros como o jogo de abertura mais disciplinarmente caótico da história dos Mundiais.
Wilton Sampaio no Centro das Atenções
No meio do espectáculo esteve o árbitro brasileiro Wilton Pereira Sampaio.
Conhecido por não hesitar em aplicar as Leis do Jogo quando considera necessário, o juiz sul-americano tornou-se uma das figuras mais comentadas das primeiras horas do Mundial.
Nas redes sociais, adeptos dividiram-se entre elogios à firmeza disciplinar do árbitro e críticas ao excesso de cartões num encontro que deveria simbolizar a festa do futebol.
Um Mundial Que Já Nasce Diferente
O Mundial de 2026 já era histórico por ser o primeiro com 48 selecções e o primeiro organizado conjuntamente por três países: México, Estados Unidos e Canadá.
Agora, ganhou mais um capítulo curioso.
Em vez de ser lembrado apenas pelos golos de Quiñones e Jiménez, o jogo inaugural poderá ficar eternizado como o dia em que a Copa do Mundo começou com uma autêntica tempestade de cartões vermelhos.
E se o primeiro jogo já produziu três expulsões, o futebol mundial fica a perguntar: o que mais estará reservado para este Mundial?







