A empresa, uma joint venture da operadora global de investimentos Digital Realty e da gestora Brookfield Infrastructure, deve investir US$ 1,2 bilhão (R$ 6 bilhões), com caixa próprio e capital de seus controladores. O CEO da Ascenty, Chris Torto, diz que os clientes do futuro data center devem colocar mais R$ 24 bilhões em supercomputadores.
A nova unidade da Ascenty ficará em Sumaré (SP), na região metropolitana de Campinas, assim como um dos recém-construídos complexos de IA da Microsoft.
Imagem renderizada de projeto de data center voltado à inteligência artificial da Ascenty em Sumaré
–
Divulgação/Ascenty
Embora o projeto do novo data center inclua refrigeração a água, a empresa planeja usar um sistema mais recente de resfriamento fechado, com redução drástica no uso de água, diz Torto. Os sistemas por evaporação, como o que a Microsoft adota em seus data centers internos, gastam até 70 vezes mais água.
Se, por um lado, Torto diz que é inviável ter complexos de IA sem refrigeração à água devido à maior potência das máquinas, por outro, afirma que a redução dos impactos ambientais é uma estratégia para atrair mais investidores.
A demanda energética justifica a mudança: enquanto um rack (armário de computadores interligados) convencional consome 8 kW (equivalente a dois chuveiros Lorenzetti), em um complexo de IA o intervalo salta para entre 60 kW e 1.000 kW.
A potência máxima equivale a 250 duchas elétricas simples ligadas simultaneamente. Com tanto calor dissipado, um sistema de refrigeração a ar teria que fazer tanta força que derrubaria as máquinas. A tecnologia que permite o funcionamento dessas máquinas é o resfriamento direto no chip com microtubos, chamado de “liquid cooling”.
Como um data center reúne vários racks em várias salas chamadas de data halls, a unidade deve começar a operar no quarto trimestre de 2026 com uma capacidade instalada de 60 MW (megawatts ou 1.000 kW). O projeto indica capacidade de expansão para até 160 MW.
A Ascenty anuncia a unidade como o primeiro data center exclusivamente dedicado à IA, uma vez que a unidade em Sumaré da Microsoft e o complexo do TikTok no Ceará terão outros usos. “Todos os data halls serão para inteligência artificial”, diz o comunicado.
Folha Mercado
Receba no seu email o que de mais importante acontece na economia; aberta para não assinantes.
Entre os principais clientes globais da Ascenty, estão Microsoft e Oracle. Esta última empresa anunciou um investimento de US$ 50 bilhões (R$ 250 bilhões) em novos data centers em parceria com a criadora do ChatGPT, OpenAI, sem indicar o destino dos recursos.
Ao mesmo tempo, reforçou sua atuação no Brasil com uma nova região de computação de nuvem em Vinhedo, onde a Ascenty também gerencia um complexo.
A Microsoft tem mantido a construção de sua infraestrutura de IA internamente, e a Ascenty não respondeu se a Oracle será sua principal cliente, dizendo que não divulga essa informação por questão contratual.
Torto diz que os investidores de IA “são as poucas mesmas empresas de sempre”. A Oracle disse que não comentaria porque está em período de silêncio imposto por sua atuação na Bolsa de Nova York.
Segundo Torto, a montagem do complexo deve recorrer ao mecanismo de isenção de impostos de importação para produtos não vendidos no Brasil, ex-tarifário, para trazer os chips mais recentes da Nvidia.
Essa, diz ele, foi a forma que as empresas encontraram para viabilizar os negócios sem a aprovação do Redata, regime especial para o setor que prevê a isenção de impostos federais. O projeto, hoje, precisa passar pelo Senado, junto de uma alteração na lei orçamentária anual.
“Nosso anúncio é um sinal de que o Brasil vai atrair negócios com ou sem o Redata, por conta das vantagens. A energia aqui é limpa e custa um terço do preço —o único problema são os impostos. Mas, se aprovássemos o Redata, o negócio iria explodir”, afirmou.