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Sindicatos da Samsung aprovam acordo com bônus de até R$ 2 milhões, mas enfrentam racha


Os trabalhadores sindicalizados da Samsung aprovaram um polêmico acordo sobre o pagamento de bônus que evita uma greve em grande escala, mas também agrava as profundas disparidades de renda entre os funcionários do conglomerado de tecnologia.

Dois sindicatos da maior fabricante de chips de memória do mundo disseram nesta quarta-feira (27) que 74% dos 62,6 mil trabalhadores que votaram apoiaram o acordo. O bônus pode chegar a US$ 416 mil (R$ 2,1 bilhões) este ano para alguns funcionários.

Diretor da Samsung e presidente de sindicato de trabalhadores celebram acordo para evitar greve na empresa

Yonhap – 20.mai.26/Reuters

O acordo mediado pelo governo, alcançado após uma acirrada disputa de cinco meses, provocou tanto um grande alívio quanto preocupação em toda a Coreia do Sul.

Por um lado, a Samsung é responsável por cerca de um quarto das exportações do país e, se o acordo não tivesse sido ratificado, uma greve de 18 dias envolvendo 48 mil trabalhadores teria sido iniciada, prejudicando a economia e afetando o abastecimento global de chips.

Ao mesmo tempo, esse acordo representa apenas a segunda vez que uma grande empresa sul-coreana se compromete por escrito a recompensar alguns funcionários com uma porcentagem fixa do lucro operacional —contrariando a prática habitual, que exige que os bônus sejam calculados após o pagamento dos impostos corporativos.

No caso da Samsung, 10,5% do seu lucro operacional de semicondutores será destinado a bônus especiais para os funcionários que trabalham com chips.

A empresa divulgou que obteve lucro operacional recorde no primeiro trimestre deste anocom 57,2 trilhões de won (R$ 192,1 bilhões) entre janeiro e março, sendo que cerca de 94% (53,7 trilhões de won ou R$ 180,4 bilhões) veio da divisão de chips. Em 2025, no mesmo período, a Samsung havia obtido no setor um lucro de 1,1 trilhão de won (R$ 3,7 bilhões).

A resolução da Samsung despertou a preocupação do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, de grupos empresariais e acadêmicos. A principal preocupação é que alguns sindicatos que estão fazendo exigências semelhantes endurecerão suas posições e outros poderão seguir o exemplo.

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Um grupo de acionistas, composto por pessoas físicas, ameaçou entrar com uma ação judicial. Entre seus argumentos, eles alegam que tal acordo é ilegal, pois não foi aprovado em assembleia geral de acionistas.

“O acordo reduz o valor disponível para distribuição aos acionistas e ‘pode levantar escrutínio legal nos termos da lei comercial no que diz respeito ao dever fiduciário para com os acionistas'”, disse Seo Ji-yong, professor de administração de empresas da Universidade Sangmyung.

TEMOR POR ONDA DE DESCONTENTAMENTO

Espera-se que a administração da Samsung tenha muito trabalho para lidar com o descontentamento que o acordo semeou.

“Encontrar maneiras de superar as divisões internas de trabalho será a maior tarefa da Samsung”, disse o professor de direito da Universidade da Coreia, Park Ji-soon.

Fechado sob forte pressão para diminuir a diferença em relação aos bônus astronômicos da rival SK Hynixo acordo beneficia principalmente os funcionários da divisão de chips de memória da Samsung, cujos lucros dispararam devido aos colossais investimentos em IA em todo o mundo. Alguns desses funcionários devem receber bônus de cerca de US$ 416 mil (R$ 2,1 bilhões) este ano.

Os trabalhadores das outras unidades de chips da Samsung receberão um bônus menor, mas ainda substancial, enquanto os funcionários das divisões de eletrônicos de consumo receberão muito pouco em comparação. Um dos sindicatos que representa os trabalhadores questionou o acordo e anunciou voto contrário.

Também não se sabe se um tribunal concederá ao sindicato da Samsung que representa os trabalhadores do setor de eletrônicos de consumo, seu pedido para bloquear a votação. Eles foram excluídos da votação depois que seu sindicato deixou a equipe de negociação devido a desentendimentos.

Isso possivelmente levaria a uma nova votação, embora o acordo pareça ter muito mais apoiadores do que detratores.

As ações da Samsung fecharam com alta de 3% e acumularam um aumento de 11% desde que o acordo salarial foi fechado na semana passada.

Esse desempenho, no entanto, ainda fica aquém do ganho impressionante de 29% registrado no mesmo período pela SK Hynix, que, beneficiando-se do entusiasmo dos investidores em torno da IA, juntou-se à Samsung e à Micron na quarta-feira, atingindo um valor de mercado superior a US$ 1 trilhão.

Naldo Agostinho

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