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Crise de combustível regressa a Nampula e deixa consumidores em apuros

A cidade de Nampula voltou a enfrentar escassez de combustível, apenas três semanas depois de um período de relativa estabilidade.

A falta de gasolina está a provocar longas filas nos poucos postos de abastecimento que ainda dispõem do produto, afectando automobilistas, motociclistas e transportadores.

Longas filas e negócios improvisados

O cenário na cidade é marcado por extensas filas de viaturas e motorizadas sempre que um posto de abastecimento recebe combustível.

Numa das bombas localizadas no centro da cidade, a fila terá atingido uma extensão de cerca de 1.000 metros, segundo informações avançadas na reportagem.

A escassez também está a criar situações pouco habituais nas ruas de Nampula.

Carla Afonso, vendedora e entregadora de produtos hortícolas, ficou sem gasolina quando circulava pela Avenida Eduardo Mondlane, nas proximidades de um posto de abastecimento.

Sem conseguir prosseguir viagem, retirou as hortaliças que transportava e aproveitou a concentração de automobilistas para vender alfaces aos consumidores que aguardavam pelo abastecimento.

O episódio ilustra os efeitos da crise sobre pequenos comerciantes, que dependem da disponibilidade de combustível para transportar mercadorias e garantir a sua actividade diária.

Falta de combustível preocupa distritos

A situação na cidade de Nampula também levanta preocupações sobre o abastecimento nos distritos mais afastados da capital provincial.

Quito António, professor oriundo do distrito de Lalaua, encontra-se actualmente em Nampula durante o período de férias.

O docente descreveu como preocupante a situação no seu distrito de origem, onde, segundo afirmou, as condições das vias de acesso são bastante degradadas.

De acordo com Quito António, Lalaua estará actualmente acessível, em determinadas circunstâncias, sobretudo através de motorizadas.

Perante a escassez registada na cidade de Nampula, o professor manifestou preocupação com a situação nos distritos, onde as dificuldades de abastecimento poderão ser ainda maiores.

Taxistas enfrentam dificuldades

Os operadores de táxi-mota, localmente conhecidos como taxicadas, afirmam que a escassez voltou a afectar seriamente a sua actividade.

Segundo os transportadores ouvidos pela reportagem, a única semana em que houve maior estabilidade no abastecimento foi a semana de 22 de Agosto.

Depois desse período, relatam, as dificuldades voltaram a intensificar-se, com longas filas e menor disponibilidade de gasolina.

A falta de combustível reduz directamente o número de viagens realizadas pelos taxistas e aumenta os custos da actividade, afectando também os passageiros que dependem deste meio de transporte.

Retirada dos vendedores informais deixa debate

A actual crise reacendeu ainda o debate sobre a retirada dos vendedores informais de combustível das ruas.

Alguns operadores afirmam sentir falta destes revendedores, que anteriormente comercializavam combustível em recipientes ao longo das vias públicas.

Contudo, os próprios transportadores reconhecem que a venda informal representava riscos de segurança e que a sua retirada das ruas era necessária.

O problema agora colocado é a capacidade de resposta do sistema formal de abastecimento perante a procura existente.

Enquanto consumidores permanecem longos períodos nas filas, transportadores e pequenos comerciantes enfrentam dificuldades para manter as suas actividades, aumentando a pressão sobre a economia local.

Fonte: Reportagem emitida pelo canal de televisão MIRAMAR.