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Centro Nacional de Biotecnologia defende inovação agrícola como pilar da soberania e combate às mudanças climáticas em Moçambique

A preservação da soberania nacional, através da gestão dos recursos biológicos, e a adoção de tecnologias de adaptação às mudanças climáticas constituem prioridades estratégicas para o desenvolvimento económico de Moçambique. A garantia foi avançada no âmbito dos debates sobre biossegurança e modernização agrária, nos quais a investigação científica foi apontada como o caminho decisivo para assegurar a produtividade do sector agrícola e proteger o país contra a fome.

​A variabilidade do clima, caracterizada pela alteração dos padrões de chuva e pelo aumento das temperaturas, continua a afetar diretamente a capacidade produtiva das comunidades rurais. Para mitigar estes impactos, peritos defendem que a aplicação da biotecnologia na produção agrícola de base é essencial para garantir a segurança alimentar.

​Biossegurança como pilar de soberania


​A proteção da biodiversidade e o controlo sobre os recursos biológicos nacionais foram destacados como elementos centrais para a estabilidade económica e social do país.

​Segundo o Prof. Dr. Valter Noaile, Diretor do Centro Nacional de Biotecnologia e Biociências, a discussão em torno da biossegurança deve envolver sinergias entre peritos nacionais e internacionais para garantir a melhor tomada de decisão estratégica.

​”A biossegurança é uma questão de soberania. Todos os aspetos que têm a ver com a segurança através dos recursos biológicos são sempre uma matéria importante para discutir, principalmente quando podemos juntar no mesmo espaço diferentes intervenientes de nível nacional e especialistas do continente que trazem outras realidades para confrontarmos e encontrarmos as melhores soluções”, afirmou o Prof. Dr. Valter Noaile, Diretor do Centro Nacional de Biotecnologia e Biociências.

​Inovação agrária para enfrentar as crises climáticas


​Diante das frequentes adversidades meteorológicas que afetam os solos e os ciclos de cultivo em Moçambique, a tecnologia surge como a principal ferramenta para evitar a perda da capacidade de produção alimentar.

​O Prof. Dr. Valter Noaile explicou a importância de adotar soluções tecnológicas para assegurar a produtividade em períodos de incerteza:

​”Em épocas de crise, a melhor solução para aumentar a eficiência e melhorar os nossos processos é com tecnologia. Na agricultura em particular, estamos a falar de culturas que crescem num contexto de biodiversidade afetado pela mudança de temperatura e do padrão de chuvas. Temos de estar atentos a essas mudanças para trazer a tecnologia que melhor nos ajude a não perder a capacidade de produzir, porque se perdermos essa capacidade, colocamos em risco a nossa soberania e enfrentamos a fome”, sublinhou o Prof. Dr. Valter Noaile.

​Envolvimento comunitário e exportação de excedentes


​O impacto económico das novas tecnologias agrícolas depende da sua aceitação pelas populações rurais. A introdução de sementes melhoradas permite aumentar o rendimento por hectare, garantindo o consumo familiar e gerando excedentes comerciais que impulsionam a economia local e as exportações do país.

​”A agricultura começa na semente. Se conseguirmos trazer as tecnologias adequadas para a riqueza e diversidade que o país tem, vamos beneficiar as comunidades, que vão produzir mais. Ao produzirem mais, resolvem o problema da sua alimentação e geram um excedente que permite vender e contribuir para a capacidade de exportação do país. Um país que exporta alcança rapidamente a independência económica”, concluiu o Prof. Dr. Valter Noaile, Diretor do Centro Nacional de Biotecnologia e Biociências.

​O especialista reforçou que este processo de transição tecnológica deve ser participativo, evitando modelos impostos do topo para a base, de modo a garantir que os pequenos agricultores compreendam o valor económico e produtivo das inovações introduzidas no campo.