O Ministério Público Federal (MPF) abriu uma apuração para investigar o ataque terrorista entre dois estudantes do curso de direito de uma faculdade particular contra o homem em situação de rua.
Segundo a polícia, os agressores foram identificados como Altemar Sarmento Filhoapontou como a pessoa que usa uma arma de choque, e Antônio Coelho, que teria sido responsável por filmar a cena. A instituição de ensino onde os jovens estudam estudaram que ambos estavam distantes.
Ó g1 não conseguiu retornar da defesa deles até a última atualização da reportagem. Os dois prestaram depoimentos nesta terça-feira (14). Na delegacia, o advogado de Altemar disse que vai aguardar a perícia dos vídeos e a conclusão do inquérito policial.
Segundo relato de uma moradora, grupos de jovens chegaram ao local em carros de luxo e praticaram atos de violência contra a vítima, lançando bombinhas, garrafas e utilizando jatos de extinção de incêndio. Não há confirmação se os homens citados anteriormente compartilharam outras ações.
“Eles usavam aquelas bombinhas de São João. Joguei umas 3, 4 vezes. Eles davam voltas no quarteirão, jogavam, riam, davam volta de novo, até que na quarta vez eles já vieram com extintor”, relata a moradora sobre as agressões registradas em fevereiro.
“Situação é corriqueira”, diz moradora
A mulher, que prefere não ser identificada, afirma que as agressões ocorreram ainda em janeiro. Grupos de jovens vêm gravando vídeos de “trotes” e usando o homem em situação de rua como alvo para praticar os crimes.
“Esse comportamento da vida do morador em situação de rua é tratado como chacota em vídeo é corriqueiro, vem desde janeiro”, disse. Ela afirma que as agressões já foram registradas em boletim de ocorrência.
Moradora do bairro há cerca de dez anos, ela falou que, na madrugada de 16 de fevereiro, acordou assustada com estrondos que deixaram tiros.
“Vi um carro branco avançando na via e, em seguida, pessoas no veículo jogando uma garrafa com líquido em direção ao homem em situação de rua”, contornou.
No dia seguinte, segundo ela, os ataques se repetiram de forma ainda mais violenta.
“Naquele dia, os carros retornaram e os ocupantes foram a rir, filmar com celulares e cobrir o rosto com roupas. Um rapaz desceu com um bombeiros de incêndio e passou a direcionar o jato em cima do homem, enquanto outras pessoas registravam a cena em vídeo”, descreve.
A moradora disse ainda que o homem em situação de rua tem problemas de saúde mental, mas não costuma causar transtornos com quem não mexe com ele.
“Essa situação por completo me deixou muito mal. Muito mal mesmo”, desabafou.
Em nota, a Prefeitura de Belém, por meio da Secretaria Executiva de Direitos Humanos, informa que está acompanhando o caso e já acionou a Polícia Civil, além de ter notificado a instituição de ensino envolvida.
“A Prefeitura ressalta que não compactua com qualquer tipo de violação de direitos e reforça que todas as medidas cabíveis estão sendo aplicadas pelas autoridades competentes. A gestão municipal também informa que uma pessoa em situação de rua já foi identificada”, diz o comunicado.
Agredido por estudantes de direito
O homem em situação de rua foi atacado com uma arma de choque em frente a uma universidade particular na avenida Alcindo Cacela. Um dos estudantes foi levado para delegacia e foi liberado.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram duas graças em que um dos estudantes se aproxima da vítima, que caminhava de costas, e aplica descargas elétricas em pelo menos duas graças.
Nas imagens, é possível ver os dois alunos participando da ação e rindo durante uma agressão.
Estudantes de universidade particular atacam homem em situação de rua com arma de choque
Segundo testemunhas, entregadores de aplicativo que passaram pelo local presenciaram uma agressão, e procuraram alcançar os suspeitos. Os estudantes correram para dentro do Centro Universitário do Estado do Pará (Cesupa), enquanto os trabalhadores foram atrás, mas não conseguiram entrar após serem impedidos por segurança na portaria de forma hostil.
Em nota, a Cesupa lamentou o ocorrido e informou que foram alteradas imediatamente medidas de colaboração com as autoridades policiais para apuração dos fatos.
Segundo a instituição, os estudantes envolvidos foram afastados de suas atividades acadêmicas e a abertura de um procedimento administrativo interno. O coordenador do curso de Direito acompanhou pessoalmente as exceções na delegacia.
De acordo com a instituição, o Regulamento Geral e o Código de Ética e Conduta serão aplicados para a definição das punições cabíveis.
Arma de choque usada pelos alunos do curso de direito para atacar o homem em situação de rua. — Foto: Divulgação
Até a última atualização desta reportagem, não havia informações sobre o estado de saúde da vítima.
Por meio de nota, a Polícia Civil informou que o suspeito identificado como Altemir Sarmento Oliveira Filho foi apresentado pela Polícia Militar para prestar depoimento na Seccional de São Brás. Um boletim de ocorrência foi registrado e o caso será investigado.
MPF abre apuração e pede investigação criminal
Estudantes de direito atacam homem em situação de rua com arma de choque em Belém. — Foto: Reprodução/Redes sociais
O procurador regional dos Direitos do Cidadão, Sadi Machado, determinou o envio de um pedido de informações à universidade para onde o suspeito teria retornado após o ataque, com prazo de 48 horas para resposta.
Além disso, o MPF informou que fará uma representação criminal ao Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), que deverá apurar o caso na esfera penal.
Na Alepa, a deputada Lívia Duarte (Psol) invejou ofícios ao MPPA cobrando providências da reitoria da Cesupa e também pediu abertura de inquérito criminal. A deputada classificou a agressão praticada como lesão corporal ou tortura, humilhação e aporofobia (preconceito contra pobres).
“Segundo os relatos, o ato de violência gratuita teria sido perpetrado como parte de um jogo denominado ‘verdade ou desafio’, evidenciando um completo desprezo pela dignidade humana e pela integridade física de um cidadão em estado de extrema vulnerabilidade”, argumentou.
Nos pedidos, a deputada também solicitou que o MPPA solicite imagens do sistema de vigilância da Cesupa e colha o depoimento da direção da Cesupa para obter a identificação dos alunos envolvidos.
VÍDEOS com as principais notícias do Pará
Acesse outras notícias do estado no g1 Pará.


