Chapo defende união africana para proteger recursos estratégicos e combater terrorismo
Presidente moçambicano aponta Cabo Delgado como exemplo dos desafios de segurança associados à exploração de recursos naturais e defende reformas no Conselho de Segurança das Nações Unidas para garantir representação permanente de África e direito de veto.
BAHIR DAR, ETIÓPIA — 24 DE OUTUBRO DE 2026 — O Presidente da República de Moçambique, Daniel Francisco Chapo, defendeu o reforço da união entre os países africanos para proteger os recursos estratégicos do continente, combater o terrorismo e aumentar a participação de África nas decisões internacionais sobre segurança e economia.
A posição foi apresentada este sábado, durante o 12.º Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África, que decorre de 23 a 25 de Outubro, na cidade de Bahir Dar, na Etiópia, sob o lema “Caminhos para a Paz em África: Soberania Económica e Transformação Geopolítica”.
Ao intervir no painel de alto nível subordinado ao tema “Das Margens para o Centro: Construindo um Modelo Africano para a Paz e Soberania numa Era de Rivalidade Geopolítica”, Daniel Chapo relacionou a disputa internacional por minerais estratégicos, gás e petróleo com os desafios de segurança enfrentados pelos países africanos.
O Chefe do Estado destacou a experiência de Moçambique, particularmente na província de Cabo Delgado, onde a descoberta de reservas de gás foi seguida pelo surgimento do terrorismo, defendendo uma resposta conjunta dos países africanos para proteger os recursos naturais e reforçar a soberania do continente.
“Portanto, é coincidência demais que onde há descoberta de recursos, também apareceu o terrorismo. E, como dizia aqui uma colega, o segredo é nós nos unirmos para defendermos os nossos recursos”, afirmou Daniel Chapo.
A declaração coloca a protecção dos recursos estratégicos no centro do debate sobre segurança africana, num contexto de crescente competição internacional pelo acesso a matérias-primas essenciais à economia mundial e à transição energética.
Chapo relaciona recursos naturais com desafios de segurança em Cabo Delgado

Na sua intervenção, o Presidente moçambicano apontou Cabo Delgado como exemplo dos desafios que o continente enfrenta na relação entre recursos naturais, segurança e desenvolvimento.
A província, no norte de Moçambique, possui importantes reservas de gás natural e tem sido afectada por ataques terroristas que provocaram deslocações de populações e necessidades de assistência humanitária.
Segundo a nota informativa da Presidência da República, Daniel Chapo considerou necessário reforçar a cooperação africana para proteger os recursos estratégicos e responder aos conflitos que afectam diferentes regiões do continente.
A abordagem defendida pelo Chefe do Estado assenta na ideia de que os países africanos devem fortalecer a capacidade de resposta conjunta perante ameaças à segurança, evitando que os desafios internos comprometam o aproveitamento dos recursos naturais para o desenvolvimento económico.
Apesar de relacionar a descoberta de recursos com o surgimento do terrorismo em Cabo Delgado, o Presidente não apresentou, na intervenção reproduzida no documento, provas de uma ligação causal directa entre a exploração do gás e a organização dos ataques terroristas.
Presidente exige representação permanente de África na ONU

Daniel Chapo defendeu igualmente a reforma do Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o objectivo de garantir a África um lugar permanente e o direito de veto.
Para o Presidente da República, a ausência de representação permanente do continente naquele órgão limita a sua participação nas decisões internacionais sobre paz e segurança.
“Porque, enquanto continuarmos a falar de segurança em África ao nível do Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, sem um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, vai ser muito difícil resolver a questão da segurança do continente africano”, declarou.
A posição reflecte a defesa de uma maior participação africana nos mecanismos internacionais de decisão, sobretudo em matérias que afectam directamente a estabilidade política e a segurança dos países do continente.
A reforma do Conselho de Segurança constitui, assim, uma das questões levantadas por Chapo no debate sobre a soberania africana e o papel das instituições multilaterais na prevenção e resolução de conflitos.
SADC, Ruanda e Tanzânia apontados como parceiros no combate ao terrorismo

Ao abordar a cooperação regional, Daniel Chapo destacou a experiência da Missão da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral em Moçambique (SAMIM), a cooperação bilateral com o Ruanda e a presença de forças tanzanianas ao longo da fronteira entre os dois países como exemplos de mecanismos de resposta ao terrorismo.
O Presidente defendeu que o fortalecimento das organizações regionais e continentais é essencial para enfrentar os desafios de segurança e criar soluções ajustadas à realidade africana.
“A nossa experiência e um dos segredos de sucesso para combater o terrorismo em África é a união entre os países africanos, uma união regional da SADC: problemas africanos, soluções africanas, neste caso, uma solução bilateral entre Moçambique e Ruanda”, afirmou.
Além da SADC, o Chefe do Estado apontou a União Africana e a Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) como organizações importantes para o fortalecimento do multilateralismo e da cooperação entre países africanos.
A mensagem central da intervenção foi a necessidade de combinar os esforços nacionais com mecanismos regionais e continentais de segurança, sobretudo perante ameaças que ultrapassam as fronteiras dos Estados.
Ataques esporádicos continuam a provocar deslocações em Cabo Delgado
Apesar dos progressos referidos na recuperação de vilas anteriormente ocupadas por grupos terroristas, Daniel Chapo reconheceu que persistem ataques esporádicos em Cabo Delgado, que continuam a provocar deslocações da população.
O Presidente destacou igualmente a contribuição da Força Local no combate ao terrorismo, em coordenação com as forças moçambicanas e as forças parceiras do Ruanda e da Tanzânia.
Segundo a nota informativa, o Chefe do Estado considera que o principal desafio, nesta fase, consiste em assegurar assistência humanitária às comunidades afectadas, enquanto prosseguem as operações de combate aos grupos terroristas.
A situação evidencia a coexistência de esforços de segurança com necessidades humanitárias, sobretudo para as populações que continuam expostas à violência e à instabilidade.
A assistência às comunidades deslocadas surge, assim, como uma das prioridades destacadas pelo Presidente, a par da continuidade das operações de segurança e do reforço da cooperação regional.
Fórum de Tana debate soberania económica e transformação geopolítica
O 12.º Fórum de Alto Nível de Tana sobre Segurança em África decorre entre 23 e 25 de Outubro, em Bahir Dar, na Etiópia, sob o tema “Caminhos para a Paz em África: Soberania Económica e Transformação Geopolítica”.
O encontro reúne dirigentes e outras figuras políticas africanas para debater questões relacionadas com a paz, a segurança, a soberania económica e o posicionamento do continente num cenário internacional marcado pela rivalidade geopolítica.
O painel em que Daniel Chapo participou contou igualmente com a presença do Presidente da República do Gana, que preside ao Conselho do Fórum de Tana, do Vice-Presidente da República do Quénia e de um antigo Primeiro-Ministro do Burkina Faso.
A participação moçambicana colocou em destaque três questões centrais: a protecção dos recursos estratégicos, a necessidade de maior representação africana nas instituições internacionais e o reforço da cooperação regional para combater o terrorismo.
A mensagem defendida por Chapo é que a paz e a segurança devem caminhar com a soberania económica e com a capacidade dos países africanos de participarem nas decisões que afectam o futuro do continente.
Fonte: Gabinete de Imprensa da Presidência da República de Moçambique, nota informativa de 24 de Outubro de 2026.



