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Felisberto Navalha Toma Posse como Governador do Banco de Moçambique

FELISBERTO NAVALHA ASSUME GOVERNO DO BANCO DE MOÇAMBIQUE COM FOCO NA ESTABILIDADE E NO FINANCIAMENTO DA ECONOMIA

O Banco de Moçambique iniciou um novo ciclo de liderança com a tomada de posse de Felisberto Dinis Navalha como Governador. Com uma carreira de 28 anos no banco central, Navalha assume a instituição num contexto marcado pela necessidade de preservar a estabilidade macroeconómica, ampliar o financiamento à economia e acompanhar a transformação do sistema financeiro.

A Passagem de Testemunho e a Escolha da Prata da Casa

A cerimónia oficial de tomada de posse do novo Governador e Vice-Governador do Banco de Moçambique, realizada em Maputo a 2 de Setembro de 2026, marcou a transição na liderança da instituição e o início de uma nova etapa na condução do banco central. Felisberto Dinis Navalha chega ao cargo depois de 28 anos de experiência profissional no Banco de Moçambique, onde desempenhou diversas funções técnicas e de gestão sénior.

Ao longo da sua carreira, Navalha exerceu funções de Diretor de Estudos Económicos e Estatísticas, Administrador e Membro do Conselho de Administração. Foi também consultor na Autoridade Tributária e docente na Faculdade de Economia da Universidade Eduardo Mondlane. A sua nomeação coloca à frente do banco central um quadro com conhecimento acumulado sobre a política monetária, o sistema financeiro e a dinâmica da economia nacional.

A mudança encerra um ciclo de dez anos sob a liderança do Doutor Rogério Zandamela, período durante o qual o Banco de Moçambique enfrentou um conjunto significativo de choques económicos internos e externos.

Durante esse período, o país atravessou fortes pressões cambiais e inflacionárias em 2016, os efeitos dos ciclones Idai, Kenneth e Freddy, a pandemia da COVID-19, a ruptura das cadeias de abastecimento e as consequências económicas dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente, num contexto igualmente marcado pela escassez mundial de combustíveis.

“O País e o Banco de Moçambique foram confrontados com sucessivos choques, mas graças à liderança do Doutor Rogério Zandamela, conseguimos suportar essas todas adversidades, internas e externas”, sublinhou o Presidente Daniel Chapo.

O Grande Desafio: Equilibrar Estabilidade com Crescimento

A nova liderança do Banco de Moçambique inicia funções num contexto em que a estabilidade financeira terá de coexistir com a necessidade de acelerar o crescimento e a transformação da economia.

A preocupação central está relacionada com uma economia que ainda produz abaixo das suas potencialidades, apresenta uma base de exportações pouco diversificada e permanece exposta a choques externos. O desafio passa, por isso, por preservar a estabilidade macroeconómica enquanto se criam condições para aumentar a produção, o investimento e a capacidade competitiva do país.

“O desafio não é escolher entre estabilidade e crescimento. O desafio é contribuir, no quadro das atribuições do Banco de Moçambique, para que a estabilidade seja uma plataforma sólida para o investimento interno e externo, para a produção e para um crescimento económico sustentável e inclusivo”, argumentou o Chefe de Estado.

Neste contexto, a estabilidade de preços mantém-se como uma das principais responsabilidades do banco central. Uma inflação baixa e estável protege o poder de compra, particularmente das famílias de baixos rendimentos, e cria melhores condições para a actividade económica e para o investimento.

A política monetária terá, contudo, de acompanhar uma economia capaz de gerar emprego, investimento e oportunidades, sobretudo para mulheres e jovens, que constituem a maioria da população.

A Independência Económica e os Alicerces do Desenvolvimento

A construção de uma economia com maior capacidade produtiva interna surge como uma das prioridades do novo ciclo económico. A estratégia passa por manter Moçambique aberto ao investimento estrangeiro, à tecnologia, ao comércio e à cooperação internacional, ao mesmo tempo que se procura aumentar a capacidade nacional de produzir, transformar e exportar.

A industrialização e o desenvolvimento de cadeias de valor nacionais constituem uma das frentes dessa transformação. A diversificação da base produtiva, o investimento em infraestruturas e capital humano, a melhoria do ambiente de negócios e o desenvolvimento da economia azul e digital integram igualmente esse processo.

A agricultura assume uma posição central, sendo apontada como uma das áreas que requer uma nova arquitectura de financiamento capaz de aumentar a produção e estimular o desenvolvimento das cadeias de valor.

“Estamos, portanto, a colocar, pedra sobre pedra, os alicerces da Independência Económica”, vincou o Chefe de Estado, reforçando que nenhuma transformação económica sustentável será possível sem estabilidade macroeconómica e financeira.

O Alerta ao Endividamento Interno e a Coordenação Interinstitucional

O crescimento da dívida pública interna constitui uma das questões que merecem maior atenção no novo ciclo. Embora o financiamento do Estado através do mercado doméstico seja um instrumento legítimo, a sua utilização crescente pode exercer pressão sobre as taxas de juro, reduzir a liquidez disponível e limitar os recursos destinados ao financiamento da economia produtiva.

Perante este cenário, o Presidente defendeu maior eficiência na gestão dos recursos públicos e uma avaliação mais rigorosa das necessidades de financiamento do Estado.

“Antes de discutirmos quanto o Estado precisa de se endividar, precisamos de saber quanto dinheiro público temos, onde se encontra, quando será necessário e como ser utilizado de forma mais eficiente e responsável”, afirmou.

O Governo, em particular o Ministério das Finanças, deverá trabalhar em maior articulação com o banco central e com o sistema financeiro nacional para aperfeiçoar os mecanismos de gestão da liquidez pública, reduzir necessidades desnecessárias de financiamento e conter o custo do endividamento interno.

Para Daniel Chapo, a gestão económica exige diálogo permanente entre as diferentes instituições responsáveis pela política monetária, financeira e fiscal.

“quem dirige a política monetária, quem dirige a política financeira e quem dirige a política fiscal devem, permanentemente, conversar, porque todos nós fazemos parte do mesmo Estado e da mesma economia”, afirmou.

A coordenação institucional deverá, contudo, coexistir com a independência técnica e operacional do Banco de Moçambique, considerada essencial para a credibilidade e transparência da instituição. A articulação com o Governo não deverá significar subordinação da política monetária, tal como a independência do banco central não deverá representar isolamento institucional.

Crédito à Economia, Inovação Tecnológica e Inclusão Rural

O acesso ao crédito pela economia real constitui outro dos desafios colocados à nova liderança do banco central. Embora não seja responsabilidade do Banco de Moçambique determinar as decisões comerciais de concessão de crédito, cabe ao regulador assegurar um sistema financeiro sólido, competitivo, transparente e eficiente.

A capacidade das empresas para financiar máquinas, equipamentos e produção permanece fundamental para acelerar a industrialização e desenvolver cadeias de valor.

“Como podemos acelerar a industrialização, se as nossas empresas não conseguem financiar máquinas e equipamentos, portanto, a sua importação? Como podemos desenvolver cadeias de valor, se o produtor não consegue financiar a produção?”, questionou o Presidente.

As respostas passam por uma maior articulação entre o Governo, a banca comercial, os mercados de capitais e o recém-criado Banco de Desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o sistema financeiro enfrenta uma transformação tecnológica acelerada. A digitalização dos pagamentos, a expansão das fintechs e os desafios relacionados com a cibersegurança exigem capacidade de adaptação por parte do regulador e das instituições financeiras.

A tecnologia deverá ser utilizada para ampliar o acesso aos serviços financeiros e reduzir as barreiras que ainda afastam uma parte significativa da população do sistema financeiro formal.

“O sistema financeiro não pode ser uma realidade apenas dos grandes centros urbanos. Tem de chegar ao produtor rural da economia moçambicana, à pequena empresa, à mulher empreendedora, ao jovem que pretende transformar uma ideia numa empresa”, instou o Chefe de Estado.

Para o Presidente, essa expansão exige que o banco central acompanhe não apenas os principais indicadores macroeconómicos, mas também o comportamento da actividade económica no terreno.

“O Banco de Moçambique deve conhecer não apenas os indicadores macroeconómicos, mas a economia que existe por detrás dos números. Deve dialogar com o Moçambique real e trabalhar com base na economia real”, afirmou.

Mérito Interno e Liderança pelo Exemplo

Ao novo Governador, o Presidente recomendou a valorização dos quadros qualificados do banco, o reforço da formação e capacitação técnica e a consolidação de princípios como mérito, competência, integridade e profissionalismo.

“Preserve aquilo que foi conquistado durante os 10 anos. Corrija aquilo que precisa de ser corrigido. Modernize aquilo que precisa de ser modernizado. E prepare o Banco de Moçambique para servir uma economia que está determinada a transformar-se com as várias reformas que estamos a levar a cabo”, recomendou.

Na nova etapa, a actuação do banco central continuará a ter impacto directo sobre famílias, empresas e trabalhadores, através das decisões relacionadas com taxas de juro, reservas, estabilidade de preços e política monetária.

“nunca perca de vista que, por detrás dos indicadores, das taxas de juro, das reservas e das decisões de política monetária estão famílias, empresas, trabalhadores e aspirações de milhões de moçambicanos”, recordou.