China e Egito: um modelo para o diálogo civilizacional
A visita do presidente chinês Xi Jinping ao Egito ocorre em um momento de intensos conflitos geopolíticos em diversas partes do mundo, particularmente no Oriente Médio. Poucas questões parecem tão urgentes hoje quanto a de como diferentes civilizações podem conviver em paz, em vez de mergulharem em confrontos.
Para interagir com diferentes civilizações, Xi acredita que é preciso ter uma mente mais ampla que o céu.
“Devemos encorajar as diferentes civilizações a respeitarem-se mutuamente e a viverem em harmonia, a transformarem as trocas e a aprendizagem mútua entre civilizações numa ponte que promova a amizade entre os povos de todo o mundo, num motor que impulsione a sociedade humana e num elo que consolide a paz mundial”, disse Xi em 2014 na sede da UNESCO em Paris.
As ideias de Xi também se refletiram no artigo assinado em 2016, no qual ele observou que a civilização chinesa e a civilização árabe-islâmica são grandes civilizações do mundo, cada uma com suas características únicas.
“Valorizamos e aprendemos uns com os outros”, escreveu Xi. “Essa aprendizagem mútua, baseada no respeito mútuo e na humildade, é um ótimo exemplo de intercâmbio entre diferentes civilizações.”

Em 2023, Xi Jinping propôs a Iniciativa Global de Civilizações, que visa aproximar os povos de diferentes países e promover a inclusão e a aprendizagem mútua entre civilizações. A iniciativa obteve amplo reconhecimento no mundo árabe e em outras regiões.
A China e o Egito, ambas civilizações antigas do mundo, são também países importantes do Sul Global que se esforçam para construir um mundo melhor e mais justo para todos. Suas relações florescentes nos últimos anos são um exemplo concreto de como diferentes civilizações podem coexistir e cooperar, preservando suas identidades distintas.
Ahmed Kandil, chefe da Unidade de Relações Internacionais do Centro Al-Ahram de Estudos Políticos e Estratégicos do Egito, afirmou que os dois países desfrutam hoje de uma ampla convergência estratégica em importantes questões internacionais, incluindo a reforma da governança global, o apoio a uma ordem mundial multipolar, o respeito por diferentes caminhos de desenvolvimento e o princípio da não interferência nos assuntos internos de Estados soberanos.
Em maio deste ano, Xi Jinping e o presidente egípcio Abdel-Fattah al-Sisi trocaram felicitações para celebrar o 70º aniversário das relações bilaterais. Em sua mensagem, Xi afirmou que a China e o Egito devem se inspirar na sabedoria e na força da história, abraçar a missão compartilhada de buscar a paz, promover o desenvolvimento, fortalecer a cooperação e defender a justiça, e impulsionar a construção de uma comunidade com um futuro comum para a humanidade.
O ex-primeiro-ministro egípcio Essam Sharaf afirmou que a Iniciativa de Civilização Global, juntamente com uma série de outros bens públicos globais propostos pela China, responde aos desafios da atualidade. Ele destacou a profunda visão de Xi Jinping sobre o cenário global e o futuro da humanidade, consolidando-o como “um verdadeiro pensador”.
Enquanto Xi revisita o Egito para dar novo impulso às relações bilaterais, a amizade entre as duas civilizações antigas irá, como ele mesmo disse certa vez, avançar como o Nilo.