
A época das chuvas em Moçambique já causou a morte de pelo menos 239 pessoas. Quase 870 mil pessoas foram afectadas, segundo dados do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).
Além das mortes, há muitas pessoas feridas e outras que continuam desaparecidas. Milhares de famílias tiveram de abandonar as suas casas por causa das inundações.
Muitas casas, escolas e outros edifícios públicos ficaram destruídos ou cheios de água. As comunidades mais pobres são as que mais sofrem com esta situação, pois têm menos condições para se proteger e recuperar.
- Previsão do tempo: Maputo terá máxima de 31°C e Tete poderá atingir 36°C neste sábadopor Naldo Agostinho
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê uma temperatura máxima de 31 graus Celsius na cidade de Maputo e 36 graus em Tete, neste sábado, 10 de Outubro de 2026. As duas cidades terão condições distintas, com Tete a destacar-se pelo calor mais intenso.
MAPUTO, 9 DE OUTUBRO DE 2026 — A cidade de Maputo deverá registar uma temperatura máxima de 31 graus Celsius e uma mínima de 17 graus, neste sábado, enquanto Tete poderá atingir os 36 graus, segundo a previsão meteorológica do Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).
Os dados colocam Tete entre as cidades mais quentes do País, com uma diferença de cinco graus em relação à capital moçambicana. Em ambas as cidades, a previsão apresenta períodos de sol, embora o símbolo meteorológico de Maputo também indique possibilidade de nebulosidade.
Maputo: temperatura máxima de 31 graus
Na cidade de Maputo, os termómetros deverão variar entre 17 e 31 graus Celsius. O nascer do sol está previsto para as 05h20, enquanto o pôr do sol deverá ocorrer às 17h53.
A previsão indica períodos de sol e possibilidade de céu parcialmente nublado. No entanto, a tabela divulgada pelo INAM não apresenta dados específicos sobre a probabilidade de chuva ou a velocidade do vento.
Os residentes da capital poderão acompanhar as actualizações meteorológicas oficiais para obter informações adicionais sobre as condições do tempo ao longo do dia.
Tete: calor poderá chegar aos 36 graus
Em Tete, a temperatura máxima poderá alcançar os 36 graus Celsius, com uma mínima de 22 graus. Trata-se da temperatura máxima mais elevada entre as 11 cidades apresentadas na tabela do INAM.
O nascer do sol está previsto para as 05h21 e o pôr do sol para as 17h44. O símbolo meteorológico apresentado para Tete indica tempo predominantemente soalheiro.
Face à temperatura prevista, recomenda-se que a população evite a exposição prolongada ao sol nas horas de maior calor, beba água regularmente e procure locais frescos, sobretudo durante actividades profissionais ao ar livre.
Comparação das temperaturas em Maputo e Tete
Indicador Maputo Tete Temperatura máxima 31°C 36°C Temperatura mínima 17°C 22°C Nascer do sol 05h20 05h21 Pôr do sol 17h53 17h44 A principal diferença está na temperatura máxima: Tete poderá registar mais cinco graus do que Maputo. A temperatura mínima prevista para Tete também é superior em cinco graus.
Recomendações perante o calor
Com as temperaturas máximas previstas, é aconselhável beber água regularmente, usar roupa leve, procurar sombra e reduzir actividades físicas intensas durante as horas de maior calor.
Os cidadãos devem acompanhar os comunicados do INAM para eventuais actualizações das condições meteorológicas.
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INAM).
- BRASIL: STF determina prisão de Eduardo Bolsonaro após condenação definitiva a quatro anos e dois mesespor Naldo Agostinho
Ex-deputado brasileiro foi condenado por coacção no decurso de um processo judicial; decisão também determina o cancelamento dos seus passaportes brasileiros, enquanto permanece nos Estados Unidos.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) do Brasil, determinou a emissão de um mandado de prisão contra o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, do Partido Liberal (PL), após o trânsito em julgado da condenação a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coacção no decurso de um processo judicial.
A decisão foi anunciada esta quinta-feira, 8 de Outubro, e determina o início da execução da pena em regime inicialmente semiaberto. Moraes ordenou igualmente o cancelamento dos passaportes brasileiros do antigo parlamentar.
trânsito em julgado significa que a condenação se tornou definitiva no processo em causa, não sendo já admissíveis os recursos ordinários previstos para contestar a decisão. Com isso, ficou aberto o caminho para a execução da pena imposta pelo tribunal.
Entenda o motivo da condenação
Eduardo Bolsonaro foi condenado, em Junho de 2026, pela Primeira Turma do STF, por unanimidade, pelo crime de coacção no decurso do processo.
Segundo o entendimento dos magistrados, o antigo deputado actuou para pressionar autoridades estrangeiras e tentar interferir no julgamento que envolvia o seu pai, o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, condenado no processo relacionado com a tentativa de golpe de Estado.
A acusação esteve relacionada com a articulação de medidas do Governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, contra o Brasil, incluindo tarifas sobre produtos brasileiros exportados para aquele país.
De acordo com a interpretação acolhida pelo STF, Eduardo Bolsonaro procurou utilizar essa pressão externa para influenciar o comportamento das instituições judiciais brasileiras e dificultar o andamento do processo contra o pai.
A condenação foi fixada em quatro anos e dois meses de reclusão, em regime inicial semiaberto, além de 50 dias-multa, cada um correspondente a dois salários mínimos brasileiros. O tribunal determinou ainda a inelegibilidade nos termos estabelecidos na decisão e a perda do cargo público de escrivão da Polícia Federal.
A informação consta dos comunicados publicados pelo próprio Supremo Tribunal Federal. [STF — decisão de condenação](https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-condena-eduardo-bolsonaro-a-4-anos-e-2-meses-de-reclusao-por-tentar-interferir-no-processo-sobre-tentativa-de-golpe/).
Defesa não conseguiu reverter a condenação
Em Setembro, a Primeira Turma do STF rejeitou, por unanimidade, um recurso apresentado pela Defensoria Pública da União em defesa de Eduardo Bolsonaro.
Os quatro magistrados que participaram da decisão votaram contra o pedido de anulação da condenação. Com a rejeição do recurso e o encerramento definitivo do processo, o ministro Alexandre de Moraes determinou, neste mês de Outubro, o início da execução da pena.
O desfecho representa uma nova etapa judicial para o antigo parlamentar, que se encontra fora do Brasil desde 2025.
Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos
Apesar da emissão do mandado de prisão, Eduardo Bolsonaro não se encontra detido no Brasil. O ex-deputado permanece nos Estados Unidos, circunstância que torna mais complexa a execução imediata da pena.
Segundo a Agência Brasil, o cumprimento da condenação não deverá ocorrer enquanto o antigo parlamentar permanecer no estrangeiro, sendo uma eventual extradição dependente dos procedimentos legais aplicáveis e da posição das autoridades norte-americanas.
O cancelamento dos passaportes brasileiros constitui outra medida determinada pelo ministro Alexandre de Moraes no âmbito da execução da condenação.
A decisão judicial, por si só, não significa que Eduardo Bolsonaro tenha sido extraditado ou detido pelas autoridades norte-americanas. Até à informação publicada pelas fontes consultadas, o mandado de prisão foi emitido, mas não havia confirmação de que a detenção tivesse sido efectuada.
Ex-deputado critica decisão de Alexandre de Moraes
Após a decisão, Eduardo Bolsonaro criticou publicamente a actuação do ministro Alexandre de Moraes, classificando a medida como arbitrária, inoportuna e ineficaz.
O antigo parlamentar argumentou que os Estados Unidos não cumpririam uma decisão desta natureza. A declaração foi divulgada pela imprensa brasileira, incluindo o portal UOL.
As críticas reflectem o confronto político que envolve sectores ligados à família Bolsonaro e membros do Supremo Tribunal Federal. Contudo, a posição do condenado não altera, por si só, os efeitos jurídicos da decisão brasileira.
O que acontece a seguir?
Com a condenação definitiva, as autoridades brasileiras podem adoptar as medidas necessárias para executar a pena, respeitando os procedimentos legais aplicáveis.
Entretanto, a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos coloca a eventual detenção e transferência para o Brasil no plano da cooperação jurídica internacional.
A possibilidade de extradição não deve ser confundida com a existência do mandado de prisão: são questões distintas, sujeitas a requisitos legais e a decisões das autoridades competentes.
O caso mantém-se relevante para a política brasileira, tanto pelas suas ligações ao processo judicial que envolveu Jair Bolsonaro como pelas consequências da decisão para Eduardo Bolsonaro, uma das figuras associadas ao movimento político da família.
Agência Brasil — Moraes determina emissão de mandado de prisão contra Eduardo Bolsonaro – https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-10/moraes-determina-emissao-de-mandado-de-prisao-contra-eduardo-bolsonaro
Fontes consultadas para verificação dos factos:
Supremo Tribunal Federal — condenação de Eduardo Bolsonaro -https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-condena-eduardo-bolsonaro-a-4-anos-e-2-meses-de-reclusao-por-tentar-interferir-no-processo-sobre-tentativa-de-golpe/
Agência Brasil — recurso contra a condenação rejeitado – https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-09/primeira-turma-do-stf-mantem-condenacao-de-eduardo-bolsonaro
UOL — mandado de prisão e cancelamento de passaportes – https://noticias.uol.com.br/politica/ultimas-noticias/2026/10/08/moraes-manda-expedir-mandado-de-prisao-de-eduardo-e-cancelar-passaportes.ghtm
- INAM prevê temperaturas de até 37 graus Celsius em Tete nesta sexta-feirapor Naldo Agostinho
O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM), através dos Serviços Centrais de Previsão Meteorológica (SCPM), prevê tempo predominantemente soalheiro em várias regiões de Moçambique nesta sexta-feira, 9 de Outubro de 2026.
De acordo com a previsão, Tete será a cidade mais quente, com uma temperatura máxima de 37°C e mínima de 22°C.
Em Maputo, são esperados 36°C de máxima e 17°C de mínima, enquanto Xai-Xai deverá registar 34°C de máxima e 21°C de mínima.
As temperaturas previstas para as restantes cidades são:
- Nampula: máxima de 34°C e mínima de 19°C;
- Quelimane: máxima de 31°C e mínima de 25°C;
- Pemba: máxima de 31°C e mínima de 22°C;
- Vilankulo: máxima de 30°C e mínima de 23°C;
- Beira: máxima de 30°C e mínima de 23°C;
- Chimoio: máxima de 29°C e mínima de 19°C;
- Inhambane: máxima de 29°C e mínima de 18°C;
- Lichinga: máxima de 29°C e mínima de 15°C.
A previsão indica céu predominantemente limpo ou parcialmente nublado, com maior presença de nebulosidade em algumas zonas costeiras.
Nascer e pôr do Sol
Em Maputo, o nascer do Sol está previsto para as 05h21, com o ocaso às 17h53.
Na cidade de Pemba, o Sol deverá nascer às 04h56 e pôr-se às 17h14. Em Nampula, o nascer está previsto para as 05h00, com o ocaso às 17h20.
Quanto à Lua, o INAM indica a fase de Minguante Côncava.
Fonte: Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) – Serviços Centrais de Previsão Meteorológica (SCPM).
- Moçambique. Apelos à paz e reconciliação nas…
Que os líderes se deixem levar pelo espírito de paz e reconciliação, não sejam egoístas mas pensensem nas consequências que algumas atitudes podem criar para a sociedade e para o mundo, e que nossos jovens não se deixem enganar pela ganância de quem quer que queira recrutá-los ou aliciá-los, é o apelo de Mupacho Jonasse Félix, Animador da Comunidade São Francisco de Assis, em Lichinga (norte de Moçambique), por ocasião das celebrações do santo Padroeiro.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
Mupacho Jonasse, leigo responsável (“Animador”) da Comunidade São Francisco de Assis, falava por ocasião das celebrações do “Santo de Assis” e Padroeiro daquela Comunidade, no domingo 4 de outubro, também Dia da Paz em Moçambique, em comemoração ao Acordo Geral de Paz assinado em 1992, para pôr fim ao longo conflito entre o partido no governo e o movimento de resistência nacional.
Celebração da Eucaristia na festa do Padroeiro (Diocese de Lichinga (Moçambique))
Francisco, homem de reconciliação e paz
“São Francisco de Assis foi, no seu tempo, homem de reconciliação e paz e, para nós, é fonte de inspiração para quaisquer iniciativas que levem ao diálogo, à superação de conflitos, à fraternidade universal, à comunhão entre povos e culturas”, sublinhou Mupacha aos microfones da Rádio Vaticano, exortando a fortificar a vivência da paz no mundo em que vivemos, marcado por conflitos aparentemente locais e distantes mas que acabam sendo globais.
E temos o caso da Província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), observou o “Animador”, às voltas com o terrorismo desde 2017: “vemos irmãs e irmãos nossos se deslocando de suas terras de origem, perdendo seus bens, vendo os familiares mortos, e não só isso, alguns até nem sabem onde os pais estão, ou o irmão, a mãe, e agora vivem dependentes da caridade de terceiros”, lamentou o oficial.
A Comunidade São Francisco de Assis, ligada à Paróquia Catedral na diocese de Lichinga, tem buscado levar uma mensagem de esperança a esses irmãos deslocados, e também criar movimentos de solidariedade, com apoio em alimentação e vestuário, no espírito do nosso Padroeiro, explicou Mupacha.
‘Embaixadores da Misericórdia’ para uma proximidade efectiva
Isso, de fato, faz parte das iniciativas da Comunidade que, para consolidar a vivência do espírito de Francisco, lançou recentemente o movimento “Obras de Misericórdia” que, no momento, já conta com cem (100) ‘embaixadores’ da Comunidade que, no dia a dia, tornam efetivas as 14 Obras de Misericórdia. “Esse movimento, junto com outros membros da Comunidade São Francisco de Assis, tem se unido para realizar essas atividades durante todo o ano, e não apenas no período de festividades”, assegura Mupacha Jonasse.
‘Embaixadores da Misericórdia’ na Comunidade São Francisco de Assis
E, mais particularmente, sobre as celebrações do Padroeiro, Mupacha falou da novena com meditações sobre a mensagem de Francisco que precedeu os festejos, bem como obras de misericórdia especificas (incluindo visitas aos doentes nos hospitais, às viúvas e pobres em geral), procissões com a imagem do Santo, momentos de reflexão, liturgia solene e confraternização.
Com os jovens pela paz, sempre atentos às falsas promessas
Outra atividade que envolve a Comunidade inteira, disse ao final o Animador, é a promoção da mensagem (de diálogo, paz e reconciliação) do Padroeiro e sua devoção. São, neste sentido, fundamentais – explicou Mupacho Jonasse – os encontros e tantas outras iniciativas de promoção da paz juntamente com a Comunidade Santo Egídio e, sobretudo com o envolvimento de numerosos jovens (e não só os católicos da Comunidade), para torneios de futebol pela paz e tantas atividades culturais (teatro, canto, poesias …), tudo à volta do tema da paz e focalizando no carisma de Francisco.
A terminar, uma mensagem pensando nos líderes do mundo em geral, tantas vezes na origem de conflitos com consequências globais, mas também nos jovens em Moçambique, não raras vezes vítimas fáceis de quem os alicia ou quer recrutar para a violência: “sejam cautelosos, advertiu Mupacho, não se deixem enganar por falsas promessas, sejam antes construtores de um País em paz, onde as pessoas circulam e vivem em paz normalmente”.
Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luis Miguel M. Cárdaba, e o Bispo de Lichinga, Dom Atanásio A. Canira, visitam a Comunidade São Francisco de Assis
Oiça aqui a entrevista integral com Mupacho Jonasse Félix
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Que os líderes se deixem levar pelo espírito de paz e reconciliação, não sejam egoístas mas pensensem nas consequências que algumas atitudes podem criar para a sociedade e para o mundo, e que nossos jovens não se deixem enganar pela ganância de quem quer que queira recrutá-los ou aliciá-los, é o apelo de Mupacho Jonasse Félix, Animador da Comunidade São Francisco de Assis, em Lichinga (norte de Moçambique), por ocasião das celebrações do santo Padroeiro.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
Mupacho Jonasse, leigo responsável (“Animador”) da Comunidade São Francisco de Assis, falava por ocasião das celebrações do “Santo de Assis” e Padroeiro daquela Comunidade, no domingo 4 de outubro, também Dia da Paz em Moçambique, em comemoração ao Acordo Geral de Paz assinado em 1992, para pôr fim ao longo conflito entre o partido no governo e o movimento de resistência nacional.
Celebração da Eucaristia na festa do Padroeiro (Diocese de Lichinga (Moçambique))
Francisco, homem de reconciliação e paz
“São Francisco de Assis foi, no seu tempo, homem de reconciliação e paz e, para nós, é fonte de inspiração para quaisquer iniciativas que levem ao diálogo, à superação de conflitos, à fraternidade universal, à comunhão entre povos e culturas”, sublinhou Mupacha aos microfones da Rádio Vaticano, exortando a fortificar a vivência da paz no mundo em que vivemos, marcado por conflitos aparentemente locais e distantes mas que acabam sendo globais.
E temos o caso da Província de Cabo Delgado (norte de Moçambique), observou o “Animador”, às voltas com o terrorismo desde 2017: “vemos irmãs e irmãos nossos se deslocando de suas terras de origem, perdendo seus bens, vendo os familiares mortos, e não só isso, alguns até nem sabem onde os pais estão, ou o irmão, a mãe, e agora vivem dependentes da caridade de terceiros”, lamentou o oficial.
A Comunidade São Francisco de Assis, ligada à Paróquia Catedral na diocese de Lichinga, tem buscado levar uma mensagem de esperança a esses irmãos deslocados, e também criar movimentos de solidariedade, com apoio em alimentação e vestuário, no espírito do nosso Padroeiro, explicou Mupacha.
‘Embaixadores da Misericórdia’ para uma proximidade efectiva
Isso, de fato, faz parte das iniciativas da Comunidade que, para consolidar a vivência do espírito de Francisco, lançou recentemente o movimento “Obras de Misericórdia” que, no momento, já conta com cem (100) ‘embaixadores’ da Comunidade que, no dia a dia, tornam efetivas as 14 Obras de Misericórdia. “Esse movimento, junto com outros membros da Comunidade São Francisco de Assis, tem se unido para realizar essas atividades durante todo o ano, e não apenas no período de festividades”, assegura Mupacha Jonasse.
‘Embaixadores da Misericórdia’ na Comunidade São Francisco de Assis
E, mais particularmente, sobre as celebrações do Padroeiro, Mupacha falou da novena com meditações sobre a mensagem de Francisco que precedeu os festejos, bem como obras de misericórdia especificas (incluindo visitas aos doentes nos hospitais, às viúvas e pobres em geral), procissões com a imagem do Santo, momentos de reflexão, liturgia solene e confraternização.
Com os jovens pela paz, sempre atentos às falsas promessas
Outra atividade que envolve a Comunidade inteira, disse ao final o Animador, é a promoção da mensagem (de diálogo, paz e reconciliação) do Padroeiro e sua devoção. São, neste sentido, fundamentais – explicou Mupacho Jonasse – os encontros e tantas outras iniciativas de promoção da paz juntamente com a Comunidade Santo Egídio e, sobretudo com o envolvimento de numerosos jovens (e não só os católicos da Comunidade), para torneios de futebol pela paz e tantas atividades culturais (teatro, canto, poesias …), tudo à volta do tema da paz e focalizando no carisma de Francisco.
A terminar, uma mensagem pensando nos líderes do mundo em geral, tantas vezes na origem de conflitos com consequências globais, mas também nos jovens em Moçambique, não raras vezes vítimas fáceis de quem os alicia ou quer recrutar para a violência: “sejam cautelosos, advertiu Mupacho, não se deixem enganar por falsas promessas, sejam antes construtores de um País em paz, onde as pessoas circulam e vivem em paz normalmente”.
Núncio Apostólico em Moçambique, Dom Luis Miguel M. Cárdaba, e o Bispo de Lichinga, Dom Atanásio A. Canira, visitam a Comunidade São Francisco de Assis
Oiça aqui a entrevista integral com Mupacho Jonasse Félix
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- Metical poderá entrar no sistema de pagamentos da SADC a partir de Janeiro de 2027por Naldo Agostinho
O Metical poderá passar a integrar, a partir de Janeiro de 2027, as moedas utilizadas para a liquidação de pagamentos entre os países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), através do Sistema de Transferência e Liquidação Interbancária em Tempo Real (SADC-RTGS). A mudança coloca a moeda moçambicana numa nova etapa do processo de integração financeira regional e poderá reduzir a dependência de moedas de terceiros nas transacções dentro da região.
A possibilidade foi avançada pelo Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, que explicou que Moçambique está a preparar a integração do Metical na plataforma regional.
De um sistema dominado pelo Rand a uma plataforma multimoeda
O SADC-RTGS foi lançado em 2013 como parte do projecto de integração dos sistemas de pagamento da região. Moçambique aderiu à plataforma em Outubro de 2016. O sistema é utilizado para a liquidação de transacções entre bancos e outras instituições financeiras autorizadas pelos respectivos bancos centrais.
Durante vários anos, o Rand sul-africano foi a única moeda de liquidação do sistema. Essa realidade começou a mudar em Julho de 2026, quando o Kwanza angolano passou oficialmente a integrar o SADC-RTGS, tornando-se a segunda moeda de liquidação da plataforma. A SADC indicou, na altura, que a entrada de novas moedas pretende reduzir a necessidade de conversões cambiais, diminuir custos e reforçar a utilização de moedas locais no comércio regional.
A eventual entrada do Metical insere-se, portanto, numa transformação mais ampla do sistema regional: a passagem de uma plataforma essencialmente assente numa única moeda para uma infraestrutura com capacidade de operar com várias moedas da região.
O que muda para Moçambique
Actualmente, os bancos moçambicanos já utilizam o SADC-RTGS para efectuar e receber pagamentos regionais. Dados do Banco de Moçambique mostram que, em 2023, sete instituições de crédito nacionais estavam ligadas à plataforma. Nesse ano, os bancos moçambicanos enviaram 6.869 transacções através do sistema, no valor de cerca de 4,48 mil milhões de Rand, enquanto receberam 4.073 transacções, avaliadas em aproximadamente 4,44 mil milhões de Rand.
A utilização directa do Metical poderá alterar esta dinâmica. Em vez de uma operação transfronteiriça depender necessariamente do Rand como moeda de liquidação, uma transacção elegível poderá ser iniciada em Meticais e processada dentro da infraestrutura regional.
Na prática, uma empresa moçambicana que tenha de pagar uma factura a um fornecedor de outro país da SADC poderá solicitar ao seu banco a operação em Meticais. A liquidação será processada através do SADC-RTGS, de acordo com os mecanismos cambiais e de liquidação definidos pelos bancos envolvidos.
O ganho potencial está sobretudo na eficiência da operação: menos etapas de conversão, menor exposição a determinados custos cambiais e maior rapidez na liquidação.
A própria SADC explica que a introdução de moedas adicionais permite aos participantes efectuar transacções em moedas locais, reduzir a necessidade de conversão cambial e melhorar a gestão de liquidez das empresas. O sistema processa actualmente cerca de 250,7 mil milhões de Rand em transacções por mês.
Mais do que pagamentos: uma questão de autonomia financeira
A entrada do Metical no SADC-RTGS tem também uma dimensão estratégica.
Não significa a criação de uma moeda regional nem a substituição do rand, do dólar ou de outras moedas internacionais. Significa, antes, que o Metical poderá passar a desempenhar um papel directo na infraestrutura de pagamentos regionais.
Essa diferença é importante.
Durante décadas, grande parte dos pagamentos regionais esteve dependente de moedas com maior utilização internacional ou regional. A ampliação do SADC-RTGS para várias moedas procura criar uma arquitectura em que os países possam utilizar mais as suas próprias moedas nas relações económicas entre si.
Para Moçambique, isso pode reforçar a posição do Metical nas transacções comerciais com os parceiros da SADC e reduzir, em determinadas operações, a necessidade de recorrer ao Rand como moeda intermediária.
Mas a medida, por si só, não elimina os riscos cambiais nem garante automaticamente transacções mais baratas. Os custos finais dependerão das taxas de câmbio aplicadas, das condições definidas pelos bancos comerciais, da liquidez disponível em Meticais e nas moedas dos parceiros e do volume efectivo de operações realizadas.
Uma integração que já começou
A integração do Metical surge num momento em que o próprio sistema financeiro moçambicano atravessa uma fase de modernização.
Em Março de 2026, o Banco de Moçambique lançou o METIX, sistema nacional de pagamentos instantâneos, como parte da modernização do sistema de pagamentos do país. A instituição tem apresentado a digitalização, a eficiência e a segurança das transacções como elementos centrais dessa transformação.
A nível regional, o SADC-RTGS constitui outra camada dessa arquitectura. O sistema já permite a liquidação de pagamentos entre instituições financeiras dos países participantes e conta actualmente com 15 países participantes.
A eventual entrada do Metical representa, assim, a ligação entre duas agendas: a modernização dos pagamentos dentro de Moçambique e a integração financeira com os mercados da região.
O verdadeiro teste será a utilização
O principal impacto da medida não será determinado apenas pela entrada formal do Metical na plataforma, mas pela capacidade de empresas, bancos e outros agentes económicos de utilizarem efectivamente essa possibilidade.
Para Moçambique, o desafio será transformar a nova capacidade técnica em maior comércio regional, menor custo de transacção e maior utilização do Metical nas operações económicas com os países vizinhos.
O Banco de Moçambique terá, igualmente, de assegurar que a integração ocorra de forma compatível com a estabilidade cambial e monetária, num contexto em que a própria autoridade reconhece a necessidade de melhorar a transparência e o funcionamento do mercado cambial.
Se concretizada em Janeiro de 2027, a entrada do Metical no SADC-RTGS não representará apenas uma alteração tecnológica no sistema de pagamentos. Será um passo para colocar a moeda moçambicana directamente numa das principais infraestruturas financeiras da África Austral — e o seu impacto dependerá, sobretudo, de quanto o comércio regional passar efectivamente a utilizá-la.


