Manuel Borges, pai de Rui , foi recentemente homenageado no centésimo aniversário do Mirandela
Mas antes de chegar ao esporte mais a sério, Rui, como a maioria das gerações anteriores aos anos 90 do século passado, começou a jogar bola na rua, no bairro do Cardal, às margens do rio Tua. — Por acaso ele nem era da minha área, mas eu já o conhecia de vista quando entramos os dois no Mirandela para jogar. Ele tinha o apelido de Bacocas, que foi colocado por um colega nosso, o Hernâni. Na rua quase sempre acontecia a mesma coisa: Dona Cândida tinha que vir à janela chamá-lo para ir jantar. Se não fosse assim, até esqueceria que tinha que comer. Naqueles anos, não havia jogos eletrônicos, PlayStations ou celulares que fazem com que hoje em dia as crianças pouco ou nada saiam de casa. Passávamos o dia na rua praticando diversos esportes, principalmente futebol», conta o amigo Hugo Adegas. E por que Bacocas? Rui Borges sempre foi adverso a bebidas alcoólicas e, como o deus do vinho na mitologia romana é Baco, a corruptela da palavra em jeito de brincadeira derivou em Bacocas, cognome que se foi perdendo no andar dos tempos.
Rui Borges com o amigo Hugo Adegas nos tempos de formação do Mirandela e hoje em dia
Valdemar Vilaverde lembra bem de um garoto «traquina, muito mexido, mas que se punha fino quando o chamavam à atenção». «Sempre teve uma boa educação e foram incutidos valores de respeito e humildade pela família. Esse é um dos principais traços de sua personalidade, que ele mantém até hoje», junta, mesmo após ter chegado a um patamar como o do Sporting. pelo qual já conquistou uma Liga e uma Taça de Portugal.
Num abraço sincero ao amigo de sempre Valdemar Vilaverde
Quem contribuiu muito para o aspecto da formação humana foi o avô Zé Pedro, homem de mãos duras pelo ofício de sapateiro, mas de coração um tanto mole quando lidava com o neto.
E como seria Rui Borges como jogador de futebol? «Tinha bons pés, jogava no meio-campo. Gostava de ter o esférico e fazia excelentes passes para desmarcar os companheiros de ataque. Não gostava muito de defender, de correr para trás», responde Valdemar.
Hugo Adegas acrescenta mais alguns atributos: «Via mais à frente. Nas categorias de base havia muito a tendência de bater a bola longa na frente. Ele não fazia, acalmava o jogo, pautava ritmos.»
Bilhete de Identidade
Nome: Rui Manuel Gomes Borges
Data de Nascimento: 7 de julho de 1981
Naturalidade: Mirandela (Portugal)
Trajetória como jogador: Mirandela (formação), SC Braga B, Bragança, Paredes, Trofense, Moreirense, Famalicão, Freamunde e Mirandela
Percurso como treinador: Mirandela, Ac. Viseu, Académica, Nacional, Vilafranquense, Mafra, Moreirense, V. Guimarães e Sporting
Jogadores: 1 Liga (2024/25 e uma Taça de Portugal (2024/25)
O número da camisola era o sete, o mesmo do ídolo, Luís Figo. «Ele, quando dava autógrafos, fazia o rabisco da assinatura e colocava sempre um sete. No outro dia, quando esteve cá por Mirandela a passar férias, até o encontrei e fiz-lhe a pergunta em forma de brincadeira: ‘então agora já não metes o sete quando assinas?’. Ele respondeu: ‘não, agora já não’», revela Adegas.
Rui Borges tem o sete tatuado por ser o seu número da sorte, que advém de ter nascido no dia sete do mês sete (julho), do ídolo e também dos irmãos terem sete anos de diferença entre eles. Fábia tem menos sete do que Rui, portanto, 38, mais mais sete do que a caçula, Teresa, de 31.Na pele está também inscrita uma esfíngie do avô, por quem ainda se emociona quando dele fala…
O sete tem um significado especial e tatuou-o no braço
A carreira de jogador foi seguindo — sempre também muito ligado à mulher, Ana, e ao filho, Mário — por outras paragens depois de Mirandela, como por Bragança, Trofense, Moreirense, Famalicão e Freamunde, até que chegou a hora de voltar para casa. E foi lá que reencontrou Carlos Correia, o homem que, como presidente, lhe lançou o desafio de abraçar a carreira de treinador. Proposta feita, desafio aceito. «Como jogador, identifiquei logo características de liderança e de conhecedor profundo do jogo em termos táticos. Não demorou muito para dar o salto. Já está no Sporting, mas acho que não vai parar por aí. Antevejo que irá para um clube grande no exterior em dois ou três anos», perspectiva.
Com o presidente do Mirandela Carlos Correia quando assinou o primeiro contrato de treinador
Com as irmãs Fábia, de 38 anos, e Teresa, de 31
PELA VOZ DE ANTIGOS JOGADORES
João Camacho foi treinado por Borges no Nacional e no Moreirense
André Ceitil trabalhou com o treinador transmontano no Vilafranquense
Rúben Freire foi jogador de Rui Borges no Nacional, então na Liga 2
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