Nos dois testes de portas abertas realizados pelos leões, diante de Celtic (4 a 1) e Strasbourg (7 a 0), ele se assumiu como figura de proa da equipe comandada por Rui Borges. Contudo, a chegada a este patamar não resultou apenas do dom inato com que foi abençoado, mas sim de um imenso trabalho de quem apostou tudo na afirmação em 2026/27 — espelhando também os riscos que a família correu no passado para que o jovem cumprisse seu sonho. Mas vamos lá.
De fato, o jovem jogador de futebol estreou pela equipe principal na temporada passada, participando de sete encontros, embora grande parte de sua trajetória tenha sido feita na equipe B. Logo nessa época, a comissão técnica lhe sinalizou as virtudes e aspectos a melhorar, concluindo que ainda apresentava fragilidades físicas que o impediam de ser mais assertivo nos duelos. Identificada a lacuna, avançou-se para a resolução: sob as coordenadas da Unidade de Performance, elaborou-se um plano específico de reforço muscular. O objetivo era dotá-lo de maior capacidade de explosão e robustez no corpo a corpo, evitando a perda de bola e o consequente desperdício de potenciais lances de perigo.
O atual camisa 58 cumpriu o programa à risca e os resultados estão à vista. Essa pujança atlética recém-adquirida permite que ele atue, inclusive, em uma zona mais central do ataque, a dez, quando, em um passado não muito distante, jogava quase que exclusivamente pelas pontas.
Trata-se de mais um capítulo de superação e resiliência de um membro da família Gonçalves, que sabe muito bem o que é viver essas palavras em primeira mão.
Afinal, foi em grande parte por causa de sua promissora carreira que o clã retornou a Portugal. Os pais eram emigrantes na França e residiam em Mantes-la-Jolie, a cerca de 50 quilômetros de Paris. E foi justamente na capital gaulesa, durante um torneio de futebol de sete organizado pelo PSG, que o talento do menino surgiu aos olhos de Carlos Rente — tio de Hugo Viana e, na época, funcionário da Gestifute de Jorge Mendes. Impressionado com a qualidade da criança e sabedor de sua ascendência lusa, Rente abordou o pai, Paulo. Lançou-lhe o desafio de voltarem ao país natal, assegurando que, mesmo Flávio tendo apenas nove anos, não seria difícil encontrar-lhe clube. Poucos dias depois, a resposta foi afirmativa.
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