Quem almejava uma surpresa com a chegada de uma cara nova em segredo — tradição iniciada no reinado de Pinto da Costa e recuperada por André Villas-Boas em 2025 com a aquisição de Luuk de Jong — esperou… sentado. Nada de novidades no menu que antecedeu o duelo diante do vencedor da Liga Europa, conforme já garantira o presidente portista, e dentro de campo, na hora e meia seguinte, também não se viram grandes inovações na forma de jogar deste dragão liderado por Francesco Farioli.
Os azuis e brancos continuam a ser uma máquina azeitada na hora de pressionarem o adversário, imagem de marca ao longo da temporada passada, embora ontem se tivesse notado que as pernas ainda estão pesadas e só em falta foi possível anular algumas saídas em posse dos ingleses.
O instinto matador colocado nos lances de bola parada saltou igualmente, lembrando inúmeros momentos positivos de 2025/26. O gol inaugural nasceu de um lançamento longo de linha lateral de Zaidu, a bola foi cortada por Matty Cash para o coração da área onde William Gomes apareceu para dominar de coxa antes de chutar certeiro. Logo aos cinco minutos, as redes dos vilões de Unai Emery — desfalcados da esmagadora maioria dos melhores jogadores, casos de Emiliano Martínez, Pau Torres, Lindelof, Konsa, McGinn, Manzambi, Buendía, Garnacho, Watkins… — balançavam.
Com Alberto Costa a meio gás e Martim Fernandes lesionado, Pablo Rosario improvisou na lateral-direita e, pela esquerda, Zaidu largou na frente na corrida com Francisco Moura pela titularidade. No centro, a muralha polonesa com Bednarek e Kiwior, este com algumas imprecisões incomuns no primeiro tempo — divide com Zaidu responsabilidades no gol de Lynch aos 12′.
No meio-campo, Alan Varela, Froholdt e Gabri Veiga repetiram o trio mais vezes utilizado na época transata e na frente esteve o único reforço, André Silva, acompanhado por William Gomes, à direita, e Pepê, à esquerda, relegando Borja Sainz para o banco, agora que Oskar Pietuszewski está lesionado.
A construção ofensiva pausada, iniciada em Bednarek e Kiwior, sempre buscando o volante como rampa de lançamento, processo intercalado com a internalização dos laterais, denota uma tentativa de evolução na continuidade. Mas a escassez de inspiração impediu que o perigo rondasse e seria na sequência de uma cobrança de falta de Gabri Veiga — sem surpresas, portanto… — que surgiria o segundo gol, obra de Pepê, aproveitando corte incompleto de Maatsen (41′).
Em jeito telegráfico, Farioli, concluído o desafio que levou 47.098 espectadores ao Dragão, finalizado com detalhes deliciosos e prometedores de Inbeom Hwang, poderá dizer a AVB: Presidente, preciso de um lateral-esquerdo, um extremo desequilibrador seria bem recebido e outro avançado também. Da minha parte, vou procurar manter a consistência defensiva e melhorar a variabilidade ofensiva da equipa para torná-la menos previsível.
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