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Prémio Nobel da Paz atribuído à venezuelana María Corina Machado por manter “acesa a chama da democracia”

Líder da oposição dedica o prémio a Donald Trump pelo “apoio decisivo”

A líder da oposição venezuelana, María Corina Machado, foi distinguida com o Prémio Nobel da Paz de 2025, reconhecimento pelo seu papel na defesa da democracia e dos direitos humanos na Venezuela. Num gesto que gerou reações diversas, Machado dedicou o galardão ao povo venezuelano “que sofre” e ao ex-presidente norte-americano Donald Trump, a quem atribuiu “apoio decisivo” à causa democrática do seu país.

“Dedico este prémio ao povo sofredor da Venezuela e ao Presidente Trump, pelo seu apoio decisivo à nossa causa”, escreveu Machado na rede social X (antigo Twitter). A dirigente acrescentou que “a Venezuela está no limiar da vitória” e reafirmou a importância da solidariedade internacional. “Contamos com o Presidente Trump, com o povo dos Estados Unidos, com os povos da América Latina e com as nações democráticas do mundo como principais aliados para alcançar a liberdade e a democracia”, sublinhou.

A distinção ocorre num momento em que a Venezuela continua mergulhada numa grave crise política, económica e humanitária, agravada durante o governo de Nicolás Maduro. O país enfrenta escassez de bens essenciais, inflação galopante e repressão contra opositores.

Donald Trump, por seu lado, tem reivindicado mérito pessoal por iniciativas que, segundo ele, contribuíram para reduzir conflitos internacionais. Nas últimas semanas, vários líderes mundiais chegaram mesmo a apoiar a sua candidatura ao Nobel, depois de um alegado cessar-fogo entre Israel e o Hamas, mediado durante o seu mandato.

Para a oposição venezuelana, Trump é visto como um importante aliado na pressão contra o regime de Maduro. Durante a sua presidência, cortou relações diplomáticas com Caracas e ofereceu uma recompensa de 50 milhões de dólares por informações que levassem à detenção de Maduro, acusado de narcotráfico.

Entretanto, as forças norte-americanas continuam a realizar operações contra embarcações venezuelanas em águas internacionais, sob alegação de combate ao narcotráfico — acusações rejeitadas pelo governo de Maduro, que as considera atos de agressão e violação da soberania nacional.

Trump partilhou a publicação de Machado na sua rede Truth Social, sem comentar as palavras da política venezuelana. Já o diretor de comunicação da Casa Branca, Steven Cheung, criticou a decisão do Comité Nobel, acusando-o de “colocar a política acima da paz”.

A atribuição do Nobel a María Corina Machado simboliza o reconhecimento internacional à resistência democrática venezuelana, mas também reacende o debate sobre a influência externa e os interesses geopolíticos na luta pela liberdade do país.

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