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Retomada de grandes projetos de gás atrai…

Maputo, 2 Jun (AIM) – O ministro moçambicano do Planeamento e Desenvolvimento, Salim Valá, revelou que a retoma dos grandes projectos de gás no país está a atrair investimento sul-coreano para a transformação económica e promoção da criação de emprego.

Em Janeiro passado, a construção do Projecto de Gás Natural Liquefeito (Mozambique LNG), liderado pela empresa francesa TotalEnergies, foi retomada depois de ter sido interrompida, em 2021, na sequência de um grande ataque terrorista contra a vila de Palma, província nortenha de Cabo Delgado. O GNL Moçambique, que está orçado em cerca de 20 mil milhões de dólares americanos, foi retomado à medida que as condições de segurança melhoraram.

O Coral Sul FLNG é operado pela Eni, em representação da Moçambique Rovuma Venture (MRV), um consórcio que inclui também a ExxonMobil e a China National Petroleum Corporation (CNPC), e que detém 70 por cento das ações. Os restantes 30% são detidos em partes iguais pela própria Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique, pela Galp de Portugal e pela Kogas da Coreia do Sul.

A Sul-Coreana, através da Kogas, é parceira na Área 4 da Bacia do Rovuma, que é operada pela Moçambique Rovuma Venture (MRV), uma joint venture entre a ExxonMobil, a empresa energética italiana Eni e a CNPC da China, que detém uma participação de 70 por cento no contrato de concessão.

A Kogas, a empresa portuguesa Galp e a própria Empresa Nacional de Hidrocarbonetos (ENH) de Moçambique detêm cada uma uma participação de 10 por cento na Área 4.

Segundo o ministro, falando na Reunião Ministerial Coreia-África, realizada em Seul sob o lema “Parceria para Respostas Conjuntas aos Desafios Globais”, o gás natural está a contribuir para uma nova etapa nas relações económicas entre Moçambique e a Coreia do Sul.

Dirigindo-se a investidores e decisores políticos, o Valá destacou Moçambique como um destino atraente para a capital sul-coreana, enfatizando factores como a abundância de recursos naturais, a sua localização estratégica, a juventude da sua população e o seu elevado potencial de crescimento económico.

“A retoma do projecto Mozambique LNG representa uma oportunidade histórica para aprofundar a cooperação económica entre Maputo e Seul. Os projectos de gás devem ser vistos não apenas como plataformas de exportação de gás natural liquefeito, mas como instrumentos capazes de proporcionar a industrialização nacional”, afirmou.

O ministro acredita que a exploração de gás deve estimular o desenvolvimento de infra-estruturas, criar novas oportunidades de emprego, reforçar a segurança energética e promover o surgimento de indústrias associadas à cadeia de valor energético.

Neste contexto, Moçambique pretende atrair empresas sul-coreanas para sectores como engenharia, logística, petroquímica, fertilizantes, produção de energia, construção naval, equipamentos industriais e serviços especializados relacionados com o gás natural.

Esta iniciativa ganha relevância considerando a experiência da Coreia do Sul em áreas como engenharia pesada, indústria transformadora, inovação tecnológica e construção naval – sectores considerados fundamentais para a transformação económica de Moçambique.

Além do gás natural, Moçambique procura atrair investimento sul-coreano para a exploração e processamento de minerais críticos, cada vez mais procurados no contexto da transição energética global.

“O país possui reservas significativas de grafite, lítio, titânio e outros minerais estratégicos utilizados na produção de baterias, veículos eléctricos e tecnologias limpas. O objectivo do governo é promover o processamento local destes recursos, aumentando o valor acrescentado gerado no país e estimulando o desenvolvimento de novas indústrias”, afirmou.

Valá destacou também a trajectória de desenvolvimento da Coreia do Sul como fonte de inspiração para Moçambique. “Em apenas algumas décadas, o país asiático transformou-se de uma economia essencialmente agrícola numa potência industrial e tecnológica global. Para o governo moçambicano, a cooperação com Seul poderia contribuir para acelerar o processo de modernização económica através da transferência de conhecimento e capacitação técnica”, disse o ministro.

Entre as áreas prioritárias de cooperação estão a indústria transformadora, energia, infraestruturas, tecnologias digitais, engenharia, construção naval e formação técnico-profissional.

O Ministro aproveitou também a oportunidade para transmitir uma mensagem de confiança aos investidores internacionais, destacando os progressos alcançados na estabilização de regiões anteriormente afetadas por desafios de segurança.

“O país possui reservas significativas de grafite, lítio, titânio e outros minerais estratégicos utilizados na produção de baterias, veículos elétricos e tecnologias limpas”, acrescentou.

Sou/

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