— Como é vivido o futebol na Bulgária?
— Eu não esperava que fosse tão intenso. Os torcedores têm uma ligação forte. Percebi logo quando entrei em campo, pelo barulho que fazem. Em Portugal, não costumava ouvir aquilo. Além disso, as pessoas são super tranquilas e nos apoiam muito. Tenho exemplos de jogos que perdemos, alguns já acabando, e a resposta da torcida era a mesma, como se tivéssemos saído com uma vitória. Continuavam cantando e pulando.
— Qual foi a coisa mais caricata que viu nestes meses na Bulgária?
— Tem uma história que é muito engraçada, mas também tem sentido religioso, que eu respeito. Foi logo no meu primeiro jogo com o Cherno More. No dia anterior, o último treino foi aberto. Havia torcedores na arquibancada e um padre veio para o meio do campo para que fizéssemos uma oração. Todo mundo, até o presidente, rezou com o padre, porque aquele era um jogo muito importante. Foi engraçado, porque eu não estava acostumado, não é comum em Portugal. Mesmo que um padre queira muito que um jogo dê certo, ele não vai para o meio do gramado fazer uma oração [risos].
— Foi o único jogo em que o padre apareceu?
— Também apareceu no último, no da manutenção.
— E eles agradeceram depois?
— Não o vi mais, mas, de certeza, que alguma coisa ajudou, porque foi um jogo épico [risos].
— Como é que é o povo búlgaro, no geral?
— Existem pessoas boas e más em todos os lugares, algumas são mais legais, outras são mais frias. Tem de tudo, mas, no geral, em Portugal talvez tenhamos uma ideia errada do que são alguns países e minha perspectiva, ao ir para lá, também mudou.
— As pessoas reconhecem-no na rua?
— Sim, é muito diferente. Em Portugal, ninguém me reconhece. Varna é uma cidade enorme, tem mais de 300 mil habitantes, claro que podem passar 50 pessoas e ninguém me conhece, mas muitas vezes – e eu como faço o caminho do treino para casa a pé – tem gente que para na rua para me cumprimentar, tirar fotos, pedir autógrafos…
— Tem alguma história engraçada que tenha acontecido na rua?
— Uma vez, eu estava indo para um treino, de manhã, e um torcedor estava no trânsito, parou a van no meio da via e saiu para me cumprimentar. Ele parou o trânsito, me cumprimentou, gritou meu nome e foi embora, seguiu viagem.
— No início da temporada, estando no Vila Meã, repescado das distritais da AF Porto para o Campeonato de Portugal, você acreditaria que terminaria a temporada em um histórico búlgaro sendo tão feliz?
— Nunca. Eu tinha a convicção de que seria uma temporada boa para mim, porque eu estava muito bem fisicamente, já vinha com alguns jogos de treino na Romênia e cheguei muito bem no Vila Meã. Porém, não imaginava que ia parar em um clube histórico na Bulgária, conseguir mantê-lo na primeira liga e dar esse passo importante na minha carreira.
— O seu futuro passa pelo Spartak Varna?
— Sim, tenho mais um ano de contrato. Só não fico, se acontecer alguma coisa nesses meses. No futebol, a gente nunca sabe, mas estou 100% focado no clube.
— Quais são os seus grandes objetivos de carreira?
— Desde que tive a lesão no joelho, mudei um pouquinho meus objetivos para tentar aproveitar mais e não colocar a pressão de atingir metas, viver o dia a dia. Mesmo assim, ele gostava muito de jogar uma competição europeia.
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