Brasil – Uma decepção, na Copa do Mundo em que conseguiram um hexa sem títulos, algo inédito em sua história. A aposta em Carlo Ancelotti (ainda) não deu frutos – embora valha muitas críticas, a maioria, xenófobas – e a verdade é que a canarinha se encontra um patamar abaixo de outras seleções. O escrete não pode reclamar do goleiro ou dos zagueiros, teve um ataque onde Vini Jr. se entregou ao time, mas nunca mostrou ter meio-campo para poder sonhar com a ‘Copa’.
Cristiano Ronaldo – O capitão de Portugal foi o jogador mais velho a ser utilizado entre os 1248 jogadores de futebol inscritos na fase final da Copa do Mundo. Nos cinco jogos que fez nos Estados Unidos deixou a certeza de que seu tempo de centralidade na Seleção, acabou. E foi por aí que Portugal se perdeu, já que CR7 ainda poderia ajudar, em outros moldes e com um enquadramento diferente, e isso não foi colocado na equação. O lugar na história e a gratidão dos portugueses ninguém lhe tira, mas não há mais justificativa para que ele permaneça no melhor onze da turma das quinas.
Diogo Costa – O goleiro do FC Porto foi minha aposta, alguns dias antes do Portugal-RD Congo, para destaque da Seleção no Mundial da América do Norte. Revelou classe e maturidade, mostrando evolução significativa em relação ao Catar, em 2022. É um valor seguro, com o qual Jorge Jesus pode contar, sem perder o sono.
Espanha – Alguma coisa devem andar fazendo bem, ‘nuestros hermanos’. Campeões da Europa em 2008, 2012 e 2024, vencedores da Liga das Nações em 2023 e campeões do Mundo em 2010 e 2026, por aqui se vê como os jogadores vão passando e a qualidade do futebol se mantém. Orientados pelo discreto Luís de la Fuente, campeão, como jogador, pelo Atlético de Bilbao de Javier Clemente, nos inícios da década de 80 do século XX, os espanhóis, oriundos de todas as regiões autónomas, foram capazes de ser um só em querer e determinação, levando a festa a Madrid e a Barcelona, a Sevilha e a Valência, ou a Vigo e a Bilbao. Na final, venceram por nocaute, tamanha a superioridade que demonstraram. Jogo mais difícil na caminhada rumo ao título? Com Portugal.
Fernandez, Enzo – O antigo jogador do Benfica, transformado em vilão da final ao ser expulso depois de uma entrada duríssima sobre Cubársi, tem todas as condições futebolísticas para ser o líder da Argentina pós-Messi. Resta saber se tem estaleca mental para isso. O futuro di-lo-á.
Gianni Infantino – Apesar de ter inventado um prêmio da Paz para Donald Trump antes da Copa; apesar de ter sido exposto pelo presidente dos Estados Unidos no caso da cunha à Comissão Disciplinar; apesar de ter alinhado em muitas ‘americanices’, desde as supostas pausas para hidratação até os anéis de campeão, passando pelos ilegais 24 minutos e onze segundos do intervalo da final; a verdade é que a FIFA organizou uma Copa do Mundo com estádios cheios, proventos milionários e bom futebol. Inclusive, das 48 seleções presentes, apenas Uzbequistão e Curaçao não se mostraram competitivamente à altura. Assim, não é de se admirar que ele tenha a reeleição, em novembro próximo, no bolso.
Henderson, Jordan – O veterano internacional inglês protagonizou o caso mais engraçado da competição, fraturando um pulso na comemoração de um gol dos Três Leões. O ex-capitão do Liverpool não merecia tal malapata.
Irã – Independentemente de terem sido prejudicadas esportivamente (estágio, arbitragens, fronteiras), não tenho memória de um país que estivesse em guerra com outro e mesmo assim fosse ao território deste participar de um evento esportivo. Será preciso voltar à Trégua Olímpica da Grécia Clássica.
João Pinheiro – O árbitro nascido em Vila Nova de Famalicão esteve à altura da responsabilidade de apitar em um Mundial e deixou uma boa imagem da arbitragem nacional. Pena que uma andorinha não faz a Primavera.
Kylian Mbapée – Artilheiro do Mundial com dez gols em oito jogos, maior artilheiro da história das Copas com 22 gols em 22 jogos, o centroavante do Real Madrid aproveitou o palco norte-americano para confirmar qualidades e exercer alguma liderança. Não foi, porém, suficiente para deter a batalha de egos que estourou entre os convocados por Didier Deschamps, fatal para as ambições dos gauleses, apontados como principais favoritos a conquistar o troféu.
Lionel Messi – No estilo ‘poupadinho’ que os 39 anos obrigam, Messi sempre foi bem enquadrado por um time que o reverenciou e dele extraiu o que de melhor a ‘Pulga’ ainda tinha a dar. O que Messi fez na ‘virada’ contra a Inglaterra ficará como um dos grandes momentos desta Copa e contribuiu para que a lenda envolvendo o prodígio argentino ganhasse um novo capítulo. Saiu da Copa do Mundo pela porta grande.
Martinez, Roberto – O ex-técnico de Portugal errou ao colocar Cristiano Ronaldo como o ‘alfa’ e o ‘ômega’ de Portugal, desaproveitando os enormes recursos que tinha. Martinez deixou nos portugueses a sensação de que poderia ter sido feito mais e melhor do que se fez. Contudo, deixou marca ao vencer a Liga das Nações de 2025, como tinha feito em 2018 com a Bélgica, terceira no Mundial, a melhor classificação de sempre dos Diabos Vermelhos, ou com o modesto Wigan, que levou à conquista da Taça de Inglaterra.
Nagelsmann, Julian – A prestação da Alemanha no Mundial foi patética e a demissão do selecionador tornou-se inevitável. Aos 37 anos, depois de ter prometido muito, Nagelsmann tem colecionado fracassos e vai ter de dar novo impulso a uma carreira quesegue em plano descendente.
Otamendi, Nico – Depois de dez anos passados em Portugal – quatro no FC Porto e seis no Benfica – onde fez 255 jogos na I Liga (19 gols), Otamendi se despediu, contra a Espanha, dos grandes palcos (está de volta à Argentina), orgulhando-se de uma carreira com 25 títulos, incluindo os de campeão do Mundo e Olímpico. Depois de Di María e ao mesmo tempo Messi, o ‘general’ vê a hora de passar o bastão.
Paraguai – Depois da grande façanha que foi eliminar a Alemanha nas oitavas de final, os paraguaios ‘borraram a pintura’ ao serem arautos do anti esportividade na partida dos ‘oitavos’, com a França. Fica como marca registrada de seu desempenho a tentativa de esburacarem a marca do pênalti, antes do gol dos gauleses. Uma coisa da idade das cavernas…
Quantidade – Foram 48 seleções participando da fase final da Copa do Mundo de 2026 – e nem deu errado – fala-se em 64 para a próxima Copa do Mundo em Portugal, Espanha e Marrocos, o que parece manifestamente exagerado. Tomara que a Fifa respeite o futebol, e esse valor fale mais alto que os argumentos dos patrocinadores.
Rodri – Foi o ‘Bola de Ouro’ da Copa do Mundo, da mesma forma como tinha sido ‘Bola de Ouro’ atuando pelo Manchester City: com um futebol coletivo, solidário, sempre de enorme qualidade, que o fez estar sempre no lugar certo na hora certa. Não é preciso fazer parada de mão com a bola na nuca para ser o melhor da Copa do Mundo. Para isso tem o circo…
Schjelderup – O extremo do Benfica, autor do melhor golo do Mundial, marcado à Inglaterra, saiu da América do Norte muito valorizado, o que levanta a seguinte questão: o Benfica precisa mais de 40 milhões, ou de Schjelderup? Quem tiver dúvidas que puxe atrás o filme de Grimaldo, antes de assinar pelo Leverkusen.
Tantashev, Ilgiz – A caótica arbitragem que protagonizou no França-Paraguai fica como imagem de marca da submissão de Pierluigi Collina aos interesses políticos da FIFA, ao nomear árbitros manifestamente impreparados para jogos que estavam bem para lá das suas capacidades. A necessidade (política) de manter as Confederações satisfeitas, continua a ser uma pedra no sapato da arbitragem nos Mundiais.
Uzbequistão – Ao lado de Curaçao, não justificou presença no Mundial. Foi a vitória mais folgada de Portugal, mas, francamente, não deve constar no rol de proezas da Seleção.
White House – Colocar uma cunha, ou, dito de forma mais fina, usar a magistratura da influência, nem é tão fora da caixa, no futebol ou em alguma outra atividade. Agora colocar uma cunha, como Trump fez com Infantino, e proclamá-lo publicamente como um ato de serviço público, é outra coisa, que me escuso de classificar. Como escrevi antes, com amigos assim, Infantino não precisa de inimigos. Ainda a propósito de Trump: fiquei com pena de Pedro Sanchez não estar ao lado de Filipe VI na entrega da taça de Campeão do Mundo a Rodri, junto com o presidente dos Estados Unidos…
Vozinha – Cabo verde foi a Cinderela desta Copa, uma seleção destemida, com bom futebol, que encheu de orgulho os habitantes das dez ilhas, da diáspora e de quem fala a mesma língua. Vozinha, com atuações brilhantes, foi a grande figura do time.
Yamal, Lamine – Apesar de ser campeão da Copa do Mundo, apesar de ter recebido o depoimento, ‘made in La Masia’, de Messi, ainda tenho dúvidas quanto à carreira do prodígio do Barça. Se a cabeça ajudar, tem tudo para ser um dos maiores de todos os tempos do futebol. Caso contrário…
Xenofobia – Houve casos, intoleráveis, de impedimentos de entrada nos Estados Unidos e Canadá, de jogadores, dirigentes, adeptos e árbitros (Omar Artan, da Somália, o mais visível). Uma nódoa no Mundial de 2026.
Zinedine Zidane – O regresso ao futuro do novo selecionador francês é suficientemente importante para encerrar este A a Z.
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