Quinta-feira, 15 de Outubro de 2026

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Sociedade

“Num mundo conturbado, revitalizar o amor e relançar…

“Num mundo conturbado, revitalizar o amor e relançar...


Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.

P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano

“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.

Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo

Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.

Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.

Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.

Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios

Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.

Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …

“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.

Entrevista com a Profa. Sara IJ Laisse, ouça e compartilhe

Obrigado por ler este artigo. Se você quiser se manter atualizado, assine nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.



Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.

P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano

“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.

Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo

Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.

Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.

Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.

Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios

Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.

Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …

“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.

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