“Aqui a gente vê parte do material escolar delas, as mochilas, flores de homenagem. Tá virando um memorial”, relata o jornalista na reportagem exibida pelo Fantástico.
O bombardeio na escola, na cidade de Minab, matou 170 crianças e provocou comoção dentro e fora do país. Imagens das vítimas passaram a ser exibidas em diferentes regiões do Irã nos dias seguintes ao ataque.
Segundo uma investigação do “New York Times”, o míssil que atingiu o local foi lançado pelos Estados Unidos com base em uma informação de inteligência desatualizada. As autoridades afirmaram que o prédio ainda funcionava como base militar, mas o espaço havia sido reformado na escola cerca de dez anos antes.
As imagens do resgate mostram equipes trabalhando entre os escombros enquanto familiares buscavam identificar os corpos. “As famílias tentavam fazer o reconhecimento no local para onde os mortos eram levados”, relata.
Nos dias seguintes, objetos pessoais das vítimas passaram a ocupar espaços públicos como forma de homenagem. Mochilas, flores e materiais escolares foram organizados em memoriais que atraem moradores e visitantes.
A exposição desses itens transformados em parques e áreas abertas em locais de luto coletivo. Para além dos números da guerra, os objetos ajudam a dimensionar o impacto do conflito sobre a população civil — especialmente as crianças.
Segundo o governo iraniano, mais de 3 mil pessoas morreram desde o início dos bombardeios.
VEJA A REPORTAGEM DE CACO BARCELLOS ABAIXO:
Exclusivo: Caco Barcellos e Thiago Jock recebem autorização para entrar no Irã
UM equipe do Fantástico entrou no Irã em meio à guerra e acompanhou de perto os efeitos dos bombardeios. Em uma comunicação oficial que visitou áreas atingidas, apenas três equipes estrangeiras foram autorizadas a circular pelo país: a TV Globouma russa e uma britânica.
Desde o início do conflito, o acesso da imprensa internacional é restrito. UM equipe cruzou cerca de 300 milhas pela Turquia, entre montanhas cobertas de neve, até chegar à fronteira com o Irã. No posto de controle, ainda em território turco, as interrupções foram interrompidas pelas autoridades.
Após duas horas de verificação de documentos e vistos de imprensa, a entrada foi liberada.
Já dentro do Irã, a orientação era clara: não sair do carro e não fazer imagens durante o trajeto até Teerã. As estradas são monitoradas e equipamentos de filmagem podem ser confundidos com armamento.
Equipe acompanhou funeral de um general da marinha iraniana — Foto: Fantástico
Na capital iraniana, uma equipe acompanhou o funeral de um general da Marinha iraniana morto em um ataque no Estreito de Ormuz.
Ele participou de uma reunião com outros executivos militares, quando dois ataques atacaram o navio e o local onde ele estava reunido. O corpo foi levado por mais de 800 quilômetros até Teerã.
Entre gritos, bandeiras e homenagens, a reunião reuniu uma multidão. Em meio ao cortejo, um jovem pediu para ser entrevistado e criticou duramente os Estados Unidos:
“Esse governo americano é o pior de todos os tempos. Nosso povo está apoiando o nosso governo e os nossos militares”, diz.
Durante os discursos, autoridades e participantes também direcionaram críticas a Israel e aos EUA. A presença de forças de segurança era constante — em alguns momentos, pedia para serem agentes não filmados e chegava a conferir o material gravado pela equipe.
No meio da multidão, diferentes gerações dividiram espaço. Jovens universitários, muitas com vestimentas mais coloridas, conviviam com mulheres que seguem tradições religiosas mais rígidas.
Segundo relatos ouvidos pela equipe, o avanço educacional tem ampliado o protagonismo feminino, especialmente em mudanças relacionadas a costumes e comportamento social.
Durante a cobertura no Irã, uma equipe encontrou a presença constante de imagens dos aiatolás em espaços públicos e eventos, reforçando a centralidade da liderança religiosa no país. Desde a Revolução de 1979, o O Irã é uma República Islâmica em que o poder é fortemente concentrado nesse grupo, acima da Guarda Revolucionária e de instituições civis.
O regime é marcado por controle social rígido, com denúncias recorrentes de repressão a protestos, censura à imprensa, prisões de ativistas e restrições a comportamentos sociais, especialmente de mulheres. Além das críticas internacionais e críticas ao programa nuclear, o país também está apontado para apoiar grupos como o Hezbollah e o Hamas.
Durante a estadia da equipe, o acesso e a circulação foram limitados por barreiras de segurança e postos de controle da Guarda Revolucionária, dificultando inclusive a gravação de imagens. Tentativas de contato com opositores não tiveram sucesso.
No início do ano, os protestos contra a crise econômica foram fortemente reprimidos; As autoridades iranianas afirmaram que os atos foram violentos por ação de infiltrados armados, que tiveram fortes forças de segurança e causaram mais de 200 mortes entre policiais, além de vítimas civis.
Já organizações independentes contestam os números oficiais e declaram que o total de mortos pode ter sido maior.
O governo iraniano nega a alegação americana e sustenta que o programa nuclear tem fins energéticos. A porta-voz do ministro das Relações Exteriores Ábbas Araghchi também rebateu críticas sobre direitos humanos:
“Somos alvo de uma campanha de demonização há décadas. Não somos perfeitos, mas nenhum país é perfeito quando se trata de direitos humanos”, diz.
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