Mistério e acusações de bruxaria na Matola: idosa encontrada em casa alheia diz ter perdido “voo” O bairro da Matola Gare, na província de Maputo, viveu momentos de tensão e espanto na madrugada de 2 de Janeiro de 2026, após uma mulher idosa, cuja identidade não foi revelada, ter sido encontrada no interior de uma residência no Quarteirão 22, em circunstâncias consideradas estranhas pelos moradores. O caso, reportado pela TV Sucesso, rapidamente deu origem a acusações de feitiçaria, depois de a idosa alegar que se havia perdido das suas colegas durante um suposto “voo”. Invasão registada de madrugada O proprietário da residência, Zacarias Tomás, contou à TV Sucesso que se apercebeu da presença da idosa por volta das 03h30 da madrugada, após ouvir barulhos dentro de casa. “Por volta das três, quase quatro horas da madrugada, ouvi a porta. Abri os olhos para prestar atenção e foi quando vi que era essa idosa dentro da casa”, relatou. Segundo Zacarias, a mulher apresentava um comportamento confuso, falando uma mistura de Xitsonga (Xangana) e Chope, e demonstrava pressa em sair. “Ela dizia que vinha para cozinhar carne, que tinha pressa, que precisava levar a chaleira para cozinhar carne”, explicou o morador, acrescentando que a idosa se encontrava parcialmente nua, vestindo apenas uma camisa na parte superior do corpo. Relatos de missão espiritual levantam suspeitas No local, a repórter da TV Sucesso, Crimilda Comaio, relatou que a mulher afirmou ter vindo das províncias de Gaza ou Inhambane para cumprir uma missão de carácter sombrio. De acordo com a tradução feita pela equipa de reportagem, a idosa teria dito: “Vim cá cumprir uma missão de consumir carne humana, solicitada pelos donos da casa.” A declaração causou pânico entre os moradores, sobretudo por o episódio ocorrer poucos dias após o falecimento de um vizinho da mesma zona. Comunidade divide-se entre feitiçaria e doença mental Para grande parte da vizinhança, trata-se claramente de um caso de feitiçaria. Alfredo Manjate, residente da área, expressou a posição dominante da comunidade: “Nós só queremos que ela saia daqui a voar da forma que chegou. Não queremos bater, só queremos que ela saia daqui a voar.” No entanto, nem todos concordam com essa leitura. Francisco Justino Cerenza, antigo professor e morador do bairro, apresentou uma visão diferente, alertando para a possibilidade de se tratar de um problema de saúde mental. “No meu entender, estamos perante uma pessoa com problemas mentais. Esta senhora é uma senhora doente”, afirmou à TV Sucesso. A sua intervenção gerou contestação entre alguns moradores, que rejeitam a explicação clínica e insistem na interpretação sobrenatural. Autoridade local reforça suspeitas de bruxaria Apesar das vozes discordantes, a chefe do quarteirão confirmou que, na sua leitura, não restam dúvidas quanto à natureza do caso. “Não tenho dúvidas de que se trata de uma feiticeira. Não é uma mulher normal”, afirmou à TV Sucesso. Até ao fecho da reportagem, o ambiente permanecia tenso, com a comunidade dividida entre o medo do sobrenatural e a necessidade de lidar com uma idosa visivelmente desorientada, sem que fosse apresentada uma avaliação médica oficial sobre o seu estado. Nota editorial O episódio vivido na Matola expõe um conflito antigo e sensível: o choque entre a leitura tradicional dos fenómenos inexplicáveis e a abordagem racional, médica e social. Quando crença substitui prova e medo substitui diagnóstico, o risco não é apenas de erro de interpretação, mas de injustiça real contra pessoas vulneráveis.

Mistério e acusações de bruxaria na Matola: idosa encontrada em casa alheia diz ter perdido “voo”

O bairro da Matola Gare, na província de Maputo, viveu momentos de tensão e espanto na madrugada de 2 de Janeiro de 2026, após uma mulher idosa, cuja identidade não foi revelada, ter sido encontrada no interior de uma residência no Quarteirão 22, em circunstâncias consideradas estranhas pelos moradores.

O caso, reportado pela TV Sucesso, rapidamente deu origem a acusações de feitiçaria, depois de a idosa alegar que se havia perdido das suas colegas durante um suposto “voo”.

Invasão registada de madrugada

O proprietário da residência, Zacarias Tomás, contou à TV Sucesso que se apercebeu da presença da idosa por volta das 03h30 da madrugada, após ouvir barulhos dentro de casa.

“Por volta das três, quase quatro horas da madrugada, ouvi a porta. Abri os olhos para prestar atenção e foi quando vi que era essa idosa dentro da casa”, relatou.

Segundo Zacarias, a mulher apresentava um comportamento confuso, falando uma mistura de Xitsonga (Xangana) e Chope, e demonstrava pressa em sair.

“Ela dizia que vinha para cozinhar carne, que tinha pressa, que precisava levar a chaleira para cozinhar carne”, explicou o morador, acrescentando que a idosa se encontrava parcialmente nua, vestindo apenas uma camisa na parte superior do corpo.

Relatos de missão espiritual levantam suspeitas

No local, a repórter da TV Sucesso, Crimilda Comaio, relatou que a mulher afirmou ter vindo das províncias de Gaza ou Inhambane para cumprir uma missão de carácter sombrio.

De acordo com a tradução feita pela equipa de reportagem, a idosa teria dito:
“Vim cá cumprir uma missão de consumir carne humana, solicitada pelos donos da casa.”

A declaração causou pânico entre os moradores, sobretudo por o episódio ocorrer poucos dias após o falecimento de um vizinho da mesma zona.

Comunidade divide-se entre feitiçaria e doença mental

Para grande parte da vizinhança, trata-se claramente de um caso de feitiçaria. Alfredo Manjate, residente da área, expressou a posição dominante da comunidade:

“Nós só queremos que ela saia daqui a voar da forma que chegou. Não queremos bater, só queremos que ela saia daqui a voar.”

No entanto, nem todos concordam com essa leitura. Francisco Justino Cerenza, antigo professor e morador do bairro, apresentou uma visão diferente, alertando para a possibilidade de se tratar de um problema de saúde mental.

“No meu entender, estamos perante uma pessoa com problemas mentais. Esta senhora é uma senhora doente”, afirmou à TV Sucesso.

A sua intervenção gerou contestação entre alguns moradores, que rejeitam a explicação clínica e insistem na interpretação sobrenatural.

Autoridade local reforça suspeitas de bruxaria

Apesar das vozes discordantes, a chefe do quarteirão confirmou que, na sua leitura, não restam dúvidas quanto à natureza do caso.

“Não tenho dúvidas de que se trata de uma feiticeira. Não é uma mulher normal”, afirmou à TV Sucesso.

Até ao fecho da reportagem, o ambiente permanecia tenso, com a comunidade dividida entre o medo do sobrenatural e a necessidade de lidar com uma idosa visivelmente desorientada, sem que fosse apresentada uma avaliação médica oficial sobre o seu estado.

Nota editorial

O episódio vivido na Matola expõe um conflito antigo e sensível: o choque entre a leitura tradicional dos fenómenos inexplicáveis e a abordagem racional, médica e social. Quando crença substitui prova e medo substitui diagnóstico, o risco não é apenas de erro de interpretação, mas de injustiça real contra pessoas vulneráveis.

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