Inflacção em Moçambique modera no primeiro trimestre, mas cesta básica continua a superar salário mínimo

A inflação em Moçambique apresentou uma trajectória de desaceleração no primeiro trimestre de 2025, segundo dados oficiais divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE). Apesar do alívio nos índices globais, o preço da cesta básica de bens essenciais mantém-se acima do salário mínimo em vários sectores, pressionando o poder de compra das famílias.

De acordo com o INE, a inflação homóloga situou-se em 4,11%, abaixo dos níveis registados em trimestres anteriores, reflectindo sobretudo a relativa estabilidade do metical e a redução dos custos de transporte e alguns produtos alimentares. Contudo, a inflação trimestral ainda foi influenciada por aumentos pontuais em produtos de largo consumo, como arroz, óleo alimentar, farinha de trigo, pão e combustíveis, que continuam a pesar no orçamento doméstico.

Cesta básica versus salário mínimo

A análise dos preços médios da cesta básica urbana revela que, em capitais como Maputo, Beira e Nampula, o seu custo ultrapassa largamente o valor do salário mínimo nacional, fixado em cerca de 5.500 meticais mensais (dependendo do sector). Em Maputo, por exemplo, o cabaz alimentar para uma família média foi estimado em mais de 7.200 meticais, representando um défice de quase 2.000 meticais face ao rendimento mínimo legal.

Este desfasamento reflete-se no aumento da vulnerabilidade das famílias de baixos rendimentos, obrigadas a reduzir o consumo ou a recorrer a estratégias alternativas de subsistência.

Impacto social e perspectivas

Segundo economistas ouvidos pelo INE, embora a inflação controlada seja um sinal positivo para a economia nacional, a discrepância entre salários e custo de vida permanece um dos maiores desafios sociais do país.

“A estabilidade dos preços é importante, mas enquanto o rendimento mínimo não acompanhar o custo da cesta básica, a pressão sobre as famílias moçambicanas continuará elevada”, aponta o relatório.

As projecções para os próximos meses indicam que a inflação deverá manter-se dentro da meta anual do Banco de Moçambique, mas o desafio estrutural de alinhar salário mínimo e custo de vida continua na agenda económica e social do país.

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