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Hipopótamos devastam culturas e agravam conflito homem-fauna bravia em Catuane

Hipopótamos devastam culturas e agravam conflito homem-fauna bravia em Catuane

O Posto Administrativo de Catuane, no distrito de Matutuíne, província de Maputo, enfrenta uma situação preocupante de conflito entre homens e fauna bravia, com hipopótamos a destruir culturas agrícolas nas zonas baixas junto aos rios Tembe e Maputo.

Segundo uma reportagem da Televisão de Moçambique (TVM), a presença de uma população numerosa de hipopótamos está a aumentar os prejuízos dos camponeses. Como consequência, várias áreas agrícolas próximas dos cursos de água encontram-se vulneráveis à destruição provocada pelos animais.

A situação resulta, em parte, do crescimento da população de hipopótamos nas zonas abrangidas por medidas de protecção da fauna. De acordo com as autoridades locais, a conservação contribuiu para o aumento do número destes animais, criando novos desafios para as comunidades que dependem da agricultura.

A Chefe do Posto Administrativo de Catuane descreveu à TVM a dimensão da população de hipopótamos existente nos rios da região:

“Não estamos muito bem não, porque a população de hipopótamos cresceu muito por causa da protecção que estamos a dar aos bichos. Então eles são muitos no rio; até dá pena. Se você chega no rio, você vê tudo aquilo preto, parece gado. São muitos mesmo.”

Hipopótamos ameaçam produção agrícola

Entretanto, a presença dos animais não representa apenas uma questão de conservação da biodiversidade. Para as comunidades de Catuane, os hipopótamos constituem também uma ameaça directa à produção de alimentos.

Por sua vez, os camponeses das zonas baixas dependem dos terrenos próximos dos rios para desenvolver actividades agrícolas. Por isso, a destruição das culturas pode agravar a insegurança alimentar das famílias, sobretudo quando a produção agrícola é afectada simultaneamente por factores climáticos.

A situação exige, deste modo, uma resposta que permita proteger as comunidades sem comprometer as medidas de conservação da fauna bravia.

El Niño aumenta preocupação com segurança alimentar

Além do conflito com os hipopótamos, as autoridades locais estão preocupadas com os possíveis efeitos associados ao fenómeno climático El Niño.

A aproximação do fenómeno poderá provocar períodos de seca e reduzir a disponibilidade de água para a agricultura. Neste contexto, a administração de Catuane está a procurar alternativas para reduzir os riscos sobre a produção alimentar das comunidades locais.

A estratégia passa pela sensibilização dos camponeses para o cultivo de variedades mais resistentes e pela utilização de zonas próximas dos rios, onde exista disponibilidade de água.

“Nós estamos a informar as populações (…) precisaríamos de arranjar a rama de batata-doce e outras verduras que são resistentes ou que possam ser cultivadas nas margens dos rios para a mitigação dos efeitos do El Niño.”

Desta forma, as autoridades pretendem reforçar a capacidade das famílias para enfrentar eventuais períodos de escassez de chuva e reduzir a dependência de culturas mais vulneráveis à seca.

Pecuária surge como alternativa para as famílias

Paralelamente, o Governo local está a incentivar as famílias que possuem gado a utilizar a pecuária como fonte complementar de rendimento e segurança alimentar.

A administração conta com o trabalho de extensionistas e aproveita as campanhas de vacinação do gado para sensibilizar os criadores sobre a importância de gerir o efectivo de forma sustentável.

Segundo a Chefe do Posto Administrativo, algumas famílias mantêm grandes quantidades de gado, mas enfrentam dificuldades para garantir alimentos. Assim, as autoridades defendem a venda de parte dos animais quando necessário para assegurar recursos para o agregado familiar.

“Estamos a ensinar os criadores: vendam um animal para poder ter provimento de alimentos para a família. Porque os criadores de gado, a tendência é ter uma manada de gado, mas a dizer que estamos a morrer de fome. Então, já começámos com a sensibilização nesse sentido.”

Desafio passa por equilibrar conservação e sobrevivência

Em última análise, Catuane enfrenta um desafio que combina três factores: a protecção da fauna bravia, a produção agrícola e a necessidade de reforçar a capacidade das famílias para enfrentar possíveis adversidades climáticas.

Por um lado, a conservação dos hipopótamos contribui para a preservação da fauna e dos ecossistemas locais. Por outro, o crescimento da população destes animais aumenta o risco de destruição das culturas e pode agravar a vulnerabilidade das comunidades que vivem junto aos rios.

Enquanto isso, as autoridades procuram soluções através da sensibilização agrícola, diversificação das culturas e melhor aproveitamento da pecuária.

Deste modo, o caso de Catuane evidencia a necessidade de encontrar mecanismos de convivência entre as comunidades e a fauna bravia, garantindo simultaneamente a protecção dos animais e a segurança alimentar das populações que dependem directamente dos recursos naturais.

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