Política

Governo extingue institutos de formação e cria Escola de Governação

Nova entidade sucede a estruturas históricas da administração pública

O Governo anunciou a criação da Escola de Governação, uma nova instituição destinada à formação e capacitação de quadros do Estado, que passa a substituir um conjunto de estruturas até então responsáveis pela preparação técnica dos funcionários públicos no país.

A medida implica a extinção dos institutos de formação em administração pública localizados nas cidades da Matola, Beira e Lichinga, bem como da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), entidade que, durante anos, desempenhou um papel central na qualificação de servidores do Estado moçambicano.

Instituições com papel histórico na construção do Estado

Criadas no período pós-independência e reforçadas ao longo das reformas administrativas das décadas seguintes, estas instituições foram concebidas com o objectivo de responder à necessidade de profissionalização da função pública.

A ENAP destacou-se como o principal centro de formação de quadros superiores e técnicos da administração pública, assegurando cursos nas áreas de gestão pública, finanças do Estado, ética administrativa e políticas públicas. Por seu turno, os institutos regionais da Matola, Beira e Lichinga desempenharam um papel descentralizado, permitindo a formação contínua de funcionários ao nível provincial e local.

Ao longo dos anos, estas estruturas contribuíram para a consolidação do aparelho do Estado, num contexto marcado por reformas, ajustamentos institucionais e crescente exigência na prestação de serviços públicos.

Reforma orientada para eficiência e integração

Com a criação da Escola de Governação, o Executivo pretende concentrar, numa única entidade, as competências de formação, investigação e desenvolvimento institucional, eliminando sobreposições e reforçando a coordenação estratégica.

Segundo a orientação governamental, a nova instituição deverá assegurar a “capacitação, o aperfeiçoamento e a reciclagem profissional dos servidores públicos”, alinhando os conteúdos formativos com os desafios actuais da governação, incluindo a modernização administrativa, a digitalização dos serviços e a transparência na gestão pública.

Entre continuidade e ruptura

A decisão marca uma mudança estrutural no modelo de formação do funcionalismo público, ao mesmo tempo que levanta questões sobre a preservação da experiência acumulada pelas instituições agora extintas.

Especialistas entendem que o sucesso da nova Escola de Governação dependerá da sua capacidade de integrar o legado técnico e pedagógico das entidades anteriores, garantindo continuidade na qualidade da formação, ao mesmo tempo que introduz novas abordagens adaptadas às exigências contemporâneas do Estado.

A transição abre, assim, um novo capítulo na organização da administração pública em Moçambique, num momento em que se acentua a necessidade de quadros qualificados e preparados para responder aos desafios do desenvolvimento nacional.

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