REFORÇOS A JUSTIFICAR
ALTIMIRA — Talvez não seja o mais exuberante dos reforços, mas se destaca pela inteligência tática. Ele frequentemente cai no meio dos zagueiros na primeira fase de construção e raramente erra um passe ou perde a posse de bola. A forma como fez o segundo gol, em chute seco de pé esquerdo, demonstrou uma frieza notável.
SILAS ANDERSEN — Mais uma demonstração de qualidade. Muito assertivo, pedindo constantemente o jogo e sem resquício de medo de se projetar até as proximidades da área adversária. Subiu ao 15º andar com autoridade para, em belo golpe de cabeça, colocar o esférico no poste oposto no terceiro gol leonino. Promete bastante e acrescenta uma cor bem garrida a este novo desenho tático do Sporting, num quadro que até pode ser esteticamente diferente dos anteriores mas que causa impacto.
DÚMBIA — No primeiro cartão de visita, pegou na bola dentro da área, tirou o opositor da frente e disparou um míssil para inaugurar o marcador. Combina o físico de um tanque com a leveza de um bailarino na forma como percorre quilómetros em campo. No domingo admitiu que precisa de evoluir em vários aspetos, mas será mesmo assim? Para já, justifica plenamente o investimento feito pela estrutura leonina para o trazer para Alvalade, não só financeiro mas de convencimento do italiano .
ZALAZAR — Custou 30 milhões de euros e parece ter o número três como amuleto. Ele tinha três dias de treino, precisou de três minutos em campo para arrancar pela direita, sofrer pênalti e converter. Para fechar, ele assinou um passe magistral para Geny no sexto gol. Herdou a camisa 17 de Trincão e a diferença para o internacional português, nesta estreia, foi praticamente nula. Não lhe pesa a responsabilidade de ser a cara contratação, pois justificou o investimento na primeira amostra.
JESSE DERRY — Manteve a ala esquerda em altíssima rotação, exibindo uma irreverência que promete conquistar as bancadas de Alvalade. Revela, desde já, recursos técnicos muito acima da média.
UM MENINO AUDAZ E OUTRO NA PRAIA
FLÁVIO GONÇALVES — O novo menino bonito dos adeptos sportinguistas. Trata-se de mais um extremo saído da prestigiada Academia verde e branca, embora até tenha começado a partida na posição dez. A forma como cobrou o livre que originou o terceiro tento dos na baliza dos alsacianos atesta a sua categoria. Tem uma particularidade: decide quase sempre ao primeiro toque. Poderia ser mais ponderado em certos lances, mas a verdade é que a audácia costuma dar frutos, pois surpreende os adversários.
EDUARDO FELICÍSIMO — Em 2024/25, num período em que o leão parecia ter montado uma enfermaria em Alcochete, foi lançado no time principal e comprometeu em alguns lances. Gerou-se a dúvida sobre se renderia mais no trinco ou na central. Contudo, pelos testes algarvios — cumpriu 180 minutos nos jogos abertos —, é no centro da defesa que se sente na sua praia.
GROMBAHI — Agora distante do amigo Quenda, mostrou-se irrequieto e foi interveniente ativo na goleada leonina.
MAXI SEMPRE SUPER E UM GREGO A QUERER ACABAR COM A TRAGÉDIA
JOÃO VIRGÍNIA — Poderia ter pedido folga a Rui Borges no segundo tempo, já que só por uma ocasião foi chamado a intervir com maior exigência, parando um chute de Rayane Messi. No primeiro tempo não foi muito ortodoxo nas manchas, mas revelou eficiência. É o que se exige de um goleiro, tantas vezes exposto ao olho do furacão sem qualquer responsabilidade.
VAGIANNIDIS — O grego aproveitou as férias para limpar a cache de memória e apagar os maus momentos da época transata. Não é difícil concluir que assinou a sua melhor exibição com a camisola listada verde e branca. Ainda que tenha sido num particular diante de um Estrasburgo desarticulado, o mérito ninguém lho tira.
EDUARDO QUARESMA — Os alsacianos apenas apertaram na etapa inicial e foi aí que assumiu a voz de comando, na qualidade de líder — ainda que provisório — do eixo defensivo.
RICARDO MANGAS — Esteve para sair, vai permanecer e percebe-se a razão. É o jogador em melhor forma física, muito ativo pelo corredor esquerdo, embora ainda demonstre algumas lacunas a defender. Para mal dos seus pecados, tem à sua frente na hierarquia da ala esquerda um Maxi que continua Super, como o famoso gelado que habita a memória gustativa de várias gerações.
GENY CATAMO — Primeira parte discreta até ao momento em que fugiu ao marcador direto e descobriu espaço para lançar novo ataque perigoso. Assinou também um golo naquele movimento que é a sua imagem de marca: descaído pela direita, bola colada ao pé esquerdo e a puxar para dentro até desferir um remate certeiro ao segundo poste.
MAXI ARAÚJO — Foi a nota positiva em um Uruguai que decepcionou na Copa e provou novamente que tem uma classe interplanetária indiscutível. Jogou apenas a meia hora final, tempo de sobra para faturar e dar uma assistência. Atuando mais adiantado ou no recuo, a raça e a entrega estão lá sempre.
IOANNIDIS — Eu ainda não tinha sentido o gosto do gol no ano civil de 2026, também por conta da tragédia grega que viveu com a lesão. Quebrou o enguiço com seu pior pé, o direito. Promete dar luta a Luis Suárez e criar dores de cabeça saudáveis em Rui Borges na hora de escolher o centroavante. Será uma enxaqueca que rapidamente passará para o treinador.
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