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Embora os encarnados ainda estejam privados de seis de suas principais unidades (a disputar o Mundial, ou de férias na sequência da presença na América do Norte), percebeu-se o que Marco Silva pretende, frente a um ‘Mengo’ (privado de nove jogadores por razões ‘mundialistas’) de matriz europeia, à imagem de Leonardo jardim, a fazer pressão alta e a revelar um futebol rigoroso que colocou imensas dificuldades à turma da Luz.
Por enquanto, a ideia de Marco Silva passa por um Benfica em 4x2x3x1, que experimentou o irlandês Umeh na esquerda (saiu lesionado aos 30 minutos, vítima da violência de Emerson Royal, que passou 90 minutos sem ver nenhum cartão…) e Rafa na direita – não é sua vocação nem a posição onde pode ser útil aos encarnados – com Sudakov nas costas de Pavlidis.
E se do grego há que se dizer que se deu ao jogo e ganhou uma nova função, ao ser o distribuidor das bolas que saem, em passes verticais, dos centrais, do ucraniano o que se viu neste jogo foi mais do mesmo, bons detalhes técnicos, pouca velocidade e escassa presença quando o time não tem bola. A procissão ainda não chegou ao adro, esses jogos servem justamente para ganhar entrosamento e rotinas, mas a primeira imagem da temporada do internacional ucraniano não foi empolgante.
Da mesma forma, quando o Benfica está ativamente no mercado em busca de um ‘seis’, Enzo Barrenechea primou pela discrição, nada arriscando e sem presença na cabeça da área. Nesse quesito, embora tenha começado nervoso, Manu foi bem melhor, arrancando 15 minutos finais de boa qualidade.
Nas laterais, Bah e Dahl não comprometeram, melhor o dinamarquês que o sueco, mas a grande figura acabou sendo Banjaqui, que não perde nada (pelo contrário) para Bah ou Dedic.
Quem deixou boa impressão foi Lenglet, que chegou à Luz para ser o patrão da defesa, sem a exuberância e o carisma de Nico Otamendi, mas bom de bola e a saber exatamente o que faz em cada lance.
No jogo do Algarve, como é normal nessas situações, houve dois jogos distintos, um antes e o outro depois das (dez) substituições operadas por Marco Silva. Na fase competitiva mais próxima da realidade, o Flamengo pressionou alto e mostrou um meio-campo forte – Jorginho segue craque – e o Benfica teve várias boas saídas de bola de Trubin, que fez um jogo sólido.
Mas, nesta fase tão madrugadora da temporada (a 12 dias do primeiro jogo oficial, contudo), os rubro-negros deixaram algumas promessas (além de uma movimentação coletiva com os setores juntos, o caso particular de Banjaqui) e muitas dúvidas, algumas de ordem posicional (Rafa), outras mais profundas (Sudakov). Kaminsksi não teve oportunidade para grande destaque, ficando sua observação para o próximo jogo.
Quanto ao resultado, provavelmente o empate seria mais adequado (três perdidas encarnadas de bradar aos céus nos últimos minutos), mas esse é apenas um detalhe. Jogo de preparação é, fundamentalmente, para dar rotinas, e o Flamengo obrigou o Benfica a crescer mais do que Marco Silva estaria à espera. O que, olhando o calendário, foi bastante positivo.
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