Debate: Carteira Profissional de Artista – Um exemplo a seguir para Moçambique?
A recente publicação do músico angolano K2, exibindo a sua carteira profissional de artista, reacendeu um debate relevante sobre a formalização da actividade artística e cultural. Em Angola, este documento simboliza reconhecimento, protecção e acesso a benefícios legais; mas como seria se Moçambique tivesse um sistema equivalente e eficaz?
Reconhecimento Formal da Profissão Ter uma carteira profissional conferiria aos artistas moçambicanos o status de trabalhadores formais, colocando a actividade artística no mesmo patamar de outras profissões regulamentadas. Isto ajudaria a combater a percepção de que a arte é apenas um passatempo ou entretenimento.
Acesso a Benefícios Legais e Sociais Com a carteira, os artistas poderiam ter acesso facilitado a concursos, bolsas de financiamento, festivais nacionais e internacionais, além de direitos como protecção laboral, previdência social e contractos formais de trabalho.
Organização do Sector Cultural Um cadastro oficial contribuiria para mapear o sector artístico, permitindo ao governo e associações culturais desenvolver políticas públicas mais eficazes, planeamento estratégico e estatísticas confiáveis sobre o mercado cultural.
Valorização Económica da Arte Profissionalizar a arte ajuda a criar oportunidades de negócio, atrair investimento e transformar a cultura num motor de desenvolvimento económico e turístico, valorizando também a herança cultural moçambicana.
Contras e Desafios
Burocracia e Acesso Limitado Ter a carteira não garante, por si só, que todos os benefícios serão acessíveis. Em países com burocracia lenta ou estruturas institucionais frágeis, o processo de emissão pode ser moroso e excludente, especialmente para artistas de regiões periféricas.
Valor Limitado Sem Apoio Complementar Se a carteira existir apenas como documento simbólico, sem políticas de incentivo, financiamento adequado ou protecção laboral real, o impacto será mínimo. O reconhecimento formal não se traduz automaticamente em remuneração justa ou visibilidade internacional.
Exclusão de Artistas Informais Muitos fazedores de arte em Moçambique operam em circuitos informais. Se os requisitos para a carteira forem complexos ou custosos, isso pode criar uma divisão entre artistas “oficiais” e aqueles marginalizados, prejudicando a diversidade cultural.
Dependência de Instituições O sucesso da carteira depende da eficiência e credibilidade das associações culturais e do Estado. Sem fiscalização, transparência e promoção efectiva, o documento corre o risco de permanecer meramente ornamental.
A iniciativa de K2 serve de alerta e inspiração para Moçambique. A criação de uma carteira profissional de artista pode ser um passo estratégico para consolidar a profissão, valorizar economicamente a arte e reforçar direitos sociais. Porém, é crucial que este instrumento seja acompanhado de políticas de financiamento, incentivo e protecção efectiva. Caso contrário, corre-se o risco de transformar a carteira num mero símbolo burocrático, sem impacto real na vida dos artistas.
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