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Crianças abandonam aulas para tapar buracos e pedir dinheiro na estrada Liwonde–Zomba

Um fenómeno alarmante está a ganhar forma no distrito de Machinga, no sul do Malawi: crianças em idade escolar estão a abandonar as salas de aula para trabalhar na reparação improvisada de buracos na estrada Liwonde–Zomba — uma das principais vias da região — em troca de dinheiro dado por automobilistas.

Repórteres do Nyasa Times testemunharam a prática no terreno. Munidas de enxadas, pratos e baldes, as crianças enchiam crateras no asfalto e, em seguida, posicionavam-se diante de camiões e outros veículos pesados para solicitar contribuições financeiras.

Sem coletes reflectores, sem sinalização e sem qualquer equipamento de protecção, trabalhavam no meio do tráfego intenso.

Autoridades classificam prática como ilegal

Em declarações ao Zodiak Online, a porta-voz da Autoridade Rodoviária, Alice Chinthochi, condenou a situação.

Segundo afirmou, a manutenção das estradas é competência exclusiva da Autoridade Rodoviária e não pode, em circunstância alguma, ser executada por menores.

A instituição anunciou que está a articular-se com líderes comunitários e forças de segurança distritais para retirar as crianças da via e restaurar a ordem.

Polícia promete responsabilização criminal

Também o porta-voz da Polícia de Machinga, Western Kansire, advertiu que qualquer adulto que incentive, permita ou organize o envio de crianças para pedir dinheiro na estrada poderá ser detido e processado.

O uso de menores para solicitar dinheiro em vias públicas configura infracção penal, sublinhou.

Falha estrutural

O caso expõe três fragilidades simultâneas: protecção infantil insuficiente, degradação da infraestrutura rodoviária e fragilidade socioeconómica das famílias.

O mais grave não é apenas a existência de buracos na estrada. É o facto de crianças se sentirem compelidas a ocupar o lugar do Estado, assumindo riscos extremos para garantir algum rendimento.

Num país onde a evasão escolar já constitui desafio persistente, permitir que menores troquem a escola por uma rodovia movimentada representa um retrocesso social evidente.

O que se passa em Machinga ultrapassa a questão da manutenção viária. É um teste directo à capacidade das instituições de proteger os mais vulneráveis — crianças que deveriam estar nas carteiras escolares, não a disputar espaço com camiões numa estrada nacional.

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