Sábado, 17 de Outubro de 2026

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Corrida à liderança da ONU continua sem consenso entre as cinco potências

A escolha do próximo secretário-geral das Nações Unidas continua sem um candidato que reúna o apoio das cinco potências com assento permanente no Conselho de Segurança. A conclusão resulta de uma votação informal realizada na sexta-feira, 16 de Outubro, cujos resultados foram divulgados pela Associated Press e pela Reuters.

A votação integra o processo destinado a encontrar o sucessor de António Guterres, cujo mandato termina em 31 de Dezembro de 2026. Os cinco membros permanentes do Conselho de Segurança — Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França — dispõem de poder de veto, o que lhes permite bloquear a recomendação de um candidato, mesmo quando este reúne apoio de outros membros.

Segundo a Associated Press, a votação informal avaliou sete candidatos através de três categorias: incentivo, desencorajamento ou ausência de opinião. Pela primeira vez nesta fase do processo, foram utilizadas cédulas de cores diferentes para identificar se os votos negativos provinham dos membros permanentes ou dos restantes integrantes do Conselho.

Ex-Presidente do Senegal retira-se da corrida a secretário-geral da ONU

O antigo Presidente do Senegal, Macky Sall, anunciou hoje a retirada da sua candidatura ao cargo de secretário-geral da ONU, após uma votação indicativa do Conselho de Segurança que não conseguiu obter consenso. A decisão foi tomada com o objetivo de facilitar a escolha de uma candidatura unânime.

Entre os nomes em destaque encontram-se Rebeca Grynspan, da Costa Rica; Rafael Grossi, da Argentina; e Carolyn Rodrigues-Birkett, da Guiana. Os três candidatos receberam sinais de apoio, mas também votos de desencorajamento provenientes de membros permanentes, o que demonstra que nenhum conseguiu, até ao momento, ultrapassar todas as reservas das cinco potências.

A Reuters indicou que Grynspan liderava a votação informal, com nove votos de incentivo, cinco de desencorajamento e uma abstenção de opinião. A diplomata e economista defende reformas destinadas a tornar a ONU mais eficaz, incluindo a redução da burocracia, a eliminação de funções duplicadas e o reforço da capacidade de mediação de conflitos.

O processo de escolha do secretário-geral não se resume à classificação numa votação informal. O Conselho de Segurança deverá recomendar um nome à Assembleia Geral, sendo necessária uma maioria de pelo menos nove dos 15 membros e a ausência de veto por parte de qualquer dos cinco membros permanentes. A Assembleia Geral procede depois à nomeação formal.

A falta de consenso mantém aberta a possibilidade de surgirem novas candidaturas ou de serem realizadas novas rondas de consultas. A decisão final exige negociações diplomáticas, porque o futuro secretário-geral terá de trabalhar com Estados que mantêm posições divergentes sobre conflitos armados, financiamento das Nações Unidas, operações de paz e reformas institucionais.

A disputa também reacende o debate sobre a possibilidade de a organização eleger, pela primeira vez na sua história, uma mulher para o cargo. Apesar de esse aspecto ter adquirido visibilidade, a escolha dependerá da capacidade de um candidato reunir apoio suficiente e superar as objecções dos membros permanentes.

O resultado da votação não significa que o processo esteja bloqueado definitivamente. Significa, antes, que a fase actual ainda não produziu um nome capaz de reunir o consenso necessário entre as principais potências do Conselho de Segurança.

Fontes consultadas: Associated Press — votação não identifica candidato com apoio das cinco potências para liderar a ONU e Reuters — Rebeca Grynspan lidera a corrida à liderança da ONU, mas não há consenso.

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