Cláudio Braga: Andei a bolachas maria… e foi a melhor decisão da minha vida


Foi numa conversa em Oliveira do Douro (Vila Nova de Gaia) que Cláudio Braga explicou a BOLA o porquê de ter saído daquele cantinho confortável para ir para o frio da Noruega até… chegar ao pico da felicidade no Hearts.

— Nesta temporada, ele marcou mais gols no Hearts (17) do que havia feito nas equipes em que passou em Portugal, ao todo (13), entre as distritais da AF Porto e o Campeonato de Portugal: Rio Ave B, Valadares, Fátima, Ideal e Vila Meã. Que explicação você encontra para isso?
— Era muito mais imaturo, jogava a extremo, o que também influencia. Olhando para trás, cresci muito na Noruega, especialmente. Acho que me ajudou muito, porque são muito robóticos e era uma coisa que me faltava: eficácia no futebol. Para mim, o futebol era jogar bonito para as bancadas, mais do que perder ou ganhar… Claro que queria ganhar, mas, se marcasse um golo, fizesse duas cuecas e perdesse por 3-1, para mim era top. Aprendi na Noruega que o futebol não é assim.
— Bebeu um bocado de Haaland?
– [Risos] Sim, foi um pouco isso. Aprendi e melhorei muito na Noruega. Quando eu era mais moleque, não entendia muito bem o porquê de não estar dando, mas, olhando para trás e vendo que era muito imaturo, percebo.


Cláudio Braga destacou-se ao serviço dos noruegueses do Alesund entre 2024 e 2025 – Foto: IMAGO

— Ele me disse, em uma entrevista que fizemos em outubro, em Edimburgo, que não foi promessa em nenhum dos clubes pelos quais passou. Agora, não há dúvidas de que é uma das maiores certezas do Hearts. Como você vê essa evolução no futebol, desde a base até aqui?
— É fora do normal. É verdade que sempre lutei para ser jogador de futebol, mas não esperava isto. Sempre quis e dei o meu máximo para conseguir chegar o mais longe possível, mas a verdade é que quando estás lá é um bocado diferente. E depois uma pessoa começa a sentir que está a ficar velha. Eu tinha 22 ou 23 anos e pensava: ‘Ui, se não der para o ano, morri para o futebol’. Pensava muito nesse tipo de coisas, mas agora, olhando para trás, sei que estava só a ser precipitado e um bocadinho maluco.

— Nem para a Noruega queria ir…

— Não, eu não queria de jeito nenhum. Eu estava no Campeonato Brasileiro e achava que não fazia sentido ir para uma terceira liga da Noruega. No fundo, ainda acho que fazia um pouco de sentido não querer ir, porque não sabia as condições que ia ter. Não sabia o que ia ganhar, se ia ter casa… Nos primeiros tempos, andei de bolacha maria [risos]porque era o mais barato que tinha, e o clube não dava refeições. Não sabendo esse tipo de coisa, fica complicado querer ir logo para a Noruega, quando eu estava confortável aqui. Mas aí resolvi arriscar, sair do conforto, pra ver se dava alguma coisa, e acabou sendo a melhor decisão da minha vida.
— Encontrou a felicidade no Hearts?
— Sim, me sinto em casa desde que cheguei. Acho que me adaptei facilmente à Noruega, mas estamos falando de uma terceira liga, ou seja, era muito mais fácil me adaptar, apesar das condições climáticas e do idioma ser muito diferente. Chegar à Escócia e me adaptar tão facilmente, em um nível tão alto, não foi por acaso, mas porque eles foram incríveis comigo.
— Já teve propostas para sair?
— Neste momento, tenho dois anos de contrato e gosto muito de estar onde estou. Tudo o que sejam interesses é só com os meus empresários, estou fora disso.


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