Segundo a BBC News Brasil, a China reforçou seu domínio sobre um recurso crítico para a economia global: as terras raras. Com este movimento, Pequim ganha um trunfo estratégico nas negociações comerciais com os Estados Unidos.
No cenário do comércio internacional, a China restringiu a exportação de cinco elementos de terras raras, após já ter limitado outros sete. Agora, empresas estrangeiras precisarão de autorização governamental para importar até pequenas quantidades, declarando o uso pretendido. Na prática, isso amplia o controle chinês sobre 90% do mercado global, desde a extração até o refino e comércio.
As terras raras são 17 elementos químicos essenciais à tecnologia de ponta: celulares, chips, carros elétricos, radares, motores de aviões e equipamentos militares. Para produzir um caça F35, por exemplo, são necessários mais de 400 kg destes minerais.
A China construiu décadas de expertise em processamento e pesquisa, deixando os Estados Unidos em posição vulnerável. Um relatório governamental de 2023 alertou que a dependência americana de minérios estrangeiros é alta, tornando o país suscetível a pressões estratégicas.
Após o anúncio chinês, Donald Trump impôs tarifas de 100% sobre produtos chineses e prometeu maior controle sobre exportações americanas de softwares estratégicos. Pequim justificou as restrições como medida de conservação de recursos naturais.
Negociações comerciais seguem em aberto: representantes americanos e chineses se encontraram recentemente na Malásia para tratar de acordos sobre soja e acesso a terras raras. Enquanto isso, países como Austrália, Brasil e Rússia buscam expandir reservas e reduzir dependência da China.
Apesar do peso econômico das terras raras ser menos de 0,1% do PIB chinês, o seu valor estratégico é enorme. Analistas alertam que, se Pequim cessar o fornecimento, o impacto será sentido em toda a cadeia produtiva global, enquanto os trunfos americanos, como tarifas e restrições tecnológicas, têm efeito limitado.
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