Carlos Mourinho Assume Liderança da APIBA 2026/2027 Focando em Equilíbrio Regulatório e Combate ao Comércio Ilícito

Ricardo Trindade assume APIBA e promete enfrentar desafios do sector

Ricardo Trindade assume APIBA com meta clara: Regulamentação equilibrada e fim do comércio ilícito

A Associação dos Produtores e Importadores de Bebidas Alcoólicas (APIBA) oficializou nova liderança para o biénio 2026/2027, com Carlos Mourinho na presidência. A cerimónia de posse, que simboliza mais que uma mera troca administrativa, representa o compromisso de enfrentar desafios que se arrastam há anos no sector. Trindade, com a voz firme, destacou a missão de fortalecer o diálogo com o Governo e proteger os interesses das empresas associadas.

“Assumimos com grande responsabilidade esta liderança, porque sabemos o papel fundamental que a APIBA tem no tecido social e económico moçambicano,” afirmou o novo presidente, deixando claro que o caminho a seguir passa por consolidar avanços e alcançar novos patamares.

Esta indicação foi tornada pública nesta sexta-feira (05.12.2025), em Maputo, durante a cerimónia de tomada de posse do novo elenco directivo da APIBA.

A determinação do novo elenco, surge num momento crucial para a indústria de bebidas alcoólicas em Moçambique, um sector que representa um importante motor económico e fiscal no país.

Ricardo Trindade, agora à frente da associação, sabe que os próximos dois anos exigem uma postura firme diante de um cenário marcado por instabilidade regulatória, pressão fiscal e a crescente informalidade.

Regulamentação: a pedra no sapato do sector

Desde a fundação da APIBA, o quadro regulatório tem sido um nó difícil de desatar. Mourinho não esconde o peso que essa questão tem no dia-a-dia das produtoras e importadoras.

“São sempre os mesmos desafios que nos afectam: o regulamento sobre produção, comercialização, consumo, a selagem e os impostos específicos, sem esquecer a taxa ambiental,” explicou, destacando que a prioridade da direcção é “encontrar equilíbrios para que a aplicação dessas regras não estrangule a actividade económica”.

A pressão para conciliar rigor regulatório e viabilidade das empresas é enorme. O sector clama por um ambiente que não afaste investimentos, nem sobrecarregue as cadeias produtivas com burocracia e impostos que se sobrepõem.

Parceria com o Governo para acabar com a ilegalidade

O comércio ilícito é um dos grandes fantasmas da indústria. A circulação de bebidas contrafeitas, contrabandeadas ou produzidas sem controle técnico põe em risco a saúde pública e mina receitas do Estado.

“A APIBA quer ser parceira do Governo no combate a essas práticas,” garantiu Mourinho, frisando a importância de uma actuação conjunta e estruturada.

Mas o compromisso vai além da repressão. A associação planeia desenvolver campanhas para promover o consumo responsável, em colaboração com entidades públicas, privadas e a sociedade civil. Educação e sensibilização são armas fundamentais para mudar comportamentos.

CTA aposta na continuidade e exige clareza fiscal

A Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), presente na cerimónia, reforçou a importância estratégica da indústria para o desenvolvimento do país.

“A indústria de bebidas alcoólicas é um motor de formalização, emprego e inovação,” afirmou o representante da CTA.

Reconhecendo o trabalho da direcção anterior, a CTA vê na posse de Mourinho uma oportunidade para “reforçar a presença da APIBA como interlocutor maduro e tecnicamente respeitado”. Porém, advertiu para os entraves regulatórios que ainda persistem, em especial no domínio fiscal.

“É urgente evitar sobreposição de obrigações e dupla tributação, especialmente num sector que já contribui fortemente para as receitas públicas,” alertou.

Além disso, a CTA incentivou a APIBA a “potenciar cadeias de valor agrícolas nacionais”, fortalecendo a produção local de matérias-primas como milho, mandioca, cevada e malte, para reduzir dependências externas e aumentar a competitividade.

Objectivos internos e promessa de abastecimento

Para consolidar a representatividade do sector, a APIBA quer ampliar seu quadro de associados, atraindo mais produtores, importadores e distribuidores. “Queremos ser uma voz justa e equilibrada de todos,” garantiu Trindade.

No que toca ao abastecimento, o presidente assegurou que não haverá ruptura para a época festiva: “Produtoras trabalham em pleno, importadoras estão em processo de importação. Estamos garantidos, não há motivo para preocupação.”

A nova liderança da APIBA encara com realismo os desafios do sector, mas também com vontade de diálogo e parceria. O objectivo é simples: criar condições para que a indústria de bebidas alcoólicas possa crescer, gerar emprego, pagar impostos e contribuir para o desenvolvimento económico de Moçambique, sem sufocar as empresas com regras que só dificultam a vida já complicada dos seus agentes.

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