Agentes da Polícia da República de Moçambique (PRM) denunciam que cerca de quatro mil promoções, feitas desde 2023, não trouxeram reajuste salarial. A situação gera indignação dentro da corporação e abre espaço para acusações contra a actual liderança.
Os despachos de promoção existem, mas os salários continuam iguais. No entanto, um agente relatou que passou de guarda ou sargento para oficial, mudança que deveria render um incremento de 20 a 22 mil meticais. Apesar disso, o despacho que prometia efeitos imediatos só se traduz em aumentos depois de um a dois anos.
Muitos policiais financiaram as suas formações sozinhos. Alguns contraíram empréstimos bancários para estudar e esperavam retorno após a conclusão dos cursos. Contudo, o aumento nunca chegou.
“As nossas vidas pararam por causa das formações”, afirmam.
Os agentes responsabilizam Bernardino Rafael. Eles acusam o antigo comandante de organizar promoções “desordenadas” e fora dos requisitos legais. Com efeito, para os queixosos, a prática representa sabotagem interna e prejudica milhares de profissionais.
Os agentes afirmam sentir-se como “filhos de enteados” dentro da PRM. Por outro lado, a instituição dá prioridade a quem se forma na ACIPOL, deixando três a quatro mil colegas sem pagamento. Assim, a ausência de reajuste e o não pagamento de retroactivos minam o desempenho profissional e afectam famílias.
“A promoção é apenas um papel que não paga as contas”, dizem.
Os profissionais exigem solução imediata.
Portanto, os agentes afirmam que não pedem favores. Reivindicam apenas o que a lei já lhes garante: o direito de receber o salário justo pela promoção conquistada.
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