Quinta-feira, 22 de Outubro de 2026

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Sociedade

HERMENEGILDO MUNDLHOVO DEFENDE PAZ DURADOURA COM ENVOLVIMENTO DE TODA A SOCIEDADE

Director executivo do IMD apela à reconciliação nacional, ao diálogo inclusivo e à participação das confissões religiosas na prevenção de conflitos em Moçambique.

O director executivo do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mundlhovo, defende que a construção de uma paz duradoura em Moçambique exige o envolvimento de todos os sectores da sociedade, num contexto marcado por conflitos político-eleitorais recorrentes e pelo extremismo violento que afecta algumas regiões do norte do país.

A posição foi apresentada por Hermenegildo Mundlhovo durante uma Conferência sobre a Paz, no âmbito da campanha 50×50, promovida pelo Movimento Moçambique Primeiro. O encontro contou com a presença do Presidente da República, Daniel Francisco Chapo, do ministro da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, Mateus Saize, além de autoridades, líderes religiosos, representantes de partidos políticos, parceiros de cooperação, organizações da sociedade civil e outros participantes.

Na sua intervenção, o director executivo do IMD considerou que a campanha constitui um apelo à consciência dos cidadãos sobre a responsabilidade individual e colectiva na preservação da estabilidade nacional.

“A campanha 50×50, promovida pelo Movimento Moçambique Primeiro, e da qual fazemos parte todos os amantes da paz, constitui um forte apelo à consciência individual e colectiva sobre a responsabilidade que cada um de nós tem na construção de uma paz duradoura e efectiva”, afirmou Hermenegildo Mundlhovo.

O responsável reconheceu que a história de Moçambique tem sido marcada por sucessivos ciclos de conflito, associados às diferentes etapas da consolidação da democracia. Para além das crises de natureza político-eleitoral, destacou os desafios impostos pelo extremismo violento em algumas regiões do norte do país.

Apesar destas adversidades, Mundlhovo sublinhou a capacidade de resiliência dos moçambicanos, defendendo a necessidade de aprender com os retrocessos do passado e consolidar os progressos alcançados, com vista ao reforço da reconciliação, da unidade nacional e da estabilidade.

IMD destaca papel da sociedade na consolidação da paz

Para Hermenegildo Mundlhovo, a paz não deve ser compreendida apenas como ausência de guerra ou resultado de acordos entre lideranças políticas. Na sua perspectiva, a sua consolidação depende do compromisso permanente de toda a sociedade.

“A nossa história ensina-nos que a paz não pode ser entendida apenas como a ausência de guerra ou como o resultado de acordos alcançados entre lideranças políticas”, declarou o director executivo do IMD.

Mundlhovo acrescentou que a paz é um bem que deve ser protegido e cultivado diariamente, através de atitudes que promovam a convivência pacífica, a confiança e o respeito mútuo.

No quadro deste processo, atribuiu particular importância às confissões religiosas, considerando que estas desempenham um papel fundamental na promoção dos valores de fraternidade, solidariedade e respeito pelas diferenças.

O responsável defendeu igualmente a necessidade de fortalecer a confiança nas instituições e assegurar a inclusão dos cidadãos na construção de uma sociedade mais justa, coesa e harmoniosa.

É neste contexto que o IMD tem apoiado o Movimento Moçambique Primeiro, uma plataforma que reúne diferentes actores ligados às estruturas de promoção da paz baseadas na fé em Moçambique. Segundo Mundlhovo, a iniciativa reconhece a contribuição das igrejas e das organizações religiosas na promoção do diálogo, da reconciliação e da participação cidadã.

O director executivo considerou ainda indispensável a participação das organizações da sociedade civil, das comunidades locais, das mulheres, dos jovens e das lideranças tradicionais, além das instituições religiosas, na construção de uma arquitectura de paz sustentável.

Diálogo Nacional Inclusivo deve garantir participação dos cidadãos

Na sua intervenção, Hermenegildo Mundlhovo destacou o processo do Diálogo Nacional Inclusivo, lançado pelo Presidente da República, Daniel Chapo, como uma oportunidade para reflectir sobre as causas profundas dos conflitos e identificar soluções que permitam reforçar a confiança, a reconciliação e a unidade nacional.

Para o director executivo do IMD, o processo deve ultrapassar a procura de consensos entre as lideranças políticas e criar condições para que os cidadãos se sintam efectivamente representados nas decisões sobre o futuro do país.

“Esta oportunidade deve ir além da busca de consensos políticos. Deve também servir para criar condições que permitam que os cidadãos se sintam representados, escutados e verdadeiramente parte das decisões sobre o futuro do nosso país”, afirmou.

A posição defendida por Mundlhovo coloca a participação cidadã no centro dos esforços de reconciliação, salientando que a estabilidade nacional exige não apenas entendimentos políticos, mas também mecanismos de inclusão e diálogo que aproximem as instituições das comunidades.

Campanha 50×50 apela a compromisso com as próximas gerações

Ao abordar o significado da campanha, Hermenegildo Mundlhovo associou a mensagem de “50 anos de paz e mais 50 anos de paz” ao compromisso de construir um Moçambique mais unido, inclusivo, próspero e reconciliado para as próximas gerações.

O responsável defendeu que a paz deve ser encarada como uma responsabilidade diária, que exige o envolvimento de todos os moçambicanos, independentemente das suas diferenças políticas, religiosas ou sociais.

“Estamos a assumir que a paz não é uma meta distante, mas uma responsabilidade diária que pertence a todos nós”, declarou.

Na parte final da sua intervenção, o director executivo do IMD apelou a que a Conferência sobre a Paz produza resultados concretos, traduzidos em iniciativas capazes de transformar comportamentos, fortalecer as relações entre diferentes sectores da sociedade e incentivar os cidadãos a assumir um papel activo na prevenção de conflitos.

Mundlhovo manifestou, por isso, a expectativa de que o encontro constitua não apenas um espaço de reflexão, mas também de compromisso e acção, capaz de gerar ideias e mensagens que contribuam para a consolidação de uma paz duradoura em Moçambique.

A campanha 50×50 surge, neste contexto, como uma iniciativa de mobilização social em torno da reconciliação nacional, da inclusão e da responsabilidade colectiva, procurando reforçar o compromisso dos diferentes segmentos da sociedade com a estabilidade e a convivência pacífica no país.

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