As autoridades do distrito municipal de KaNyaka, na cidade de Maputo, pretendem reforçar a transformação e a conservação de produtos agrícolas e pesqueiros para reduzir as perdas alimentares e aumentar os rendimentos das comunidades locais. A iniciativa foi apresentada pelo administrador municipal, Izidro Mapanga, durante as celebrações do Dia Mundial da Alimentação, assinalado a 16 de Outubro.
Segundo informações publicadas pelo Diário Económico e pelo Radar Nacional, as perdas entre a produção e o consumo podem atingir 30%, constituindo um dos desafios para o aproveitamento económico dos produtos agrícolas e pesqueiros. O primeiro portal atribui a informação à Agência de Informação de Moçambique (AIM).
Durante a apresentação da iniciativa, Mapanga defendeu o reforço da cadeia de valor, com particular atenção à transformação local. O plano referido nas notícias inclui a promoção de pequenas unidades de processamento e a melhoria dos mecanismos de conservação de produtos como pescado, mandioca e batata-doce.
A conservação é especialmente relevante para produtos perecíveis, cujo valor comercial pode diminuir rapidamente quando não existem condições adequadas de armazenamento, refrigeração e transporte. A perda de produtos antes da sua chegada ao consumidor reduz o rendimento dos produtores, aumenta os custos e limita a quantidade de alimentos disponíveis nos mercados.
No sector pesqueiro, a melhoria da cadeia de frio pode ajudar a preservar a qualidade do pescado e a prolongar o período disponível para a comercialização. Na agricultura, a transformação da mandioca e da batata-doce em produtos derivados pode abrir oportunidades de negócio, diversificar as fontes de rendimento e diminuir a dependência da venda imediata da produção em fresco.

A directora nacional de Pesca e Aquacultura, Lucinda Mangue, citada nas informações divulgadas, apontou as alterações climáticas, a insuficiência de infra-estruturas de conservação e as dificuldades de acesso aos mercados como factores que prejudicam os produtores e pescadores. Defendeu igualmente o reforço do investimento em tecnologias, irrigação, mecanização e equipamentos de processamento.
A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), representada no evento por Alberto Di Grazia, destacou a importância de facilitar o acesso dos pequenos produtores a tecnologias, financiamento e mercados, com atenção particular às mulheres e aos jovens.
Apesar do potencial da iniciativa, a sua eficácia dependerá dos recursos disponíveis, do acesso à energia eléctrica, dos custos de operação dos equipamentos e da capacidade de comercializar os produtos transformados. Será também necessário acompanhar o número de produtores beneficiados e a redução efectiva das perdas.
A referência a perdas de até 30% deve ser interpretada com cautela: as informações consultadas não apresentam uma metodologia detalhada que permita determinar se esta proporção se aplica a todos os produtos, a todas as épocas do ano ou especificamente a KaNyaka.
Fontes consultadas: Diário Económico — KaNyaka quer reduzir perdas alimentares que podem atingir 30% e Radar Nacional — KaNyaka investe na conservação alimentar para reduzir perdas na produção.



