Com uma máxima de 37°C, a capital moçambicana terá um dia de céu limpo, calor intenso e poucas razões para sorrir. Tete chega aos 40°C, mas Maputo conhece outra forma de sofrimento: aquela em que o calor se mistura com o trânsito, a correria diária e a esperança de chegar a casa antes de o corpo desistir.
Maputo, 16 de Outubro de 2026 — O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê para esta sexta-feira um dia de sol em Maputo, com temperaturas que deverão variar entre os 22°C de mínima e os 37°C de máxima. A previsão é meteorológica; o desconforto, esse, promete ser bastante democrático, embora nem todos tenham o privilégio de enfrentá-lo debaixo de um aparelho de ar condicionado.
A capital acordará com o sol a nascer às 05h14 e a despedir-se às 17h56, segundo os dados divulgados pelo INAM. Será um daqueles dias em que o céu parece ter decidido colaborar com os planos de quem gosta de praia, passeios e fotografias ao ar livre, mas esqueceu-se de consultar quem precisa de apanhar um chapa lotado, atravessar a cidade ou trabalhar sob uma cobertura de zinco.
Às 05h14, quando o sol nascer, alguns habitantes de Maputo já estarão na rua. Não necessariamente por amor à madrugada, à natureza ou à disciplina pessoal, mas porque a vida tem horários que raramente respeitam o cansaço. Entre os primeiros passageiros nas paragens, os vendedores que preparam os seus produtos e os trabalhadores que iniciam longas deslocações, a cidade começará mais um dia de resistência quotidiana.
A temperatura mínima de 22°C poderá oferecer algum alívio nas primeiras horas da manhã. Mas convém não criar demasiadas expectativas: o INAM prevê que os termómetros subam até aos 37°C. A diferença entre a manhã e a tarde será, portanto, uma espécie de aviso oficial de que sair de casa com boa disposição não garante regressar com ela intacta.
O sol brilha, a cidade sua e a vida continua
Com o aumento da temperatura, as ruas poderão transformar-se em corredores de calor. O asfalto absorverá o sol, as viaturas acumularão temperatura e os passageiros continuarão a disputar espaço nos transportes públicos. Para quem trabalha ao ar livre, o cenário será ainda menos poético: o calor não paga salário, não reduz a jornada laboral e não aceita justificações por exaustão.
O sarcasmo da situação está precisamente aí. Enquanto os símbolos meteorológicos apresentam um sol sorridente, a realidade de muitos cidadãos será menos luminosa. O desenho parece simpático; a experiência, sobretudo nas horas mais quentes, poderá ser uma conversa bastante diferente.
E não será necessário procurar culpados no céu. O calor é um fenómeno meteorológico, mas a capacidade de enfrentá-lo também depende das condições em que as pessoas vivem e trabalham. Ter acesso a água, sombra, espaços ventilados e condições adequadas de transporte faz diferença. Nem todos dispõem dessas condições, e um boletim meteorológico, por mais exacto que seja, não as pode garantir.
Maputo não está sozinha no forno nacional
Embora o destaque recaia sobre a capital, o mapa das temperaturas apresentado pelo INAM mostra que o calor não ficará confinado à cidade das acácias. Tete deverá registar a temperatura máxima mais elevada entre as cidades incluídas na tabela, com 40°C, enquanto Xai-Xai poderá atingir 35°C.
Inhambane e Vilankulo terão máximas de 32°C; Beira, 31°C; e Chimoio, 33°C. Quelimane deverá chegar aos 32°C, Nampula aos 34°C e Pemba aos 31°C. Na região norte e no interior do País, Lichinga apresenta a previsão mais moderada da tabela, com 29°C de máxima e 16°C de mínima.
A comparação ajuda a colocar a situação de Maputo em perspectiva. A capital não terá a temperatura máxima mais elevada do País, mas os 37°C previstos serão suficientes para tornar o dia exigente, sobretudo para quem passa longas horas na rua ou em espaços pouco ventilados.
Tete, por sua vez, poderá chegar aos 40°C, uma temperatura que dispensa metáforas elaboradas. Quando o termómetro se aproxima desse valor, a prudência deixa de ser apenas uma recomendação simpática e passa a ser uma necessidade.
A Lua também tem agenda, mas não resolve o calor
Na secção de astronomia, o INAM indica que a Lua nascerá em Maputo às 08h58 e terá o ocaso previsto para as 23h25. O boletim identifica a fase lunar como crescente côncava.
A informação acrescenta uma nota curiosa ao retrato do dia: enquanto o Sol dominar as horas de maior actividade, a Lua seguirá o seu próprio percurso, indiferente aos problemas de quem procura um pouco de frescura. Será, pelo menos, uma presença celeste que não exige tarifa de transporte, não reclama horas extraordinárias e não precisa de ventilador.
O pôr-do-sol, previsto para as 17h56, poderá trazer algum alívio gradual, embora não seja prudente esperar que a cidade arrefeça imediatamente. O calor acumulado durante o dia pode prolongar o desconforto para além das horas de maior exposição solar.
Entre a previsão e a realidade, recomenda-se prudência
Perante as temperaturas previstas, é aconselhável beber água regularmente, procurar sombra sempre que possível, reduzir esforços físicos nas horas de maior calor e garantir ventilação adequada nos locais de trabalho e nas habitações. Crianças, idosos e pessoas particularmente vulneráveis ao calor merecem atenção acrescida.
A previsão do INAM é válida para sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, e refere-se às temperaturas máximas e mínimas esperadas para as cidades indicadas. Os valores previstos não significam que todos os bairros registarão exactamente as mesmas temperaturas, uma vez que as condições locais podem variar.
No fim, Maputo terá sol, céu aberto e uma máxima de 37°C. Para quem planeava um passeio, poderá ser um convite à cautela. Para quem trabalha na rua, será mais um desafio. E para quem esperava que a sexta-feira trouxesse alguma trégua, resta a consolação de que o Sol, pelo menos, cumpre pontualmente o seu horário.
Nascerá às 05h14. Despedir-se-á às 17h56. No intervalo, fará o seu trabalho sem reclamar.
A cidade, essa, continuará a fazer o seu — com ou sem sombra.
- Maputo prepara-se para mais um dia de calor: o sol não perdoa e a cidade também não

Com uma máxima de 37°C, a capital moçambicana terá um dia de céu limpo, calor intenso e poucas razões para sorrir. Tete chega aos 40°C, mas Maputo conhece outra forma de sofrimento: aquela em que o calor se mistura com o trânsito, a correria diária e a esperança de chegar a casa antes de o corpo desistir.
Maputo, 16 de Outubro de 2026 — O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê para esta sexta-feira um dia de sol em Maputo, com temperaturas que deverão variar entre os 22°C de mínima e os 37°C de máxima. A previsão é meteorológica; o desconforto, esse, promete ser bastante democrático, embora nem todos tenham o privilégio de enfrentá-lo debaixo de um aparelho de ar condicionado.
A capital acordará com o sol a nascer às 05h14 e a despedir-se às 17h56, segundo os dados divulgados pelo INAM. Será um daqueles dias em que o céu parece ter decidido colaborar com os planos de quem gosta de praia, passeios e fotografias ao ar livre, mas esqueceu-se de consultar quem precisa de apanhar um chapa lotado, atravessar a cidade ou trabalhar sob uma cobertura de zinco.
Às 05h14, quando o sol nascer, alguns habitantes de Maputo já estarão na rua. Não necessariamente por amor à madrugada, à natureza ou à disciplina pessoal, mas porque a vida tem horários que raramente respeitam o cansaço. Entre os primeiros passageiros nas paragens, os vendedores que preparam os seus produtos e os trabalhadores que iniciam longas deslocações, a cidade começará mais um dia de resistência quotidiana.
A temperatura mínima de 22°C poderá oferecer algum alívio nas primeiras horas da manhã. Mas convém não criar demasiadas expectativas: o INAM prevê que os termómetros subam até aos 37°C. A diferença entre a manhã e a tarde será, portanto, uma espécie de aviso oficial de que sair de casa com boa disposição não garante regressar com ela intacta.
O sol brilha, a cidade sua e a vida continua
Com o aumento da temperatura, as ruas poderão transformar-se em corredores de calor. O asfalto absorverá o sol, as viaturas acumularão temperatura e os passageiros continuarão a disputar espaço nos transportes públicos. Para quem trabalha ao ar livre, o cenário será ainda menos poético: o calor não paga salário, não reduz a jornada laboral e não aceita justificações por exaustão.
O sarcasmo da situação está precisamente aí. Enquanto os símbolos meteorológicos apresentam um sol sorridente, a realidade de muitos cidadãos será menos luminosa. O desenho parece simpático; a experiência, sobretudo nas horas mais quentes, poderá ser uma conversa bastante diferente.
E não será necessário procurar culpados no céu. O calor é um fenómeno meteorológico, mas a capacidade de enfrentá-lo também depende das condições em que as pessoas vivem e trabalham. Ter acesso a água, sombra, espaços ventilados e condições adequadas de transporte faz diferença. Nem todos dispõem dessas condições, e um boletim meteorológico, por mais exacto que seja, não as pode garantir.
Maputo não está sozinha no forno nacional
Embora o destaque recaia sobre a capital, o mapa das temperaturas apresentado pelo INAM mostra que o calor não ficará confinado à cidade das acácias. Tete deverá registar a temperatura máxima mais elevada entre as cidades incluídas na tabela, com 40°C, enquanto Xai-Xai poderá atingir 35°C.
Inhambane e Vilankulo terão máximas de 32°C; Beira, 31°C; e Chimoio, 33°C. Quelimane deverá chegar aos 32°C, Nampula aos 34°C e Pemba aos 31°C. Na região norte e no interior do País, Lichinga apresenta a previsão mais moderada da tabela, com 29°C de máxima e 16°C de mínima.
A comparação ajuda a colocar a situação de Maputo em perspectiva. A capital não terá a temperatura máxima mais elevada do País, mas os 37°C previstos serão suficientes para tornar o dia exigente, sobretudo para quem passa longas horas na rua ou em espaços pouco ventilados.
Tete, por sua vez, poderá chegar aos 40°C, uma temperatura que dispensa metáforas elaboradas. Quando o termómetro se aproxima desse valor, a prudência deixa de ser apenas uma recomendação simpática e passa a ser uma necessidade.
A Lua também tem agenda, mas não resolve o calor
Na secção de astronomia, o INAM indica que a Lua nascerá em Maputo às 08h58 e terá o ocaso previsto para as 23h25. O boletim identifica a fase lunar como crescente côncava.
A informação acrescenta uma nota curiosa ao retrato do dia: enquanto o Sol dominar as horas de maior actividade, a Lua seguirá o seu próprio percurso, indiferente aos problemas de quem procura um pouco de frescura. Será, pelo menos, uma presença celeste que não exige tarifa de transporte, não reclama horas extraordinárias e não precisa de ventilador.
O pôr-do-sol, previsto para as 17h56, poderá trazer algum alívio gradual, embora não seja prudente esperar que a cidade arrefeça imediatamente. O calor acumulado durante o dia pode prolongar o desconforto para além das horas de maior exposição solar.
Entre a previsão e a realidade, recomenda-se prudência
Perante as temperaturas previstas, é aconselhável beber água regularmente, procurar sombra sempre que possível, reduzir esforços físicos nas horas de maior calor e garantir ventilação adequada nos locais de trabalho e nas habitações. Crianças, idosos e pessoas particularmente vulneráveis ao calor merecem atenção acrescida.
A previsão do INAM é válida para sexta-feira, 16 de Outubro de 2026, e refere-se às temperaturas máximas e mínimas esperadas para as cidades indicadas. Os valores previstos não significam que todos os bairros registarão exactamente as mesmas temperaturas, uma vez que as condições locais podem variar.
No fim, Maputo terá sol, céu aberto e uma máxima de 37°C. Para quem planeava um passeio, poderá ser um convite à cautela. Para quem trabalha na rua, será mais um desafio. E para quem esperava que a sexta-feira trouxesse alguma trégua, resta a consolação de que o Sol, pelo menos, cumpre pontualmente o seu horário.
Nascerá às 05h14. Despedir-se-á às 17h56. No intervalo, fará o seu trabalho sem reclamar.
A cidade, essa, continuará a fazer o seu — com ou sem sombra.
- Maputo prepara-se para mais um dia de calor: o sol não perdoa e a cidade também não

- RECAPITALIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO: Migueias Adriano defende uma banca mais orientada para a economia real

Na obra Fundamentos da Recapitalização do Sistema Financeiro em Moçambique, o académico e gestor defende que a solidez bancária deve caminhar lado a lado com o financiamento das actividades produtivas, o fortalecimento das pequenas e médias empresas e a redução da dependência das importações.
A transformação económica de Moçambique exige um sistema financeiro sólido, mas também capaz de mobilizar recursos para os sectores produtivos. Esta é uma das principais mensagens de Fundamentos da Recapitalização do Sistema Financeiro em Moçambique, obra de 193 páginas da autoria de Migueias Adriano, que propõe uma reflexão sobre o papel da banca no crescimento económico e na construção de uma economia nacional mais diversificada e competitiva.
Leia mais abaixo:
- Não ao uso de algoritmos que ampliam injustiças e…

É a convição de David Ucama, perito em Direito administrativo, Direito ambiental e Direito penal, e Docente na Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em recentes depoimentos à Rádio Vaticano e comentando a Carta Encíclica do Papa Leão XIV Magnifica Humanitas (MH).
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
E Magnífica Humanidade do Papa Leão XIV, David Ucama destaca particolarmente três aspectos fundamentais e que vão ao encontro dos maiores desafios dos nossos dias: foco na dignidade da pessoa humana e não apenas nos interesses de poucos, o alerta tecnológico do Papa sobretudo contra o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e substituem decisões humanas sensíveis, e o apelo à paz.
Muitas pessoas ainda não têm acesso à tecnologia de ponta
Em Moçambique, reconhece o professor David Ucama, muitas pessoas e Comunidades ainda não têm acesso às tecnologias de ponta ou aos principais meios de IA, e “essas classes serão forçadas a pular etapas”, em situações em que máquinas que exigem tecnologias avançadas sejam impostas a elas. Daí, a importância do apelo do Papa Leão para que as tecnologias sirvam à dignidade humana e ao interesse de toda a humanidade, e não de poucos indivíduos”.
O Papa critica o uso de algoritmos que amplificam injustiças e exclusões…
O Papa destaca igualmente que a tecnologia não é moralmente neutra e critica o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e também substituem decisões humanas sensíveis, enfatiza David Ucama citando particularmente casos da medicina, direito ao trabalho “onde nós, Moçambicanos, ainda estamos a precisar e ainda estamos vocacionados a um trabalho braçal, ainda precisamos de médicos para cuidarem de nós”.
É fundamental, pois, resguardar por um lado tudo quanto se deve fazer para salvar a vida de outrem e, por outro, também aquilo que temos que fazer nós como humanos, para trabalhar e termos acesso ao direito do trabalho, sem que as maquinarias substituam o trabalho humano.
Promover diálogo e justiça social sem esquecer questão ambiental
Ucama sublinha, enfim, o apelo do Papa Leão à paz, alertando, sobretudo, contra o uso de sistemas de armas autônomas promovendo, em vez disso, o diálogo e a justiça social. Enfim, “a IA não deve ser usada para promover problemas, desmandos, ou interferências na vida privada, sob o risco de provocar guerras e conflitos”, remata o professor, sem esquecer a questão ambiental que bem lhe está a peito: “de fato, quem vai cuidar do nosso planeta, do ar, das águas, quem vai criar um sistema de prevenir os graves problemas ambientais (cheias, secas, degradação dos solos, a fome …), se nós não o fizermos?
Portanto, para David Ucama, a Magnífica Humanidade de Leão XIV está a chamar-nos a um uso adequado das tecnologias digitais e da IA (já que é praticamente impossível travar com as māos o seu uso), e nos alerta do risco “de um dia ficarmos sem comida, sem trabalho e sem alguém que trabalhe para nós, coisas essenciais para o ser humano”.
Magnifica Humanitas … sai da Igreja, sim, mas não é apenas da Igreja.
Um documento que sai da Igreja, sim, mas que não é só da Igreja, pois serve a toda a humanidade, um “documento a ser divulgado com todos os meios à disposição: com sessões.e encontros de conscientização, através do Rádio e TV, dos acadêmicos através de artigos científicos, e também das empresas que, às vezes, podem produzir tecnologias que prejudicam a criança e a pessoa humana em geral”, disse David Ucama ao finalizar.
Ouça aqui a entrevista com Prof. David Ucama, e compartilhe
Obrigado por ler este artigo. Se você quiser se manter atualizado, assine nossa newsletter clicando aqui e se inscreva no nosso canal do WhatsApp acessando aqui.
É a convição de David Ucama, perito em Direito administrativo, Direito ambiental e Direito penal, e Docente na Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em recentes depoimentos à Rádio Vaticano e comentando a Carta Encíclica do Papa Leão XIV Magnifica Humanitas (MH).
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
E Magnífica Humanidade do Papa Leão XIV, David Ucama destaca particolarmente três aspectos fundamentais e que vão ao encontro dos maiores desafios dos nossos dias: foco na dignidade da pessoa humana e não apenas nos interesses de poucos, o alerta tecnológico do Papa sobretudo contra o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e substituem decisões humanas sensíveis, e o apelo à paz.
Muitas pessoas ainda não têm acesso à tecnologia de ponta
Em Moçambique, reconhece o professor David Ucama, muitas pessoas e Comunidades ainda não têm acesso às tecnologias de ponta ou aos principais meios de IA, e “essas classes serão forçadas a pular etapas”, em situações em que máquinas que exigem tecnologias avançadas sejam impostas a elas. Daí, a importância do apelo do Papa Leão para que as tecnologias sirvam à dignidade humana e ao interesse de toda a humanidade, e não de poucos indivíduos”.
O Papa critica o uso de algoritmos que amplificam injustiças e exclusões…
O Papa destaca igualmente que a tecnologia não é moralmente neutra e critica o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e também substituem decisões humanas sensíveis, enfatiza David Ucama citando particularmente casos da medicina, direito ao trabalho “onde nós, Moçambicanos, ainda estamos a precisar e ainda estamos vocacionados a um trabalho braçal, ainda precisamos de médicos para cuidarem de nós”.
É fundamental, pois, resguardar por um lado tudo quanto se deve fazer para salvar a vida de outrem e, por outro, também aquilo que temos que fazer nós como humanos, para trabalhar e termos acesso ao direito do trabalho, sem que as maquinarias substituam o trabalho humano.
Promover diálogo e justiça social sem esquecer questão ambiental
Ucama sublinha, enfim, o apelo do Papa Leão à paz, alertando, sobretudo, contra o uso de sistemas de armas autônomas promovendo, em vez disso, o diálogo e a justiça social. Enfim, “a IA não deve ser usada para promover problemas, desmandos, ou interferências na vida privada, sob o risco de provocar guerras e conflitos”, remata o professor, sem esquecer a questão ambiental que bem lhe está a peito: “de fato, quem vai cuidar do nosso planeta, do ar, das águas, quem vai criar um sistema de prevenir os graves problemas ambientais (cheias, secas, degradação dos solos, a fome …), se nós não o fizermos?
Portanto, para David Ucama, a Magnífica Humanidade de Leão XIV está a chamar-nos a um uso adequado das tecnologias digitais e da IA (já que é praticamente impossível travar com as māos o seu uso), e nos alerta do risco “de um dia ficarmos sem comida, sem trabalho e sem alguém que trabalhe para nós, coisas essenciais para o ser humano”.
Magnifica Humanitas … sai da Igreja, sim, mas não é apenas da Igreja.
Um documento que sai da Igreja, sim, mas que não é só da Igreja, pois serve a toda a humanidade, um “documento a ser divulgado com todos os meios à disposição: com sessões.e encontros de conscientização, através do Rádio e TV, dos acadêmicos através de artigos científicos, e também das empresas que, às vezes, podem produzir tecnologias que prejudicam a criança e a pessoa humana em geral”, disse David Ucama ao finalizar.
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- Moçambique. Jovens da paróquia Santa Cruz em Nampula…

Os jovens da Paróquia Santa Cruz, na Arquidiocese de Nampula (norte de Moçambique) realizaram, nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma vigília de oração pela recuperação do Papa Leão XIV, um dia depois de o Santo Padre ter sido submetido a uma cirurgia torácica no Hospital Gemelli, em Roma. A iniciativa foi marcada pela celebração da fé, pela intercessão pela saúde do Pontífice e por orações pela paz em Moçambique.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
A iniciativa dos jovens da Paróquia Santa Cruz, organizada em coordenação com a paróquia, incluiu momentos de oração, recitação do Terço e adoração ao Santíssimo Sacramento, como expressão de solidariedade espiritual com o Santo Padre em um momento delicado de sua saúde.
Durante a meditação, o pároco padre Alberto Vieira, destacou que a oração de intercessão pela saúde do Santo Padre deve ser acompanhada de uma fé sincera e da confiança em Jesus Cristo. Segundo afirmou, os fiéis são chamados a reconhecer Cristo nas suas vidas e a permanecer unidos na oração, seguindo o exemplo de tantos cristãos que, em diferentes partes do mundo, se mobilizam espiritualmente pela saúde do Papa.
Segundo Benedito Xavier Veveve, representante da juventude paroquial, a decisão de realizar a vigília veio após os jovens tomarem conhecimento da cirurgia que o Papa seria submetido.
Vigília de oração e adoração pela recuperação do Papa Leão
Para além de rezarem pela recuperação do Papa Leão XIV, os jovens dedicaram as suas orações à Igreja em Moçambique e às Comunidades afectadas pelos conflitos armados, pela fome e pelo desentendimento entre os jovens.
Por sua vez, Gemima Calisto, outro jovem participante, afirmou que a necessidade de rezar pelos que atravessam momentos de sofrimento foi uma das principais motivações para participar na vigília.
Com essa iniciativa, os jovens da Paróquia Santa Cruz manifestaram sua proximidade espiritual com o Papa Leão XIV, unindo as orações por sua recuperação aos pedidos de paz, reconciliação e bem-estar para as Comunidades moçambicanas.
Ouça qui a reportagem e compartilhe
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Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
A iniciativa dos jovens da Paróquia Santa Cruz, organizada em coordenação com a paróquia, incluiu momentos de oração, recitação do Terço e adoração ao Santíssimo Sacramento, como expressão de solidariedade espiritual com o Santo Padre em um momento delicado de sua saúde.
Durante a meditação, o pároco padre Alberto Vieira, destacou que a oração de intercessão pela saúde do Santo Padre deve ser acompanhada de uma fé sincera e da confiança em Jesus Cristo. Segundo afirmou, os fiéis são chamados a reconhecer Cristo nas suas vidas e a permanecer unidos na oração, seguindo o exemplo de tantos cristãos que, em diferentes partes do mundo, se mobilizam espiritualmente pela saúde do Papa.
Segundo Benedito Xavier Veveve, representante da juventude paroquial, a decisão de realizar a vigília veio após os jovens tomarem conhecimento da cirurgia que o Papa seria submetido.
Vigília de oração e adoração pela recuperação do Papa Leão
Para além de rezarem pela recuperação do Papa Leão XIV, os jovens dedicaram as suas orações à Igreja em Moçambique e às Comunidades afectadas pelos conflitos armados, pela fome e pelo desentendimento entre os jovens.
Por sua vez, Gemima Calisto, outro jovem participante, afirmou que a necessidade de rezar pelos que atravessam momentos de sofrimento foi uma das principais motivações para participar na vigília.
Com essa iniciativa, os jovens da Paróquia Santa Cruz manifestaram sua proximidade espiritual com o Papa Leão XIV, unindo as orações por sua recuperação aos pedidos de paz, reconciliação e bem-estar para as Comunidades moçambicanas.
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- “Num mundo conturbado, revitalizar o amor e relançar…

Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.
Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo
Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.
Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.
Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.
Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios
Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.
Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …
“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.
Entrevista com a Profa. Sara IJ Laisse, ouça e compartilhe
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Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.
Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo
Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.
Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.
Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.
Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios
Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.
Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …
“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.
Entrevista com a Profa. Sara IJ Laisse, ouça e compartilhe
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- RECAPITALIZAÇÃO DO SISTEMA FINANCEIRO: Migueias Adriano defende uma banca mais orientada para a economia real

Na obra Fundamentos da Recapitalização do Sistema Financeiro em Moçambique, o académico e gestor defende que a solidez bancária deve caminhar lado a lado com o financiamento das actividades produtivas, o fortalecimento das pequenas e médias empresas e a redução da dependência das importações.
A transformação económica de Moçambique exige um sistema financeiro sólido, mas também capaz de mobilizar recursos para os sectores produtivos. Esta é uma das principais mensagens de Fundamentos da Recapitalização do Sistema Financeiro em Moçambique, obra de 193 páginas da autoria de Migueias Adriano, que propõe uma reflexão sobre o papel da banca no crescimento económico e na construção de uma economia nacional mais diversificada e competitiva.
Leia mais abaixo:
- Não ao uso de algoritmos que ampliam injustiças e…

É a convição de David Ucama, perito em Direito administrativo, Direito ambiental e Direito penal, e Docente na Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em recentes depoimentos à Rádio Vaticano e comentando a Carta Encíclica do Papa Leão XIV Magnifica Humanitas (MH).
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
E Magnífica Humanidade do Papa Leão XIV, David Ucama destaca particolarmente três aspectos fundamentais e que vão ao encontro dos maiores desafios dos nossos dias: foco na dignidade da pessoa humana e não apenas nos interesses de poucos, o alerta tecnológico do Papa sobretudo contra o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e substituem decisões humanas sensíveis, e o apelo à paz.
Muitas pessoas ainda não têm acesso à tecnologia de ponta
Em Moçambique, reconhece o professor David Ucama, muitas pessoas e Comunidades ainda não têm acesso às tecnologias de ponta ou aos principais meios de IA, e “essas classes serão forçadas a pular etapas”, em situações em que máquinas que exigem tecnologias avançadas sejam impostas a elas. Daí, a importância do apelo do Papa Leão para que as tecnologias sirvam à dignidade humana e ao interesse de toda a humanidade, e não de poucos indivíduos”.
O Papa critica o uso de algoritmos que amplificam injustiças e exclusões…
O Papa destaca igualmente que a tecnologia não é moralmente neutra e critica o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e também substituem decisões humanas sensíveis, enfatiza David Ucama citando particularmente casos da medicina, direito ao trabalho “onde nós, Moçambicanos, ainda estamos a precisar e ainda estamos vocacionados a um trabalho braçal, ainda precisamos de médicos para cuidarem de nós”.
É fundamental, pois, resguardar por um lado tudo quanto se deve fazer para salvar a vida de outrem e, por outro, também aquilo que temos que fazer nós como humanos, para trabalhar e termos acesso ao direito do trabalho, sem que as maquinarias substituam o trabalho humano.
Promover diálogo e justiça social sem esquecer questão ambiental
Ucama sublinha, enfim, o apelo do Papa Leão à paz, alertando, sobretudo, contra o uso de sistemas de armas autônomas promovendo, em vez disso, o diálogo e a justiça social. Enfim, “a IA não deve ser usada para promover problemas, desmandos, ou interferências na vida privada, sob o risco de provocar guerras e conflitos”, remata o professor, sem esquecer a questão ambiental que bem lhe está a peito: “de fato, quem vai cuidar do nosso planeta, do ar, das águas, quem vai criar um sistema de prevenir os graves problemas ambientais (cheias, secas, degradação dos solos, a fome …), se nós não o fizermos?
Portanto, para David Ucama, a Magnífica Humanidade de Leão XIV está a chamar-nos a um uso adequado das tecnologias digitais e da IA (já que é praticamente impossível travar com as māos o seu uso), e nos alerta do risco “de um dia ficarmos sem comida, sem trabalho e sem alguém que trabalhe para nós, coisas essenciais para o ser humano”.
Magnifica Humanitas … sai da Igreja, sim, mas não é apenas da Igreja.
Um documento que sai da Igreja, sim, mas que não é só da Igreja, pois serve a toda a humanidade, um “documento a ser divulgado com todos os meios à disposição: com sessões.e encontros de conscientização, através do Rádio e TV, dos acadêmicos através de artigos científicos, e também das empresas que, às vezes, podem produzir tecnologias que prejudicam a criança e a pessoa humana em geral”, disse David Ucama ao finalizar.
Ouça aqui a entrevista com Prof. David Ucama, e compartilhe
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É a convição de David Ucama, perito em Direito administrativo, Direito ambiental e Direito penal, e Docente na Universidade Católica de Moçambique (UCM) – Extensão de Maputo, em recentes depoimentos à Rádio Vaticano e comentando a Carta Encíclica do Papa Leão XIV Magnifica Humanitas (MH).
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
E Magnífica Humanidade do Papa Leão XIV, David Ucama destaca particolarmente três aspectos fundamentais e que vão ao encontro dos maiores desafios dos nossos dias: foco na dignidade da pessoa humana e não apenas nos interesses de poucos, o alerta tecnológico do Papa sobretudo contra o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e substituem decisões humanas sensíveis, e o apelo à paz.
Muitas pessoas ainda não têm acesso à tecnologia de ponta
Em Moçambique, reconhece o professor David Ucama, muitas pessoas e Comunidades ainda não têm acesso às tecnologias de ponta ou aos principais meios de IA, e “essas classes serão forçadas a pular etapas”, em situações em que máquinas que exigem tecnologias avançadas sejam impostas a elas. Daí, a importância do apelo do Papa Leão para que as tecnologias sirvam à dignidade humana e ao interesse de toda a humanidade, e não de poucos indivíduos”.
O Papa critica o uso de algoritmos que amplificam injustiças e exclusões…
O Papa destaca igualmente que a tecnologia não é moralmente neutra e critica o uso de algoritmos que ampliam injustiças, exclusões e também substituem decisões humanas sensíveis, enfatiza David Ucama citando particularmente casos da medicina, direito ao trabalho “onde nós, Moçambicanos, ainda estamos a precisar e ainda estamos vocacionados a um trabalho braçal, ainda precisamos de médicos para cuidarem de nós”.
É fundamental, pois, resguardar por um lado tudo quanto se deve fazer para salvar a vida de outrem e, por outro, também aquilo que temos que fazer nós como humanos, para trabalhar e termos acesso ao direito do trabalho, sem que as maquinarias substituam o trabalho humano.
Promover diálogo e justiça social sem esquecer questão ambiental
Ucama sublinha, enfim, o apelo do Papa Leão à paz, alertando, sobretudo, contra o uso de sistemas de armas autônomas promovendo, em vez disso, o diálogo e a justiça social. Enfim, “a IA não deve ser usada para promover problemas, desmandos, ou interferências na vida privada, sob o risco de provocar guerras e conflitos”, remata o professor, sem esquecer a questão ambiental que bem lhe está a peito: “de fato, quem vai cuidar do nosso planeta, do ar, das águas, quem vai criar um sistema de prevenir os graves problemas ambientais (cheias, secas, degradação dos solos, a fome …), se nós não o fizermos?
Portanto, para David Ucama, a Magnífica Humanidade de Leão XIV está a chamar-nos a um uso adequado das tecnologias digitais e da IA (já que é praticamente impossível travar com as māos o seu uso), e nos alerta do risco “de um dia ficarmos sem comida, sem trabalho e sem alguém que trabalhe para nós, coisas essenciais para o ser humano”.
Magnifica Humanitas … sai da Igreja, sim, mas não é apenas da Igreja.
Um documento que sai da Igreja, sim, mas que não é só da Igreja, pois serve a toda a humanidade, um “documento a ser divulgado com todos os meios à disposição: com sessões.e encontros de conscientização, através do Rádio e TV, dos acadêmicos através de artigos científicos, e também das empresas que, às vezes, podem produzir tecnologias que prejudicam a criança e a pessoa humana em geral”, disse David Ucama ao finalizar.
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- Moçambique. Jovens da paróquia Santa Cruz em Nampula…

Os jovens da Paróquia Santa Cruz, na Arquidiocese de Nampula (norte de Moçambique) realizaram, nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma vigília de oração pela recuperação do Papa Leão XIV, um dia depois de o Santo Padre ter sido submetido a uma cirurgia torácica no Hospital Gemelli, em Roma. A iniciativa foi marcada pela celebração da fé, pela intercessão pela saúde do Pontífice e por orações pela paz em Moçambique.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
A iniciativa dos jovens da Paróquia Santa Cruz, organizada em coordenação com a paróquia, incluiu momentos de oração, recitação do Terço e adoração ao Santíssimo Sacramento, como expressão de solidariedade espiritual com o Santo Padre em um momento delicado de sua saúde.
Durante a meditação, o pároco padre Alberto Vieira, destacou que a oração de intercessão pela saúde do Santo Padre deve ser acompanhada de uma fé sincera e da confiança em Jesus Cristo. Segundo afirmou, os fiéis são chamados a reconhecer Cristo nas suas vidas e a permanecer unidos na oração, seguindo o exemplo de tantos cristãos que, em diferentes partes do mundo, se mobilizam espiritualmente pela saúde do Papa.
Segundo Benedito Xavier Veveve, representante da juventude paroquial, a decisão de realizar a vigília veio após os jovens tomarem conhecimento da cirurgia que o Papa seria submetido.
Vigília de oração e adoração pela recuperação do Papa Leão
Para além de rezarem pela recuperação do Papa Leão XIV, os jovens dedicaram as suas orações à Igreja em Moçambique e às Comunidades afectadas pelos conflitos armados, pela fome e pelo desentendimento entre os jovens.
Por sua vez, Gemima Calisto, outro jovem participante, afirmou que a necessidade de rezar pelos que atravessam momentos de sofrimento foi uma das principais motivações para participar na vigília.
Com essa iniciativa, os jovens da Paróquia Santa Cruz manifestaram sua proximidade espiritual com o Papa Leão XIV, unindo as orações por sua recuperação aos pedidos de paz, reconciliação e bem-estar para as Comunidades moçambicanas.
Ouça qui a reportagem e compartilhe
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Os jovens da Paróquia Santa Cruz, na Arquidiocese de Nampula (norte de Moçambique) realizaram, nesta quarta-feira, 14 de outubro, uma vigília de oração pela recuperação do Papa Leão XIV, um dia depois de o Santo Padre ter sido submetido a uma cirurgia torácica no Hospital Gemelli, em Roma. A iniciativa foi marcada pela celebração da fé, pela intercessão pela saúde do Pontífice e por orações pela paz em Moçambique.
Cremildo Alexandre – Nampula, Moçambique
A iniciativa dos jovens da Paróquia Santa Cruz, organizada em coordenação com a paróquia, incluiu momentos de oração, recitação do Terço e adoração ao Santíssimo Sacramento, como expressão de solidariedade espiritual com o Santo Padre em um momento delicado de sua saúde.
Durante a meditação, o pároco padre Alberto Vieira, destacou que a oração de intercessão pela saúde do Santo Padre deve ser acompanhada de uma fé sincera e da confiança em Jesus Cristo. Segundo afirmou, os fiéis são chamados a reconhecer Cristo nas suas vidas e a permanecer unidos na oração, seguindo o exemplo de tantos cristãos que, em diferentes partes do mundo, se mobilizam espiritualmente pela saúde do Papa.
Segundo Benedito Xavier Veveve, representante da juventude paroquial, a decisão de realizar a vigília veio após os jovens tomarem conhecimento da cirurgia que o Papa seria submetido.
Vigília de oração e adoração pela recuperação do Papa Leão
Para além de rezarem pela recuperação do Papa Leão XIV, os jovens dedicaram as suas orações à Igreja em Moçambique e às Comunidades afectadas pelos conflitos armados, pela fome e pelo desentendimento entre os jovens.
Por sua vez, Gemima Calisto, outro jovem participante, afirmou que a necessidade de rezar pelos que atravessam momentos de sofrimento foi uma das principais motivações para participar na vigília.
Com essa iniciativa, os jovens da Paróquia Santa Cruz manifestaram sua proximidade espiritual com o Papa Leão XIV, unindo as orações por sua recuperação aos pedidos de paz, reconciliação e bem-estar para as Comunidades moçambicanas.
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- “Num mundo conturbado, revitalizar o amor e relançar…

Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.
Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo
Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.
Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.
Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.
Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios
Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.
Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …
“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.
Entrevista com a Profa. Sara IJ Laisse, ouça e compartilhe
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Para onde vai a humanidade e qual a presença do ser humano no trinômio “Homem-Máquina-Deus”, são questões que têm interessado Sara Antónia Joana Laisse, formada em temas da interculturalidade e diálogo entre as literaturas moçambicanas e as de outros lugares, Docente de Técnicas de Expressão na UCM – Extensão de Maputo e, nesta perspectiva, lê a Carta Encíclica Magnifica Humanitas (MH) do Papa Leão XIV sobre a salvaguarda da pessoa humana na era da inteligência artificial.
P. Bernardo Suate – Cidade do Vaticano
“A leitura da Encíclica Magnífica Humanidademe fez pensar ainda mais na questão da humanidade e sobre o seu destino; e também nos conflitos todos que possam existir face ao trinómio Homem-Máquina-Deus”, declarou Sara Laisse, em recente entrevista à Rádio Vaticano. Muitas vezes, de facto, se pensa que a máquina suplante o poder do ser humano, mas quem põe os dados na máquina é o homem e é, portanto, o homem que deve cuidar dela para que ela não o suplante, reitera a pesquisadora.
Construção da civilização do amor e revitalização do diálogo
Dois capítulos da Encíclica, observa Sara, ajudam particularmente nessa reflexão: o II Capítulo, que tem a ver com os fundamentos e princípios da Doutrina Social da Igreja e a igualdade entre os seres humanos; e o cap. V, principalmente quando se refere à construção da civilização do amor e da revitalização do diálogo. A ideia da revitalização se centra na fraternidade, no encontro com o outro, na verdadeira escuta e no tempo para estar juntos, enfatiza a Professora universitária.
Sara Laisse destaca igualmente que a Igreja não nega nem se opõe à IA, ela todos nos recorda, pelo contrário, a importância de a utilizarmos com cautela pois, no fundo, “IA é um ‘pau de dois gumes’ que tanto nos pode fazer evoluir e diminuir o esforço que tenhamos de fazer de forma sofrida, enquanto humanos, mas ao mesmo tempo pode também nos destruir, se a não soubermos usar com cautela”.
Enfim, “se nós nos deixarmos seduzir pelas máquinas elas podem depois nos abandonar e tomarem o poder sobre nós”, adverte Sara, apontando para a Encíclica do Papa que sempre nos lembra que podemos, certamente, utilizar as máquinas, mas sempre recordando que nós somos humanos e devemos permanecer tais. “A decisão final sobre a máquina está nas mãos do homem, este homem que é filho de Deus”, conclui Sara.
Divulgar a Magnífica Humanidade por todos os meios
Para Sara Laisse, num mundo conturbado como o nosso, é urgente construir a civilização do amor e relançar por todos os meios o diálogo, como insiste a Magnífica Humanidadee todas as instituições devem estar envolvidas nesse esforço, entre elas a Igreja, via homilias ou outros meios, para fazer chegar ao homem a mensagem e chamá-lo à razão de sua existência e lugar no mundo. Mas também a arte pode nos trazer alguma realidade, a partir da qual nós possamos criar ou manter e revitalizar a ideia do amor fraterno que constrói a humanidade, sobretudo perante uma humanidade que parece decidida a destruir-se, sublinha Sara a terminar.
Todas as instituições devem estar envolvidas neste esforço …
“É, por conseguinte, importante que a Magnífica Humanidade seja largamente difundida, em pedaços pequenos e em formatos e gêneros diferentes e artísticos, e colocada a serviço do homem, chamando-o à atenção da sua função na terra, sem esquecer a questão ambiental e a preservação do planeta – e a arte nos pode também ajudar a chegar lá, à revitalização do amor, e a espalhar a boa nova que esta Encíclica no traz”, ressalta Sara em conclusão.
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