O Governador do Banco de Moçambique, Felisberto Navalha, recebeu, esta quarta-feira, 7 de Outubro, na sede da instituição, representantes do sector privado, no âmbito do reforço do diálogo com os agentes económicos.
Na ocasião, Felisberto Navalha destacou a importância destes encontros para uma melhor compreensão dos desafios que afectam o sector empresarial e para o reforço da coordenação entre os diferentes intervenientes da economia nacional.
DIÁLOGO PERMITE IDENTIFICAR CONSTRANGIMENTOS E OPORTUNIDADES
Segundo o Governador, o diálogo com o sector privado permite aos formuladores de política económica compreender melhor os efeitos da conjuntura económica sobre as empresas, identificar os principais constrangimentos ao investimento e à expansão da produção, bem como reconhecer oportunidades que possam ser aproveitadas.
“Este espaço de diálogo é, assim, uma oportunidade para aprofundar essa compreensão e reforçar o compromisso conjunto com a estabilidade macroeconómica e o crescimento sustentável do País.”
Felisberto Navalha explicou que a exposição do País a sucessivos choques internos e externos condiciona o funcionamento da economia nacional, exacerba as incertezas para as famílias e empresas e limita a capacidade de investimento nos sectores produtivos.
Neste contexto, fez referência à aprovação, pelo Comité de Política Monetária do Banco de Moçambique, a 30 de Setembro último, de um regime temporário de reservas obrigatórias, que permite às instituições de crédito deduzir, na componente de reservas obrigatórias em moeda nacional, novos financiamentos destinados à substituição de importações e ao aumento das exportações.
Aos referidos financiamentos será aplicada a taxa MIMO, acrescida de uma margem máxima de 150 pontos base, conforme a finalidade.
BANCO APELA AO SECTOR PRIVADO PARA DINAMIZAR PRODUÇÃO
O Governador exortou, igualmente, a uma participação activa do sector privado no aumento da produtividade e na diversificação da base produtiva nacional, tendo reiterado a importância de os agentes económicos conhecerem e acederem ao mecanismo de financiamento disponibilizado pelo Banco de Moçambique.
Sublinhou que o sucesso desta medida dependerá da sua efectiva utilização pelas empresas.
“Para o Banco de Moçambique, a preservação da estabilidade de preços constitui uma prioridade fundamental, na medida em que proporciona maior previsibilidade à definição de preços, ao planeamento do investimento e às decisões de financiamento.”
MERCADO CAMBIAL E USO DE CARTÕES EM DESTAQUE
Felisberto Navalha abordou também a assimetria de informação e as incongruências que caracterizam o actual funcionamento do mercado cambial.
Neste domínio, frisou que a autoridade cambial vai implementar, a breve trecho, uma plataforma que permitirá acompanhar, em tempo real, o funcionamento do mercado, contribuindo para maior transparência e eficiência.
O encontro serviu igualmente para abordar a entrada em funcionamento da central de monitoria do uso de cartões bancários para pagamentos ao exterior, medida que visa promover maior disciplina na utilização destes cartões.
A central permite consolidar e disseminar informação sobre a utilização de cartões bancários no exterior por titular, independentemente da instituição de crédito emitente.
As empresas participantes no encontro enalteceram a abertura demonstrada pelo Banco de Moçambique e manifestaram a sua disponibilidade para cooperar na operacionalização das reformas em curso.


