Director do Instituto para a Democracia Multipartidária destaca participação de mulheres e jovens, papel das confissões religiosas e necessidade de combater o extremismo violento
O director do Instituto para a Democracia Multipartidária (IMD), Hermenegildo Mundlovo, defendeu o reforço da cooperação entre as confissões religiosas e os diferentes sectores da sociedade moçambicana como forma de consolidar a paz, a reconciliação e a coesão nacional. A posição foi apresentada durante a IX Conferência Nacional Religiosa, que decorre sob o lema “Celebrar a Diversidade Religiosa, promovendo os laços da fraternidade entre os moçambicanos”.
No seu discurso, Mundlovo considerou que a conferência constitui uma oportunidade para reflectir sobre a responsabilidade colectiva na construção de uma sociedade pacífica, inclusiva e participativa. “É com grande alegria que participamos nesta IX Conferência Nacional Religiosa sob o lema ‘Celebrar a Diversidade Religiosa, promovendo os laços da fraternidade entre os moçambicanos’. Este encontro é mais do que uma celebração: é um convite à reflexão sobre o papel que cada um de nós desempenha na construção de uma sociedade pacífica, inclusiva e vibrante”, afirmou.
O director do IMD destacou igualmente a importância da participação de mulheres e jovens nos processos de paz, considerando que a inclusão destes grupos é indispensável para a consolidação da reconciliação e da coesão nacional.
Neste contexto, referiu a aprovação do Novo Plano Mulher, Paz e Segurança, cujo lançamento, segundo indicou, está para breve. Para Mundlovo, o instrumento representa um passo importante para assegurar uma participação mais efectiva das mulheres nos processos de reconciliação e construção da paz.
“A aprovação do Novo Plano Mulher, Paz e Segurança, cujo lançamento está para breve, representa um marco essencial para garantir que as mulheres estejam plenamente envolvidas na reconciliação e na construção da paz”, declarou.
Mundlovo defendeu ainda a adopção da Agenda Jovens, Paz e Segurança em Moçambique, argumentando que a participação da juventude deve ocupar um lugar central nos esforços de construção da paz e promoção da fraternidade entre os moçambicanos.
“Da mesma forma, urge que avancemos para a adopção da Agenda Jovens, Paz e Segurança em Moçambique, pois os jovens são a maioria da nossa população e a sua inclusão é indispensável para que a diversidade religiosa e social se traduza em verdadeira fraternidade e coesão nacional”, afirmou.
Confissões religiosas como actores de paz
Na sua intervenção, o director do IMD atribuiu às confissões religiosas um papel relevante na preservação da harmonia social e na promoção do diálogo entre diferentes grupos da sociedade.
“As confissões religiosas têm sido, ao longo da nossa história, pilares de harmonia social e parte essencial da infraestrutura de paz em Moçambique”, disse Mundlovo, acrescentando que as igrejas têm contribuído para aproximar os cidadãos e superar divisões, sobretudo em períodos marcados por tensão social.
“As igrejas aproximam os moçambicanos, ajudam-nos a superar divisões e desempenham um papel mobilizador e reconciliador, especialmente após momentos de tensão e manifestações”, afirmou.
Mundlovo defendeu, por isso, que a diversidade religiosa deve ser encarada como um elemento de união e não como factor de divisão. Na sua perspectiva, a pluralidade das confissões religiosas pode contribuir para fortalecer uma identidade colectiva assente nos valores democráticos, no diálogo e na fraternidade.
“A diversidade religiosa não deve ser vista como um fator de separação, mas como uma riqueza que fortalece a nossa identidade colectiva e nos inspira a construir uma sociedade baseada em valores democráticos e na fraternidade”, sublinhou.
Extremismo violento continua a desafiar a paz
A situação de segurança em Cabo Delgado também esteve entre as preocupações apresentadas por Mundlovo. O director do IMD considerou que a consolidação da paz em Moçambique passa necessariamente pela capacidade de enfrentar o extremismo violento que continua a afectar aquela província.
“Recordemos que a paz só será completa quando conseguirmos enfrentar e superar os desafios impostos pelo extremismo violento, incluindo o que persiste em Cabo Delgado”, afirmou.
Segundo Mundlovo, o fenómeno tem provocado sofrimento e divisões nas comunidades e, embora apresente dimensões associadas à religião, não deve ser interpretado exclusivamente a partir dessa perspectiva.
“Este fenómeno tem causado dor e divisão, e embora carregue feições religiosas, não pode ser explicado apenas por essa dimensão”, declarou.
É neste contexto que Mundlovo considera que as confissões religiosas podem desempenhar uma função importante na prevenção de conflitos e na reconstrução dos laços comunitários, devido à sua capacidade de mobilização e à influência que exercem junto das comunidades.
“É precisamente aqui que as igrejas e confissões religiosas desempenham um papel fundamental: pela sua força mobilizadora, pela capacidade de unir comunidades e pela autoridade moral que possuem para promover diálogo inclusivo e reconciliação”, sustentou.
IMD reafirma compromisso com iniciativas de paz
O director do IMD afirmou ainda que a instituição, em parceria com o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, pretende continuar a apoiar iniciativas promovidas pelas confissões religiosas que contribuam para a consolidação da paz e para o combate ao extremismo violento.
“Como o IMD, em parceria com o Ministério da Justiça, Assuntos Constitucionais e Religiosos, reafirmamos o nosso compromisso de apoiar todas as iniciativas religiosas que visem consolidar a paz e combater o extremismo violento”, disse.
Para Mundlovo, a estabilidade social constitui uma condição necessária para o fortalecimento da democracia e para a participação efectiva dos cidadãos na vida pública.
“A democracia só floresce num ambiente de tranquilidade e concordia”, afirmou, acrescentando que a IX Conferência Nacional Religiosa, integrada na Quinzena da Paz, que culmina no dia 4 de Outubro, representa um momento de reflexão sobre a responsabilidade colectiva na construção da paz.
“Esta conferência, integrada na quinzena da paz que culmina no dia 4 de Outubro, é um marco de esperança, união e responsabilidade colectiva”, concluiu.