CRIME PREMEDITADO NO SERVIÇO POSTAL: EX-COMPANHEIRA E GUARDA PRISIONAL CONDENADOS À PRISÃO PERPÉTUA PELA EXECUÇÃO DE CARTEIRO NOS EUA
Investigação da Polícia de Longmont e dos Inspectores Postais federais desmantelou uma conspiração motivada por uma disputa de custódia infantil, recorrendo a câmeras de vigilância, dados de GPS e rastreio de scanners.
Uma acesa disputa judicial pela guarda de uma criança de cinco anos culminou na execução premeditada de Jason Schaefer, de 33 anos, um carteiro do Serviço Postal dos Estados Unidos abatido em pleno dia durante a sua rota de trabalho em Somerset Meadows, na cidade de Longmont, Estado do Colorado. As investigações levadas a cabo pelas autoridades policiais e pelos inspectores postais federais desmascararam um plano minucioso urdido pela sua ex-companheira, Devon Shriner, de 26 anos, com a cumplicidade directa do seu namorado, Andrew James Richie, um guarda prisional federal de 34 anos. Ambos cumprem actualmente penas de prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
A Execução na Rota Postal e os Primeiros Indícios
O crime ocorreu por volta do meio-dia de uma quarta-feira, quando Jason Schaefer cumpria as suas últimas entregas de correio. Câmeras de vigilância do sistema Nest instaladas em residências vizinhas registaram o momento em que a figura encapuzada e de máscara se aproximou da vítima e disparou à queima-roupa, sem qualquer discussão prévia ou hesitação, fugindo em seguida a pé. Jason Schaefer foi atingido na face e, apesar das manobras de reanimação e do transporte de emergência para o hospital, acabou por sucumbir aos ferimentos.
Em declarações prestadas à Polícia de Longmont logo após o incidente, o supervisor de trabalho da vítima revelou que Jason enfrentava sérios litígios judiciais com a mãe do seu filho de cinco anos, Devon Shriner, que também trabalhava no serviço postal noutra localidade. Apenas dois dias antes do homicídio, Jason tinha submetido novos documentos judiciais para obter a custódia total do menor.
Nas palavras do supervisor recolhidas pelos investigadores:
«Na sexta-feira, o advogado dele submeteu papéis… eles estavam numa grande batalha pela custódia, mas ela não tem falado com ele, por isso ele submeteu mais papéis para poder ter mais tempo com o filho».
A Revelação da Irmã e a Conexão ao Guarda Prisional
O rumo do caso sofreu uma viragem decisiva durante o interrogatório de Rosa, irmã mais nova de Devon Shriner. Rosa revelou aos investigadores que, após ter deixado de viver com a irmã, tinha passado a residir com Jason e a manter um relacionamento amoroso com ele, o que intensificou o ressentimento de Devon.
Rosa informou ainda a polícia sobre a existência de “AJ” (Andrew James Richie), o novo namorado de Devon, indicando que este possuía acesso a armas de fogo e que o seu nome já fora utilizado em ameaças anteriores contra a vítima.
Conforme relatou Rosa em sede de interrogatório:
«Ela ameaçou o Jason… ela disse: ‘Se não fizeres isto, o AJ sabe onde moras e tem as armas dele’».
A Estratégia Policial e o Confronto com as Provas
Para interrogar Devon Shriner sem alertar potenciais cúmplices, a polícia recolheu o filho da vítima na creche e levou-o para a esquadra, forçando Devon a deslocar-se às instalações policiais para reaver o menor.
Durante o interrogatório conduzir pelo Detective Desmond, Devon mostrou uma reacção invulgarmente fria ao ser informada do falecimento de Jason Schaefer. Em seguida, o detective confrontou a suspeita com um conjunto substancial de provas materiais recolhidas em poucas horas:
- A presença da sua viatura pessoal (um Nissan preto) nas imediações do local do crime.
- O facto do seu scanner de trabalho ter sido desligado e deixado estacionário na residência do seu namorado AJ durante mais de três horas no período em que deveria estar a realizar entregas.
- As imagens de vídeo que mostravam o atirador com uma estatura e vestuário semelhantes aos seus.
Ao perceber que as autoridades dispunham de elementos conclusivos, Devon Shriner invocou o direito a assistência jurídica:
«Com todas estas coisas que estão a dizer que vão fazer, parece-me que preciso de ter um advogado ou pedir um advogado».
Desmantelamento do Álibi e a Lei de Cumplicidade
A investigação prosseguiu com a localização e interrogatório de Andrew James Richie no seu local de trabalho, onde exercia funções como guarda prisional federal. Embora Richie tenha inicialmente afirmado que se encontrava num restaurante no momento do crime e que apenas tentara demover Devon, a análise minuciosa aos dados de localização do seu telemóvel e GPS desmentiu categoricamente o seu relato.
Os registos provaram que Richie esteve na zona de Longmont a monitorizar a rota do carteiro durante quase três horas antes da execução, mantendo contacto telefónico contínuo com Devon. A extracção de dados dos telemóveis dos suspeitos recuperou mensagens com vários meses onde Richie encorajava pensamentos violentos de Devon contra Jason e a sua irmã Rosa, sugerindo inclusivamente simular um homicídio seguido de suicídio.
Veja o vídeo
O caso culminou na acusação de ambos os envolvidos por homicídio qualificado após deliberação (first-degree murder after deliberation). Andrew James Richie foi julgado ao abrigo da Lei de Cumplicidade do Estado do Colorado (Colorado’s Complicity Law), enquadramento legal que atribui a mesma responsabilidade penal e pena ao cúmplice que auxilia no planeamento e execução, mesmo não tendo puxado o gatilho.
Em Março de 2023, Devon Shriner foi julgada culpada e sentenciada à prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional. Seis meses mais tarde, Andrew James Richie recebeu a mesma condenação, encerrando um processo que chocou o Serviço Postal norte-americano e as comunidades de Longmont e Loveland.