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SAÚDE INCLUSIVA EM SOFALA: AUSÊNCIA DE INTÉRPRETES NAS UNIDADES SANITÁRIAS COMPROMETE ATENDIMENTO E PRIVACIDADE DE DOENTES COM DEFICIÊNCIA AUDITIVA

Associação dos Surdos de Moçambique em Sofala aproveita as comemorações do Dia Mundial do Surdo para exigir a capacitação de médicos e enfermeiros em língua de sinais e alertar para as barreiras de comunicação no sector da saúde.

A falta de intérpretes de língua de sinais nas unidades sanitárias da província de Sofala continua a constituir uma barreira crítica ao acesso pleno aos cuidados de saúde por parte dos cidadãos com deficiência auditiva, comprometendo não apenas o diagnóstico médico, mas também o direito fundamental ao sigilo e à privacidade do doente[1]. O alerta foi lançado pela Associação dos Surdos de Moçambique em Sofala no âmbito da semana comemorativa do Dia Mundial do Surdo, numa reportagem emitida pela Televisão de Moçambique (TVM)[1].

O Dilema da Privacidade e as Barreiras na Consulta Médica

Segundo os dados avançados pela TVM junto da agremiação, o modelo actual de atendimento impõe sérios constrangimentos aos doentes surdos[1]. A necessidade de recorrer a terceiros ou intérpretes durante a consulta médica acaba por expor a intimidade do paciente, uma vez que a comunicação sobre os sintomas deixa de ser restrita ao profissional de saúde e ao doente[1].

Em declarações recolhidas pela TVM, o representante da Associação dos Surdos de Moçambique em Sofala descreveu detalhadamente o constrangimento vivido nos serviços de saúde:

> *«A participação do intérprete aí entre o doente doente com pessoa com deficiência auditiva e o intérprete… muitas situação de descobrir que o que a pessoa com deficiência auditiva sente… só tem que ser entre o doente e o enfermeiro para comunicação da preocupação da doença que a pessoa deficiência tem. Agora por isso a pessoa com deficiência auditiva quando tem três pessoas é difícil para informar o que sente»*[1].

Para contornar esta vulnerabilidade e garantir o sigilo médico, a agremiação defende que a solução passa pela formação e capacitação directa dos quadros clínicos das unidades sanitárias[1].

> «A importância agora de levar um intérprete e incluir na consulta… não, mas todos os enfermeiros e médicos têm que aprender», sublinhou a mesma fonte à TVM[1].

Semana Comemorativa: Sensibilização e Mobilização Social

As reflexões sobre a expansão da língua de sinais no sector da saúde inserem-se no programa da semana de comemorações do Dia Mundial do Surdo, que decorre de 21 a 29 de Setembro, sob o lema da consciencialização social para os direitos e inclusão da pessoa com deficiência auditiva[1].

O calendário de actividades da associação arrancou na segunda-feira, contemplando visitas a diversas instituições públicas e sociais[1]. Na quarta-feira, a comitiva esteve no Instituto Nacional de Formação Profissional (INFP), visando sensibilizar os actores institucionais para a integração socioprofissional da comunidade surda[1].

O ponto alto das comemorações terá lugar na sexta-feira, dia 29 de Setembro, com a realização de uma marcha de mobilização social[1]. De acordo com o programa divulgado pela organização, os participantes concentram-se às 07:00 horas na Praça do Município, na Baixa da cidade, estando o início do desfile marcado para as 09:00 horas, com trajecto até ao Pavilhão de Desportos[1].

Contexto e Impacto no Sector da Saúde

A passagem do Dia Mundial do Surdo, assinalado formalmente a 27 de Setembro, traz ao debate público a necessidade premente de acções concretas para a remoção de barreiras atitudinais e linguísticas no sistema nacional de saúde[1]. A impossibilidade de estabelecer uma comunicação directa e confidencial afasta cidadãos com deficiência auditiva dos serviços preventivos e pode levar a falhas de diagnóstico[1].

A Associação dos Surdos de Moçambique em Sofala reafirma que a verdadeira inclusão no sector sanitário depende da massificação do ensino da língua de sinais para médicos e enfermeiros, assegurando que o atendimento médico seja um acto de dignidade, equidade e respeito pelos direitos humanos de todos os moçambicanos[1].