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Dinâmicas Partidárias: A Exigência de Resultados na Frelimo e a Inércia da Oposição

• Quem: Estruturas de direcção do partido Frelimo e partidos da oposição (Renamo, MDM, Podemos).
• O quê: Reestruturação do comité provincial de Gaza e escolha interina na Cidade de Maputo contraposta à inércia do trabalho político da oposição no terreno.
• Quando: Processo político em curso na sequência da 11.ª Conferência Nacional de Quadros da Frelimo.
• Onde: Província de Gaza, Cidade de Maputo e ausência notada nas províncias de Tete, Nampula e Cabo Delgado.
• Como: Rigor de gestão imposto pelo Secretário-Geral da Frelimo e encastelamento da oposição em gabinetes da capital e hotéis.
• Porquê: Necessidade de prestação de contas dos mandatos autárquicos e falha da oposição em mobilizar bases populares.
• Impacto: Proposta de revisão da Lei do Líder da Oposição para exigir assento parlamentar obrigatório.

A Reestruturação Interna da Frelimo e o Rigor na Gestão

O panorama político moçambicano é marcado por um contraste vincado no ritmo de trabalho dos principais partidos. A Frelimo concluiu recentemente a sua 11.ª Conferência Nacional de Quadros prossegue um plano dinâmico de reorganização das suas estruturas territoriais.

Na província de Gaza, o partido governamental procedeu à eleição de Almeida Ngolume (ex-administrador distrital de Segubo/Mapai) como novo Secretário do Comité Provincial. Já na Cidade de Maputo, perante a necessidade de substituir António Niquice e gerir consensos entre facções locais, a Comissão Política optou por indicar interinamente João Mudema, antigo dirigente do partido em Inhambane.

Salomão Moyana elogiou a postura do Secretário-Geral da Frelimo, que tem percorrido o país a exigir 100% de cumprimento dos manifestos eleitorais aos edis municipais, rejeitando justificações baseadas em realizações parciais de 40% ou 50%. O analista defendeu a consolidação de João Mudema na capital por se tratar de um quadro idóneo e imune às disputas de influências locais.

A Crítica à Oposição e a Proposta de Reforma do Estatuto do Líder da Oposição

Em sentido oposto, Salomão Moyana dirigiu duras críticas ao desempenho dos partidos da oposição — designadamente a Renamo, o MDM e o Podemos. O analista acusou os seus líderes de estarem ‘adormecidos’ em gabinetes da capital, Maputo, ou limitados a eventos em hotéis, alimentando a ilusão de que a Comissão Nacional de Eleições (CNE) salvará os seus resultados eleitorais.

Moyana destacou que figuras de proa como Lutero Simango ou Ossufo Momade raramente visitam províncias decisivas como Tete, Nampula ou Cabo Delgado para auscultar as populações, limitando a sua actuação a feiras na capital ou deslocações à Beira.

“A Frelimo, com todas as críticas que se lhe possam fazer, está a trabalhar e a mexer as suas estruturas. Onde está a oposição? Estão adormecidos na CNE a pensar que a CNE vai ser a sua boia de salvação. Partidos políticos foram criados para trabalhar no terreno e resolver problemas concretos das pessoas, não para ficar num gabinete em Maputo.” — Salomão Moyana

Perante esta disfunção institucional, o analista defendeu uma alteração legislativa urgente à Lei do Líder da Oposição. No modelo actual, concessões financeiras e regalias do Estado são atribuídas a figuras sem assento parlamentar, impedindo o debate político directo.

Moyana propôs que a legislação passe a exigir que o Líder da Oposição seja obrigatoriamente um deputado eleito pela segunda força política mais votada na Assembleia da República, garantindo um tempo regimental de 30 a 40 minutos para interpelar directamente o Primeiro-Ministro no Plenário.