O divórcio entre o poder e a deliberação: A gestão das crises sociais em Moçambique

Esta reportagem baseia-se na entrevista concedida pelo Professor Elísio Macamo ao canal de Boaventura Mandlate, na qual o académico analisa profundamente os desafios estruturais, políticos e sociais que Moçambique enfrenta atualmente.

Governação e a “Autoridade sem Explicação”

No cerne da fragilidade moçambicana está, para Elísio Macamo, a natureza estritamente política dos problemas nacionais. Ele introduz o conceito de “autoridade sem explicação”, caracterizando um sistema onde quem governa acredita que “não precisa de explicar as suas decisões para poder governar porque já tem o poder”.

Dívida vs. Crise Social Esta postura manifesta-se de forma gritante na gestão financeira recente. Macamo aponta o paradoxo de o governo pagar integralmente uma dívida ao FMI enquanto setores vitais, como a saúde, enfrentam greves e falta de medicamentos. “O problema é político… isso mina a confiança das pessoas no governo e no sistema político e é isso que vai facilitar a explosão social”, alerta.

Sobre a greve na saúde, o professor recusa condenar os profissionais, transferindo a responsabilidade ética para o Estado: “O juramento que eles fazem só faz sentido no contexto de uma obrigação que também vem da parte de quem tem o poder político… não são só eles que violam o juramento, é o próprio Ministro da Saúde”.

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