Uma alegada desobediência de um motorista a uma ordem de paragem no posto de controlo de Nhongonhane esteve na origem de um disparo da polícia que terminou em tragédia.
O porta-voz do Comando Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) Leonel Muchina em entrevista a Televisão de Moçambique, admitiu que a conduta foi “totalmente irresponsável e desproporcional”.
O incidente ocorreu na manhã desta segunda-feira(01.09.2025), quando pelo menos cinco agentes ordenaram a paragem de uma viatura proveniente da África do Sul com destino à província de Manica. O motorista não acatou a ordem. Em resposta, um dos agentes disparou contra a viatura, tentando imobilizá-la. O tiro atingiu um menor de 12 anos, que acabou por perder a vida.
Retaliação popular

Em revolta, a população bloqueou a Estrada Nacional Número Um (EN1) e linchou um agente da PRM. O porta-voz da instituição lamentou a morte do agente, mas condenou o recurso à justiça privada. “A violência pelas próprias mãos não resolve os conflitos”, declarou Muchina.
Responsabilização dos agentes

O Comando Geral informou que os agentes envolvidos estão sob custódia e enfrentam processos disciplinares, com proposta de expulsão. “Não foi esta orientação que demos aos nossos homens. O dever da polícia é proteger os cidadãos e não atentar contra eles”, afirmou o porta-voz.
Impacto na circulação

O bloqueio da EN1 deixou várias pessoas retidas, incluindo viajantes vindos da África do Sul. Muitos ficaram sem alimentação e pedem o fim da violência. “Mas por que acontece isto aqui em Moçambique? Isto é Moçambique ou estamos aonde?”, questionou um dos cidadãos afectados.
Até ao meio-dia, a via permanecia intransitável. O Comando Geral apelou à abertura imediata da estrada, garantindo que assumirá a responsabilidade moral pelo incidente.
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