O 20º Comité Central do Partido Comunista da China (PCC) realizou a sua quarta sessão plenária em Pequim, de segunda a quinta-feira.
Continue lendo Plenária do PCC conclui trabalhos e aprova recomendações para o 15º Plano Quinquenal da ChinaArquivos anuais: 2025
Guterres apela à reforma da ONU no 80º aniversário
Kuala Lumpur, 27 de Outubro de 2025 — O Secretário-Geral das Nações Unidas, António Guterres, fez um discurso marcante na abertura do Executive Talk do Programa do Dia das Nações Unidas 2025, em comemoração ao 80º aniversário da ONU, realizado em Kuala Lumpur, Malásia.
Continue lendo Guterres apela à reforma da ONU no 80º aniversárioCRISE DE COMBUSTÍVEIS OBRIGA MALI A ENCERRAR ESCOLAS E UNIVERSIDADES
Bloqueio jihadista deixa país sem combustível e paralisa sectores essenciais
O governo do Mali anunciou, esta segunda-feira, a suspensão temporária de todas as actividades escolares e universitárias até ao dia 9 de Novembro, devido à grave escassez de combustível que atinge o país desde o início de Setembro.
Continue lendo CRISE DE COMBUSTÍVEIS OBRIGA MALI A ENCERRAR ESCOLAS E UNIVERSIDADESSilo Auto de Maputo: um investimento de 7,2 milhões de dólares que se tornou um “elefante branco”
Inaugurado em 2024, o primeiro e único silo automóvel público da capital moçambicana continua quase vazio, sem gerar receitas suficientes para pagar a dívida bancária que o financiou. Especialistas apontam falhas graves no estudo de viabilidade e má gestão do investimento.
Continue lendo Silo Auto de Maputo: um investimento de 7,2 milhões de dólares que se tornou um “elefante branco”Famílias constroem casas atrás de cemitérios e à beira de rios em busca do sonho da habitação própria
Reportagem da STV revela realidade dramática da habitação em Moçambique, marcada por preços altos, burocracia e ausência de políticas eficazes.
A falta de acesso à habitação condigna em Moçambique está a empurrar centenas de famílias para locais inóspitos e perigosos, como zonas próximas a cemitérios, margens de rios e áreas propensas a inundações. Uma reportagem especial da STV, assinada por Abdul Manhiça, Gaspar Cherinda e Elton Tsembane, com edição de Fernandes Varela e Julieta Zula, retracta em profundidade a luta diária de cidadãos que fazem das tripas coração para erguer uma casa própria — mesmo sem condições mínimas de dignidade.
“É terrível viver atrás do cemitério, muito terrível. Praticamente da minha casa é o rio”, descreve Inácio Tembe, de 41 anos, residente no bairro Musumbuluco, no município da Matola.
Inácio, sapateiro de profissão, vive numa casa construída a escassos metros do cemitério Texlon. O terreno foi comprado por 30 mil meticais, o que conseguiu juntar ao longo de quatro anos. A escolha, diz, foi uma questão de sobrevivência:
“Fui para Bobole, fui para Maracuene, mas os preços lá eram outros. Não combinava com o que eu tinha.”
Um lar entre campas e rios
No quarteirão onde Inácio vive, entre o cemitério e o rio Matola, há cerca de 70 famílias. As casas são de caniço, chapa ou madeira, construídas com o que se tem à mão. O local, sem saneamento nem água potável, é cenário de um quotidiano extremo.
“Vivemos lado a lado com os mortos. As crianças usam o cemitério como caminho para a escola, parque de brincadeiras e até pista de corridas”, relata a reportagem.
Outro morador, de 64 anos, vive sozinho no local desde 2001.
“Não tinha onde ficar. Ouvi que havia espaço aqui, ocupei e fiquei. Vivo assim até hoje”, conta, enquanto carrega caniço para reforçar a sua casa.
Sem acesso à água tratada, os moradores recorrem ao poço do cemitério para tarefas domésticas, enquanto a água do rio é considerada imprópria para consumo. Para as necessidades básicas, improvisam covas que desmoronam com frequência.
“Aqui é difícil, mas já nos habituámos. Não há outro lugar para ir”, lamenta uma moradora.
Terra que não se vende, mas se compra
Embora a Constituição da República determine que a terra é propriedade do Estado e não pode ser vendida, na prática, o acesso depende de pagamentos informais. O processo legal é burocrático e moroso, e muitos esperam anos sem resposta dos municípios ou distritos.
“Sempre dizem que a terra não se vende, mas quando você vai procurar, pedem logo dinheiro”, conta um dos entrevistados.
Um intermediário, que actua na venda de terrenos, confirma:
“Com 100 mil meticais, só se consegue um espaço numa zona que enche de água ou sem energia. Um espaço bom custa entre 200 e 300 mil.”
Jovens sem casa, salários sem fôlego
A reportagem mostra que, para os jovens, ter uma casa própria é quase um sonho distante.
António Cuna, de 26 anos, fotógrafo, vive com a esposa e dois filhos numa casa arrendada e ganha 12 mil meticais por mês. Quer comprar terreno, mas admite que a conta não fecha:
“Dos 12 mil, teria de poupar 30%. Isso levaria mais de dois anos para juntar o valor, sem contar o aumento dos preços.”
Mesmo com terreno, o desafio seguinte é construir. Segundo o pedreiro Elias Langa, uma casa básica custa cerca de 250 mil meticais, enquanto uma construção arrojada pode ultrapassar 2 milhões.
“Com 250 mil consegue-se fazer uma casa com bloco de 10, mas sem placa e com chapas normais. Não dá para sonhar muito.”
O custo do cimento e a dependência externa
O bastonário da Ordem dos Engenheiros explica que 85% dos materiais de construção em Moçambique são importados, o que encarece as obras.
“O cimento, ferro e chapas estão caros. Era importante subsidiar o acesso a materiais de construção ou reduzir os impostos, para permitir que mais pessoas construam casas duráveis.”
Projectos públicos que não respondem à realidade
Embora a habitação seja um direito constitucional, o Estado ainda não possui políticas amplas e eficazes. O Fundo para o Fomento da Habitação (FFH) oferece projectos como o Renascer, inaugurado em 2022 com 100 casas do tipo zero, pagas em prestações de cerca de 2.570 meticais mensais durante 20 anos.
“Consegui a minha casa através do projecto. Se tivesse de seguir os passos normais, ainda não teria”, diz um dos beneficiários.
Mas, três anos depois, a vila permanece quase deserta.
“Apenas 24 famílias vivem lá. As casas estão vazias, embora todas tenham donos”, relata a reportagem.
Falta de transparência e beneficiários desconhecidos
A STV questionou o FFH sobre os critérios de selecção dos beneficiários e os planos para novas habitações, mas não obteve resposta.
O mestre em habitação social, defende a criação de um Instituto Nacional de Habitação, independente e dedicado exclusivamente a coordenar políticas e programas habitacionais.
“É preciso uma instituição vocacionada para gerir o acesso à habitação e controlar a distribuição de terras. Sem isso, continuaremos com os mesmos problemas.”
Projectos recentes e futuro incerto
Entre as iniciativas recentes, o governo anunciou o projecto Terra Infraestruturada, que prevê 49 mil talhões urbanizados em todo o país, com acesso à água, energia, escolas e hospitais. O presidente Filipe Nyusi entregou 12 talhões a jovens em Vilankulo, chamando-os de “futuras cidades da juventude moçambicana”.
Entretanto, o valor dos talhões ainda não foi tornado público, e especialistas alertam que, sem subsídios, esses espaços continuarão fora do alcance da maioria dos jovens, cujo salário mínimo ronda os 9 mil meticais.
“A grande questão é: para que tipo de jovens são estes projectos?”, conclui a reportagem.
🟢 Reportagem baseada no trabalho de Abdul Manhissa, Gaspar Cherinda e Elton Tsembane, edição de Fernandes Varela e Julieta Zucula — STV.
Moradores agastados com demora na reposição de tubagem na Avenida Joaquim Chissano
Obras paradas há meses voltam a arrancar, mas ritmo ainda preocupa residentes dos bairros Inhagoia, Unidade 7 e Aeroporto.
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Da era Guebuza a Daniel Chapo, projectos de metro de superfície, AGT e Futran ficaram pelo caminho, enquanto o país continua sem soluções para a mobilidade nas grandes cidades.
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Maputo, 26 de Outubro de 2025 — O país segue dividido entre extremos climáticos. Enquanto Tete se mantém abrasadora, com temperaturas que atingem os 43 graus Celsius, a capital moçambicana continua a viver um clima atípico, de Verão com sabor a Inverno, com máximas de apenas 28 graus e possibilidade de chuvas acompanhadas de trovoadas.
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